terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Alguma poesia

Elas
Elas ilustram, dizem, desdizem, maldizem, bendizem, redizem.Entre elas há simpáticas, bem como antipáticas, arrogantes, e até pedantes. Há umas que, quando se juntam a outras, dizem verdades absolutas, incontestáveis; outras, no entanto, preferem reunir-se para mentir, difamar, falar mal de alguns. Sei também que, na turminha delas, existem umas que dizem o que eu não queria que fosse dito. Há ainda as que desdizem o que eu disse. Às vezes, passo horas contemplando-as, analisando cada modo, suas flexibilidades, seus passados; aliás, alguns são mais-que-perfeitos. Quantas outras vezes já sofri, por não saber, entre tantas, qual delas é a mais bela, a mais expressiva, a mais convincente, a mais charmosa! Autênticas não-fáceis de serem escolhidas ou empregadas; são elas, as palavras!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Evanildo Bechara ou a educação pela direita

Evanildo Bechara completou 80 anos de idade. As homenagens se justificam. São 60 anos dedicados ao estudo e ao ensino da língua, e isso é muita coisa. Bechara é, talvez, nosso único verdadeiro gramático vivo - os outros que usam esse título são, de fato, meros gramatiqueiros, isto é, repetidores passivos da tradição normativa, sem propor nenhuma reflexão nova e bem fundada sobre os fatos de língua. Apesar de seus méritos, porém, a obra mais célebre de Bechara, sua Moderna Gramática, deixa transparecer o vaivém do autor entre duas atitudes contrapostas: o descritivismo que analisa a língua pela ótica de uma teoria científica (no caso, uma vertente do funcionalismo) e a atitude normativa que tenta preservar o que ele chama de "língua exemplar" (adjetivo muito eloqüente por si só). Ao definir seu trabalho, ele assim escreve: "A gramática normativa recomenda como se deve falar e escrever segundo o uso e a autoridade dos escritores corretos e dos gramáticos e dicionaristas esclarecidos". Mas com que critérios objetivos se classifica um escritor de "correto" e um dicionarista de "esclarecido"? Bechara não explica, o que leva a crer que os critérios são, mesmo, seus gostos pessoais.Mas quando se sai da gramática e se lê outros textos de Bechara é que surge um pensador assumidamente elitista e conservador. Em texto de 1999, Bechara afirmava que não se pode "anular a necessidade da vigência da hierarquização", esquecendo-se de dizer que a hierarquização só é necessária para quem já ocupa o topo da hierarquia e precisa defendê-la para se manter lá. Duvido que os escravos e as mulheres, em todas as fases da história, considerassem "necessária" sua condição inferior na hierarquia. Também diz que é preciso levar os alunos a "falar melhor e com os melhores", citando o que o gramático português Fernão de Oliveira escreveu em 1536, como se o ideário pedagógico daquela época ainda valesse para os dias de hoje! Vale para os que já se acham "os melhores" e são, como escreveu o mesmo Fernão de Oliveira, "não amigos de muita mudança" - ou seja, os reacionários.Pior, contudo, é o que ele publicou no JB em 2005 ("Educação lingüística às avessas"): que a pedagogia atual "recomenda" como objeto de ensino algo que tem (pasme, leitora) "ineficácia cultural: a língua viva do povo". É ou não é uma pérola de reacionarismo? Bechara diversas vezes tem dito e escrito que os sociolingüistas desprezam o ensino das formas prestigiadas de falar e escrever e que propõem uma educação baseada apenas na língua falada do dia a dia. Isso é mentira. A leitura atenta (e honesta) das propostas de ensino de lingüistas e educadores brasileiros revela que todos somos favoráveis ao ensino também das formas clássicas, eruditas, de falar e escrever, ao lado das outras manifestações cotidianas e populares do uso da língua. O problema está no também, que é democrático demais para quem só quer saber dos "melhores" e da "necessidade de hierarquização". O que Bechara propõe, então, é de fato uma educação lingüística pela direita. O povo, na sua "ineficácia cultural", agradece. Mas dispensa.
Marcos Bagno - Escritor, tradutor, lingüista e professor da UnB

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O racismo lingüístico do Brasil

Que o Brasil é um país entranhadamente racista é coisa sabida e consabida. As estatísticas estão aí, como se fosse necessário o positivismo dos dados para confirmar: embora os não-brancos representem hoje metade da população, somente 14% deles têm curso superior; só 13,1% têm assento no Congresso Nacional, ao mesmo tempo em que constituem 70% da população analfabeta. Se isso não é racismo, sr. Ali Kamel, então me diga o que é. Impregnado nas mais diversas esferas sociais, poucas pessoas, no entanto, se dão conta de que também existe um racismo profundo na história lingüística do Brasil. Logo após a Independência, nossa ínfima elite intelectual se divertiu com o debate sobre o estabelecimento de uma norma-padrão para o português brasileiro. De um lado, os defensores da "língua brasileira" sustentavam a autonomia do nosso português com relação ao falado na Europa e lutavam pelo reconhecimento das características idiomáticas da nossa fala urbana como legítimas, inclusive para o uso na literatura. Do outro, os que recusavam essas características e defendiam a observância rígida das normas gramaticais do português lusitano. Liberais ou conservadores, porém, todos lutavam contra um mesmo fantasma: o português brasileiro falado pela imensa maioria da população, composta de negros e mestiços, e que trazia (e traz) as marcas dos processos de contato lingüístico entre o português e as diferentes línguas africanas aqui chegadas junto com os escravos.
É claro que, numa sociedade desde sempre oligárquica e autoritária como a nossa, venceu o projeto conservador, que acabou por instituir, como norma para o português brasileiro, um padrão inspirado nos usos literários de um punhado de escritores lusitanos do século XIX. O objetivo desse projeto, evidentemente, não era só lingüístico: era também distanciar o máximo possível a elite branca do "populacho" mestiço. Nossas classes dominantes sempre tiveram absoluto horror a tudo o que fosse genuinamente nosso, nativo, autóctone. Ora, elas jamais aceitariam como sua a língua que Araripe Jr., em 1888, chamava de "o falar atravessado dos africanos". Para fugir disso, estabeleceram como padrão de "língua certa" um modelo importado que se afastava, ao mesmo tempo, do português popular brasileiro e das variedades urbanas da própria elite branca e letrada. Negação do outro, negação de si, alienação total e absoluta, esquizofrenia perfeita.Essa é a origem do abismo largo e fundo que separa, até hoje, a língua que os brasileiros falam (e escrevem) - inclusive os altamente letrados com vivência urbana - das prescrições irreais e irracionais de uma norma-padrão fixada, já na origem, como uma impossibilidade de realização plena por parte de qualquer brasileiro. Ao contrário de outras sociedades, democráticas de fato, em que os usos lingüísticos reais das camadas letradas urbanas servem de base para se fixar o padrão a ser descrito pelas gramáticas e dicionários, ensinado nas escolas etc., no Brasil vivemos uma esquizofrenia lingüística: falamos o português brasileiro, resultante de 500 anos de contato lingüístico com idiomas africanos e indígenas, a terceira língua mais falada do hemisfério ocidental, mas utilizamos, como normas de regulação dessa língua, um conjunto de prescrições absurdas, arcaicas, já obsoletas em meados do século XIX, que contradizem frontalmente o nosso saber lingüístico intuitivo. O português brasileiro é uma língua para a qual confluíram e confluem matrizes lingüísticas européias, ameríndias e africanas. Se tantos brasileiros pronunciam "djia" e "tchia" o que se escreve dia e tia é porque mamaram essas pronúncias junto com o leite das suas babás negras, junto com tantas coisas maravilhosas que os africanos nos legaram e que nossas classes dominantes continuam a repudiar como se não fossem suas, embora essas coisas estejam inscritas no DNA de todos os brasileiros.
Marcos Bagno - Escritor, tradutor, lingüista e professor da UnB - Setembro de 2008

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Um punhado de gratidão

Bom é viver! A vida é verdadeiramente bela, maravilhosa.
Ontem chorei, emocionei-me sinceramente ao assistir ao programa Profissão Repórter, exibido pela TV globo, que fez uma matéria intitulada: “Cegos: lutas e conquistas”.
Lágrimas de agradecimento rolaram de meus olhos ao ver dona Maria, uma senhora que, após décadas enxergando somente vultos, por causa de uma miopia progressiva que chegou a 18 graus, passou por uma cirurgia e voltou a enxergar, a contemplar as criações divinas.
A atividades do cotidiano pouco valorizadas por alguns, como ir ao supermercado, à padaria, por exemplo, dona Maria demonstrou enorme valor. Ao reclamar do que não temos, ao invés de agradecer a Deus pelo que temos, quão ingratos somos! Como questiona a banda Oficina G3 em uma de suas músicas, às vezes me pergunto: “De onde me vem tanta ingratidão?”.
Nesta hora, Deus soberano, agradeço-te pelo ar que respiro, por tua bondade e misericórdia. Peço-te que me faças enxergar, em todos os dias desta minha efêmera vida terrena, tua gloriosa mão que me sustenta em tudo. Obrigado, Deus!


Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. (I Tessalonicenses 5:18)


quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O problema está na alma

Há quase 72 horas, as câmeras e repórteres das principais emissoras de rádio e televisão do Brasil se voltam para um conjunto habitacional em Santo André, na grande São Paulo, onde Lindemberg Fernandes Alves, 22 anos, mantém seqüestrada a menor de idade Eloá, sua ex-namorada.
A respeito da personalidade do rapaz, jornalistas forneceram informações diferentes: uns dizem que se trata de alguém calmo, compreensivo; outros, no entanto, afirmam se tratar de um jovem “explosivo”, "doente de ciúmes". Tanto a família de Lindemberg quanto a de Eloá aguardam apreensivamente o desfecho do caso.
Senhores, estamos diante de mais um desses acontecimentos em que um ser vivente se acha no direito de dar fim à vida de outrem. Ante uma situação que não nos dá garantia nenhuma de que Eloá sairá pela porta daquele apartamento viva. Alguns jornalistas argumentam que, tudo isso, é fruto de uma paixão excessiva, desenfreada. O que passa pela cabeça de Lindemberg nesta hora? Por que não libera a garota e se entrega à polícia? O que o levou a isso? Psicólogos responderiam a todas essas perguntas. Provavelmente não sairiam do âmbito físico, material. Diriam que a personalidade... que o sentimento de Lindemberg se transformou em... etc.; e tudo isso é louvável e importante, afinal, eles estudaram para dizer o que dizem; A meu ver, todavia, o problema se dá, em primeiro lugar, no aspecto espiritual. Lembremos que o homem possui um espírito. Lindemberg pode até ter chegado à loucura, como disse Brito Júnior, apresentador do Hoje em dia; mas esteve, em primeira instância, com a alma doente. Os “problemas de personalidade”, “de caráter”, “de paixão obsessiva” apontados por muitos, iniciaram na alma, no espírito. O imo da alma é a residência de todos esses males.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Dunga e sua seleçãozinha

Não é de hoje que brasileiros já não deixam de fazer outras coisas para assistir a jogos da seleção brasileira masculina de futebol; e eles tem toda a razão do mundo, pois, cá entre nós, rio-branquenses, tem sido melhor assistir ao Rio Branco golear o Luverdense no Arena da Floresta do que ver o Brasil empatar em 0x0 com a Colômbia. Dá até sono. Nem com o Robinho pedindo... nem implorando eu fico à frente da tv.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Injustiça Social


Justiça Social
João Alexandre
Composição: João Alexandre


A gente não precisa ser milionário
A gente só quer um justo salário
A gente tem que levar fé no trabalho aqui
A gente não precisa criar quizumba
A gente quer sinceridade profunda
Alguém vai ter que por moral nessa casa aqui
Se deu muito feijão falta no prato
Se deu muita batata cadê o ensopado?
Queremos a fatia de um bolo que a gente fez!
É só distribuir a coisa direito
E repartir o lucro também com o sujeito
Que quase se suicida no fim do mês
É hora de se procurar a saída
Todo esse egoísmo acaba com a vida
Quem dera que a gente ouvisse o que Cristo diz
O que Cristo diz...
É hora de se procurar o que Cristo diz

Esta belíssima música do poeta João Alexandre revela precisamente a indignação de muitos. 40 milhões de brasileiros conseguem sobreviver com um mísero salário mínimo de R$415,00, diferentemente dos vereadores de Brasiléia, que, atualmente, recebem 1,7 mil; e a partir de janeiro, com o aumento que terão, passarão a ganhar seus insignificantes 3 mil reais. Muito nas mãos de poucos. Lembro-me das aulas de história, quando meu ilustre professor discursava com mestria sobre a sociedade feudal e suas desigualdades: “o suserano era o que... mas o pobre vassalo... e os grandes latifundiários, então?... o nobre..., etc”. Não precisa de quizumba, só se quer uma sociedade mais justa, igualitária de verdade. Enquanto sobra e estraga na mesa de uns, falta na de outros. É o egoísmo, a ganância, a soberba da vida e concupscência da carne. Como diz o poeta: tudo isso "acaba com a vida". É, João Alexandre, quem dera que a gente ouvisse o que Cristo diz.
Aperte o play e ouça a música Justiça Social
video

sábado, 11 de outubro de 2008

De quem é a língua?

A língua é considerada bem público, uma vez que é de uso comum dos que dela se utilizam para atos de comunicação. Pertence a toda a comunidade de falantes.
Mas também é um bem privado, à medida em que é utilizada por cada indivíduo. Ela pertence a cada pessoa que a usa. "É o aspecto individual da linguagem humana" (TERRA, 1997, p.16).


Extraído do material didático da Unopar Virtual, módulo 1.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O Acre não é do Senhor Jesus!

Estamos vivendo um tempo interessante do ponto de vista da Sociologia da Religião. É cada vez mais esquizofrênico o modo de ser e expressar a fé “evangélica” do nosso tempo. Esquizofrênico porque, além de afetada por um grande vazio de propósito e substância, é também afetada pelo efeito contrário de tudo o que prega e volta-se contra si mesma num misticismo miscigenado quase sem fim, inerente, não à Bíblia, mas às estratégias de enchimento de templos com números (ao invés de pessoas reais, indivíduos concretos e diferentes, multifacetados, que não podem ser enquadrados no termo “povo” ou “multidão apenas”).
Vendo uma chamada comercial para um movimento público dos espíritas para conscientizar a sociedade sobre a importância da família como ponto de equilíbrio dos conflitos sociais presentes em nosso tempo e em nossa sociedade chamada moderna, fiquei meditando sobre a expressão que tantos pronunciam com orgulho nos cultos, atos proféticos, marchas, congressos e reuniões: “O Acre é do Senhor Jesus”! E percebi que o Senhor Jesus em nada tem contribuído para a melhora do Acre. Não que Ele não possa. Mas por que escolheu ser o Cabeça da IGREJA, e esta está contaminada com as mazelas deste tempo ao invés de estar aliançada com as verdades do Reino de Deus.
Em primeiríssimo lugar, Jesus disse que o mundo saberia que somos d’Ele quando nos amássemos e fôssemos como um só, assim como Ele era e é um com o Pai. Ao contrário disto vemos uma briga velada, disputa implícita, todos os anos, para ver quem vai comandar a “Marcha para Jesus”. Uns dizem “somos mais ministrados sobre este assunto, por isso devemos organizar e dirigir”; outros dizem “nossa instituição é a representante legal dos evangélicos na cidade, por isso vamos organizar e dirigir”. No fim, ganha quem conseguir alugar o maior e mais barulhento carro de som e conseguir colocá-lo na ‘primeira fila do grid de largada’ como se fosse uma ‘Fórmula Crente’. Alguns, por verem este triste espetáculo de horrores, simplesmente não vão. Enquanto isso gritam: “O Acre é do Senhor Jesus”!
A falta de relacionamento qualquer com a Bíblia é algo inequivocamente paradoxal hoje. Como pode os que se chamam ‘Evangélicos’ conhecerem tão pouco o evangelho? Os protestantes não mais protestarem contra nada? Ao invés de ter postura profética, têm seus púlpitos contaminados com política local em troca de favores, passagens aéreas, patrocínios e outros sinais de uma igreja comprometida com aqueles que deveria orientar e julgar com conselho bíblico. Muitas reuniões para apresentação de candidato “da nossa igreja” e nenhuma reunião de comunhão entre pastores e líderes. Aliás, eles não se suportam num mesmo ambiente – bem parecido com o estilo de reuniões promovidas por Jesus e seus doze, que viraram 120 em Atos, que viraram mais de três mil na primeira mensagem, que viraram uma multidão espalhada por todos os lugares na diáspora. O compromisso de Deus com José para sustentar uma promessa bíblica é a única base bíblica utilizada para justificar a ‘venda de votos casados’ do grande curral eleitoral que as igrejas viraram. Tão vergonhoso que até a Justiça Eleitoral se manifestou sobre o assunto e agora fiscaliza as igrejas, que deveriam fiscalizar a Justiça para ver se ela está mesmo sendo aplicada como deveria. Vergonha.
O misticismo é tão flagrante que outro dia me perguntaram se os evangélicos lêem horóscopo. Que dizer diante dos que dizem que 08.08.08 é uma data ‘profética’ que abre portais para a entrada de Satanás no mundo? Que crêem que crentes ficam possessos ainda que lavados no Sangue de Jesus (Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus... Rm8), que crêem que maldição (especialmente hereditária) e macumba ‘pega’ em crente? Crentes frágeis que, além de não conhecerem a Bíblia, nunca tiveram uma experiência concreta com Jesus e embaraçam o nome da igreja sendo promovidos a líderes de células, discipulados, departamentos, ministérios, etc., sem o devido preparo. Que crêem que a maldição está em até quatro gerações dos que o aborrecem, mas não pregam que está a bênção em até mil gerações dos que o buscam (e olha que o texto é o mesmo).
O evangelho da valorização dos números que mostra que o caráter cristão não se relaciona com o tamanho da igreja de hoje. A ética dos fins (que levam a fim) e justificam os meios. Creio que igrejas saudáveis crescem. Mas creio que igrejas doentes têm crescido mais. O sucesso é a palavra que substituiu a verdade. É melhor ter sucesso do que ser verdadeiro em Deus. Exércitos de crentes em sistemas de crescimento têm sido formados dia após dia comprovando que as igrejas estão vazias. Vazias de verdade. De Deus. Por isso Marx disse que a igreja de seu tempo era ópio, droga para embriagar o entendimento do povo para não ver que eram explorados, pilhados, maltratados. Tenho a forte impressão de que se ele vivesse hoje, creria ainda menos em Deus. Porque se Deus é refletido na imagem da igreja, e a igreja é que o estamos vendo, então esse não tem nada a ver com o Deus da Bíblia, ou no mínimo, como disse Marx, não existe. Preciso discordar dele em apenas um ponto: Deus existe; a igreja é que não o reflete mais!
Já devíamos saber (pelo tempo decorrido – como diz Hebreus), que dar Bíblia de presente para político, fazer ato profético que nunca se cumpre, pregar a teologia da alma para atrair multidões cansadas para o evangelho da auto-ajuda, criar reinos individuais e competir com os outros líderes, tudo isso e muito mais, é profundamente contraditório com o que pregamos. Por tudo isso e muito mais creio que o Acre, infelizmente, não é e nem está perto de ser do Senhor Jesus. Espero um dia ver este quadro mudado. Mudado não pela boca de falsos apóstolos, que só são apóstolos para representar seus próprios métodos, e sim pela verdade de Deus revelada na Bíblia.

Com esperança, fé e amor.
Rogério Correia, Pastor Batista e Mestrando em Letras, Linguagem e Identidade (UFAC).

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Catracatravacatracatrava...

Ontem, 9 de outubro, aproximadamente às 16h30min, ao sair da escola onde trabalho, Dr. Carlos Vasconcelos, no 2º Distrito, embarquei no ônibus Norte-Sul, pensando eu que, afora os desconsfortos inerentes à rotina de se andar de ônibus, teria uma viagem tranqüila.
Disposto a pagar uma passagem, e somente uma, tirei da carteira o meu cartão eletrônico de vale-transporte, aproximei-o do leitor eletrônico, segurei na barra à minha frente e, com a perna direita, forcei a catraca do ônibus; esta, no entanto, travou. Até aqui estava tudo bem. Problema de sistema, pensei. Inesperadamente, o alarme do leitor eletrônico dispara: piiiiiiiiiiiiiiiiiii... De repente, recebo a "facada":
– Porque o senhor não passou logo, a roleta travou, disse a cobradora.
Calmamente, corrigi-a:
– Não. Assim que apareceu o valor de passagens do meu cartão, empurrei a catraca.
– Ah, senhor, o senhor deve passar o cartão de novo, replicou ela. Lembrando-me do fato, dou graças a Deus porque ela disse isso a mim, e não à minha mãe.
Como sei que é apenas uma funcionária, e ainda por cima, novata – na cadeira à frente, a cobradora oficial lhe dava instruções sobre como proceder – preferi não dizer nada. Passei novamente o cartão. Nessa brincadeira, lá se foram R$ 3,80.
Depois de aprontar essa comigo, a catraca se engraçou de uma senhora. A coitada, ao passar o cartão, esperou pelo menos sete minutos, num calor de quase 40ºC, que se multiplicava dentro daquele forno imprensado. Paciência. Para não se estressar, é melhor cantar: catracatrava daqui, catracatrava de lá...lá,lá,lá,lá... e, finalmente, graças à misericórdia de Deus, passou aquela velhinha. Que alívio ela sentiu; não sabia, no entanto, que teria de deixar R$ 0,10 de cortesia, pois a cobradora não tinha troco para o valor da sua passagem (ah! nem para o dela nem para o dos demais passageiros que passaram depois). Com meus olhos de cidadão que paga impostos, fiquei olhando aquela situação e pensei: “Que vergonha". "Essas empresas enriquecem com o nosso dinheiro". "Nem os velhinhos escapam de suas cobranças extorsivas”.
Para não deixar aflorar minha indignação, preferi transformar o que vi em um fato cômico: fiquei pensando que, talvez, os dez centavos que aquela senhora pagou fossem pelo tempo que ela esperou para passar. Engraçado, até pela demora a pobre teve de pagar. Por isso, sempre digo: "no fim das contas, quem paga o pato é o lascado do contribuinte".

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Se não fosse o Jorge...

Não obstante ter deixado o cargo de governador do Acre, Jorge Viana, presidente do Fórum de Desenvolvimento Sustentável do Acre, assiste de perto ao mandato de Arnóbio Marques, o Binho, atual governador.
Político “inteligente” que é, nessa campanha de 2008, Jorge foi âncora na reeleição de Raimundo Angelim e na “queda da peteca”.
Em uma entrevista concedida ao xará Jorge Henrique de Queiróz, da TV Aldeia, canal 2, o líder petista esbanjou esses ao falar na terceira pessoa plural, a cada pergunta que o entrevistador fazia, Viana respondia: “Nós, da Frente Popular, estamos fazendo um bom trabalho”, “Teremos os dois melhores anos de governo”; assim mesmo, revelando que continua intrinsecamente ligado à política acreana, sobretudo, petista, com ares de quem diz ter “deixado o mandato”, mas ainda manda e desmanda no barraco.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Até o Cabide?!

"Os vereadores que não foram eleitos terão de pôr o paletó no Cabide".
Gostei da duplicidade de sentido presente nesta frase de Marcelo Ferreira, um amigo.
Do ponto de vista político, fico me perguntando, no entanto, o que vão fazer políticos como Cabide, que não sabem sequer a definição de política, muito menos conhecem a função de um vereador.

sábado, 4 de outubro de 2008

Saúde pública: só quem a utiliza pode falar

Ontem, 2 de outubro, por volta das 10h55, uma dor desgraçada no abdome ordenou que eu saísse de sala para conhecer o primeiro mundo. Suando frio, pressão baixa, deitei-me na sala da diretora. Mesmo com ar-condicionado, eu não parava de suar.Coordenadora de ensino, a Izanilde, quando me viu, tratou logo de me ajudar. Otacília, a chefe da coordenação, telefonou para o Samu. A partir dessa ligação, senti na pele, digo, no abdme, que o primeiro mundo não é o mesmo, o Samu não atendeu ao chamado.Sem poder andar, fui carregado por dois colegas de trabalho, a Ozélia e o Waldir. Entrei no carro de um professor e aí começou minha viagem para o primeiro mundo: o pronto-socorro.Entre os sacolejos e a dor, cheguei vivo às 11h30 para esperar uns 10 minutos, a médica conversava com uma funcionária. Quem sabe, não sei, trocavam idéias sobre o sentido da vida em momento muito impróprio. Não quis interromper, a dor me incomodava. Paciência. Mas um homem branco e magro não teve paciência e deu uma reprimenda. "Vocês duas conversam aí enquanto pessoas estão sentindo dores." A médica se tocou que aquele espaço não era um bar e, finalmente, deu-me atenção. Entre algumas perguntas, escreveu no pepel exame de sangue, de urina e uma dose de Buscopan. Pego o papel. Se algo se assemelhava ao primeiro mundo até aquele momento, ele veio em forma de maqueiro, levando-me, imediatamente, à sala de observação 1. Depois que o maqueiro me deixou na cadeira de rodas, aí sim, não vi mais o imediatamente, a rapidez, a eficiência.Fiquei na fila durante quase 25 minutos para tomar Buscopan, só que o tempo é muito largo quando sentimos dor. Suava frio, pressão baixa, camisa encharcada, pensei em gritar, dar uma esculhambação nas enfermeiras, xingar a mãe de alguém, mas logo me culpei por não ter um plano de saúde particular. Aproveitei o curso intensivo que tinha feito no Tibete com os monges budistas e elevei minha alma acima de promessas políticas.Por volta das 12h10, finalmente, porra!, tomei injeção para depois deitar em um leito... Leito? Meu irmaõ, não havia leito desocupado, tive que permanecer em uma cadeira (como você pode ver o otário na foto). Minutos depois, com efeito do remédio, a dor me deixou de lado.O que não me deixou de lado foi a espera. O exame - aquele que a médica tinha pedido por volta das 11h40 - só chegou aos meus olhos de contribuinte às 19h40, mesmo assim porque fui pedir. Mas quem tinha amizade com algum enfermeiro conseguia por fora o exame bem antes daqueles que não tinham um enfermeiro como amiguinho.O médico sentou-se à mesa às 20 horas e só me atendeu depois que conversou com uma médica, sua amiga. Ele queria saber sobre uma aulas de medicina cursadas por ela. Paciência. Foi quando senti saudade da rapidez do maqueiro novamente.Quando ele finalmente deu seu parecer médico, eu descobri que deveria ter um plano de saúde particular, porque o que ele disse, a partir dos exames de sangue e de urina, não me fizeram sentir no primeiro mundo. Saí do, socorro, pronto-socorro! às 20h30 com muita saudade do maqueiro.Tirei, infelizmente, uma foto, só havia energia na bateria para uma só, acredite. No dia seguinte, fui ao médico particular, algo de primeiro mundo. Estou com incontinência urinária por causa, talvez, de um cálculo renal. Hoje, à tarde, irei à Fundação Hospitalar para exames. Na segunda segunda-feira, irei ao Sindicato dos Professores Licenciados para assinar meu plano de saúde particular. É, o primeiro mundo já não é o mesmo. Ainda sim, sabendo que já foi bem pior, no domingo, votarei em Raimundo Angelim, sem segundo turno.
O texto acima, retirado do blog de Aldo Antônio do Nascimento, um dos mais competentes professores de língua portuguesa do Acre, ressalte-se ainda, cidadão em pleno exercício de seus direitos e deveres, descreve fiel e REALmente a agonia de todos os que dependem da saúde pública, saúde que, considero, na condição de usuário dela, uma das vergonhas do Brasil.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

IPhone 3G mais caro do mundo

O brasileiro que é louco por novas tecnologias e se dispõe a pagar alto preço por isso já está dando um jeito de comprar o iPhone 3G, nas 12 capitais onde está oficialmente a venda.Será que vale mesmo a pena adquirir agora ou esperar os preços baixarem? O Brasil é onde o equipamento sai mais caro no mundo até porque inicialmente a oferta é inferior à demanda. As empresas jogam a culpa do preço elevado na pesada carga tributária de importação dos produtos eletrônicos. O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário avalia que 60% da diferença entre o valor cobrado no Brasil (R$ 1.389 na Vivo e R$ 1,6 mil na Claro) e nos Estados Unidos (US$ 199 ou R$ 363) seja por causa dos tributos, que incluem os custos com o desembaraço aduaneiro, IPI, ICMS, PIS e Confins, entre outros. Mas o restante é margem de lucro das empresas. Os iPhones para os brasileiros custam quase o dobro do que é pago no Uruguai, por exemplo. Aqui se paga três vezes mais do que desembolsam os chilenos. Na Holanda se paga pelo celular com 8GB um euro, no plano mensal que sai por R$ 107,80. O cliente da Vivo, no plano iPhone 90, tem de gastar R$ 1.389. Já o cliente Claro, no plano iPhone 300, de R$ 114,90, precisa desembolsar R$ 1,6 mil.Tristeza!


Maria Inês Dolci - Folha Online

Cúmulo: 2,1 milhões de crianças analfabetas


Mesmo dentro de sala de aula, os brasileiros ainda não conseguiram transpor uma barreira que mantém o Brasil distante de países desenvolvidos: o analfabetismo. Há 2,1 milhões de crianças entre 7 e 14 anos no país que, embora freqüentem a escola, continuam analfabetas. É o que mostra a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada nesta quarta-feira.
O estudo revela que 87,2% das crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos que não sabem ler e escrever --2,1 milhões- freqüentavam a escola regularmente em 2007. E uma minoria deles estava com os estudos atrasados: apenas um quarto dos estudantes do ensino fundamental tinha mais de dois anos acima da idade recomendada para a série que estudava.
A taxa de analfabetismo entre os que estudam contrasta com a freqüência escolar dos jovens entre 7 e 14 anos, que alcançou 97,6% em 2007. Um nível considerado "praticamente universalizado" pelo IBGE.
"O acesso à rede de ensino está se universalizando [...]. No entanto, ainda persistem problemas associados à eficácia escola", diz texto da Síntese de Indicadores Sociais, feita com base em cruzamentos de dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2007, divulgada semana passada pelo IBGE.
Para os pesquisadores, a contradição revela falhas na qualidade de ensino e pode ter como causa o sistema de aprovação automática em escolas.
Na média brasileira, a taxa de analfabetismo foi de 10,5% da população, ou 14,1 milhões de pessoas, como havia revelado a Pnad. O índice é menor que o de uma década atrás --em 1997, havia 15,9 milhões de analfabetos, segundo o IBGE. Mas ainda não alcançou patamares como os da China (7,1%) e Rússia (0,6%), que dividem com o Brasil lugar nos Brics (grupo de países emergentes formado também pela Índia), segundo a pesquisa.
A taxa brasileira, como mostrou a Pnad semana passada, também é uma das piores da América Latina e está atrás de países como Bolívia, Suriname e Peru.
Arte/Folha Online
Alfabetização de adultos
As tentativas do governo de alfabetizar os adultos também são falhas, segundo aponta a Síntese de Indicadores Sociais. Em 2007, 2,6 milhões de brasileiros com mais de 15 anos faziam cursos de educação de jovens e adultos. Mas apenas um quinto deles freqüentava aulas de alfabetização de adulto, foco dos programas do governo federal, segundo o IBGE. Os outros 79,3% estavam em supletivos de ensino fundamental ou médio.
Entre os adultos, 3,9% dos alunos de alfabetização têm 60 anos ou mais e 19,4%, 40 a 59 anos, contra 76,8% dos estudantes entre de 15 a 39 anos.

Luisa Belchior - Folha Online

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Mais uma ponte?!

Nesta campanha política de picuinhas, muito se tem falado da construção de uma quarta ponte aqui, em Rio Branco-AC; o povão, no entanto, precisa mesmo é de criticidade política, de uma boa e convicta escolha na hora de votar – e isto não é nada fácil –, de educação qualitativa, para que o térreo dessa tão anunciada quarta ponte não lhe sirva de moradia.
Pensando bem, muitíssimas ruas dos bairros periféricos de Rio Branco necessitam de pontes (inclusive a que moro; exclusive, é claro, a que mora o prefeito Angelim), tanto quanto, de projetos sociais “inteligentes”; de atendimento “de vergonha”, nos postos de saúde e em outros locais públicos; de educação alimentícia, para quando houver comida; e outras coisas mais.
Rio Branco não carece de políticos prolixos, enfadonhos, (aliás, destes, já está cheia) que investem demasiado tempo em briguinhas, em picuetas; precisa, entretanto, de política (não disse politicagem), de políticos sérios, de homens de caráter, que conheçam a função de um cargo público e exerçam-na fiel e honestamente.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O homem

O homem foi manso, obediente.
Ele foi pai, foi filho.
O homem, antes, colhia flores sem plantar desconfianças. Ele se insurgiu, caiu. Transgrediu.
Renasceu.
Alcunhou-se filho do homem.
O homem amou. Desesperada e apaixonadamente amou.
Ignoraram-no.
O homem foi matado. Isso fazia parte.
Cuspiram n’Ele; seu amor, no entanto, foi fiel.
Enfim, ressurgiu.
Vive O homem.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Perigo nas escolas

Ao assistir a uma aula na sexta série “A”, escola Serafim da Silva Salgado, senti-me felicíssimo, privilegiado. Lá, os alunos produzem mesmo. Criam, recriam, soltam a imaginação. O resultado disso? Belos textos que proporcionam, dentre outras coisas, prazer, emoção àqueles que os lêem. Aqui registro três:

O menino

Existia um menino
Que morava na favela
As pessoas que passavam
O observavam pela janela

As pessoas o olhavam
Com olhar de preconceito
Mas ele não ligava
E batia no peito

Ele nunca desistiu
E sempre estudou
A mãe dele tem orgulho
Porque ele se formou

Essa é uma história
Para você meditar
Para ser uma pessoa boa
É preciso estudar


Thaís da Silva Menezes, 12 anos.

Apaixonadinhos

O passarinho
Com um canarinho
Que amorzinho
No barquinho
Um pardalzinho
No pedacinho do mar.


Débora da Silva Lima, 11 anos.


O passarinho

O pequeno passarinho
Da raça canarinho
Era o amorzinho do capitão do barquinho
E o pardalzinho queria apenas do bolo um pedacinho.

Patrícia Souza da Silva, 12 anos.



Atenção!
Se a escola insistir em levar essa história de leitura e produção textual a sério, corremos seriíssimo “risco” de termos, nos dias vindouros, jovens inconformados com a realidade. Algo mais grave: podem até querer mudá-la. Que perigo!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Convicção

Estou convicto de que, nem o egoísmo, nem a mentira, nem a inversão de valores nos dias hodiernos, nem a deturpação dos princípios rudimentares da criação, nem quaisquer outros fatos debaixo do sol poderão suplantar o brilho de Cristo.


Quando reduzir não é simplificar: reflexão sobre a reforma ortográfica

Prof. Dr. Luiz Carlos Schwindt
O Brasil se prepara para implementar uma reforma ortográfica, fruto de um acordo entre países de língua portuguesa. Nascido na década de 90 e revigorado nos últimos anos, o projeto prevê a unificação da escrita nos oito países que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Portugal, que se mostrava resistente nesta última fase, assinou recentemente o documento, sob acalorada discussão - já que a Reforma afeta de forma mais significativa a variedade lusitana do português do que a brasileira. Apesar disso, não se pode negar que ela tem importantes conseqüências também para os brasileiros.

Pode-se dizer que uma reforma ortográfica, em princípio, norteia-se por pelo menos dois objetivos: o de unificação e o de simplificação. Ainda que se possa criticar, por diversos ângulos, a validade da unificação oriunda da Reforma - seja porque ignora a variabilidade da língua falada, que tem inevitáveis reflexos na escrita, seja porque pode gerar um impacto econômico e político em certa medida desfavorável aos países envolvidos -, não há dúvida de que, oficialmente, com o Acordo, unificam-se as escritas. O aspecto, todavia, que quero problematizar brevemente aqui é a suposta simplificação. Essa questão - que toca diretamente aos lingüistas - foi banalizada, em meu entendimento, na construção desse projeto.

“Simplificar”, em Lingüística, quer dizer bem mais do que “diminuir”. O fato de se abolir um trema aqui, um acento ali não faz da língua escrita necessariamente mais simples. Quando se fala em linguagem, o termo “economia” precisa estar associado a “naturalidade”. Para entender com clareza essa idéia, basta pensarmos nas razões por que usamos um sistema alfabético. Esse sistema nasceu sob uma hipótese de pareamento entre sons e letras. Se tomarmos essa hipótese em isolado, podemos avaliar a eficácia de um sistema ortográfico na medida de sua aproximação com a língua falada. É claro que isso não é tão simples assim. Sabe-se que sistemas gráficos são de natureza estática, enquanto a língua falada é dinâmica, isto é, está sujeita a mudanças a qualquer tempo, independentemente de decisões provindas da boa ou da má vontade política de alguém. Todavia, essas naturezas distintas que individualizam fala e escrita, apesar de serem responsáveis pelo distanciamento entre elas, não afetam a natureza de sua relação, isto é, esses dois sistemas ensejam isomorfismo. Uma reforma – se necessária – deveria trabalhar na esfera dessa tensão.

Por limitações de espaço, vou tomar apenas dois aspectos do Acordo que podem exemplificar bem seu caráter pouco simplificador (para não dizer “complicador”): o fim do trema (lingüiça, que passa a linguiça) e a extinção do acento gráfico dos ditongos abertos em posição medial (retinóico, que passa a retinoico). Em relação ao trema, alguns poderiam dizer que há muito está em desuso em português. Não se considera, entretanto, que ele é responsável ainda por informar a um leitor aprendiz de português (o que vai desde um falante nativo se alfabetizando até um estrangeiro estudando nosso idioma) se o u é ou não pronunciado nas seqüências gu e qu seguidas de e ou i. Em relação aos ditongos abertos, a questão é ainda mais séria. A proposta falha por falta de uniformidade e por negligenciar o aspecto fonético. Perde uniformidade ao determinar a eliminação do acento nas paroxítonas mas sua manutenção em posição final. Assim, herói será acentuado, enquanto heróico não. Falha também por ignorar que o diacrítico em ditongos abertos traduz mais do que tonicidade – ele é, sobretudo para a variedade brasileira do idioma, também um indicativo de timbre, ou seja, as pessoas sabem, a partir dessas marcas, que a pronúncia de é e ó deve ser aberta. Nessa relação de complexificadores, poderíamos ainda citar alguns aspectos referentes às mudanças no uso do hífen e ao tratamento que será dado às palavras com consoantes não-pronunciadas.

Com esses argumentos, não quero imprimir uma postura anti-reformista de base; pelo contrário: entendo que reformas em sistemas estáticos são necessárias, muitas vezes, para acompanhar a evolução dos setores dinâmicos. O fato é que convivemos com um sistema gráfico muito complexo (em oposição, no que se refere à acentuação gráfica, por exemplo, à escrita do inglês). A questão primordial é, pois, atacar o problema, isto é, o único modo de se reduzir complexidade é com uma proposta de simplificação - que leve em conta economia e naturalidade. Isso não enxergo de pleno na reforma proposta.




* Departamento de Lingüística, Filosofia e Teoria Literária - Instituto de Letras





segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Arenga de criança

Coisa engraçada é arenga de criança. É de tirar a atenção.
Todas pulando aos gritos, felizes, à disputa de um balão.
A bem da verdade, elas o querem espocá-lo, ouvir o seu estouro.
Um dos balões, atracado à parede, quase falando, pensa:
“Eu não quero pertencer a essas crianças loucas, elas vão pisotear-me, estourar-me”.
Entre as crianças, há uma que quer todos os balões para si, e aí começa o choro:
Uma grita de lá:
– Eu quero esse aí, o rosinha!
Outra, sapateando forte, esperneia daqui:
– Ah, não! Este já é meu!
E o adulto, sem dar ouvidos ao que dizem os balões, entrega-lhos às crianças que os estouram, e fazem a festa.
De tudo, o que mais salta aos nossos olhos é que, no fim, tudo fica bem entre elas.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Pitanguinha, Nitinha e Toquinha

Um dia desses, Pitanguinha foi passar as férias na casa de Nitinha, sua tia.
Lá, mora uma linda e pequena priminha que atende por Toquinha.
Passados alguns dias, temendo sua prima ir embora, Toquinha disse a Nitinha:
– Mãe, quando é que Pitanguinha vai pra casa?
Nitinha respondeu:
– Amanhã, filha.
No dia seguinte, preocupada, Toquinha perguntou:
– Mãe, hoje já é amanhã?

domingo, 3 de agosto de 2008

O amor

O amor nasce,
o amor cresce,
o amor resiste,
o amor persiste.
O amor sente,
o amor é sentido,
o amor faz viver,
o amor é vivido.
O amor sonha,
o amor morre,
o amor renasce.
O amor...
É um mistério recôndito em Deus.

A verdade e o amor residem no âmago, no imo da alma. Ambos provêm do alto.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Empatia

Penetrar os olhos até o mar do interior do outro é a forma mais precisa de se navegar em suas emoções.

Palavras de Nelson Rodrigues

"Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos".

terça-feira, 29 de julho de 2008

Propósito

Nenhum de nós deveria passar por aqui inertemente, despercebido. Ao contrário, cada um deveria se esforçar ao máximo para aqui deixar a sua marca, vivendo de acordo com o fim para o qual foi criado.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Descoberta científica

A transição do estado de estar acordado para o de dormindo é tão sutil e misteriosa, de maneira que ninguém enquanto dorme diz:
Ah! Agora sei que realmente estou dormindo!

quarta-feira, 23 de julho de 2008

De Machado


Quem nunca se enganou ao falar alguma coisa ou de alguém?
Certa vez, dois estudantes acadêmicos conversavam enquanto esperavam que algumas cópias de apostilas ficassem prontas. De repente, um dos estudantes disse ao outro:
– Cara, comprei aquele livro que tu me indicou.
– Qual? Perguntou o outro.
– O primeiro pensou um pouco e exclamou:
– Um de Machado de Assis: o... João Casmurro!

Um vício


De todas as professoras que me deram aula, houve uma que muito me admirava com sua inteligência e zelo pela “correção”.
Além disso, provavelmente possui alguma relação lingüística com um dos maiores técnicos de futebol do Brasil, visto que, após cada frase que ela dizia, perguntava:
Tá certo gente? Tá certo?

terça-feira, 22 de julho de 2008

Noite de Paz


Estou aqui, sentado à mesa, de lápis à mão.
Onde estão as pessoas?
Não ouço rumor de gente alguma.
Só o tiquetaque do ponteiro do relógio que vai travando sobre cada ponto.
O burburinho de uma novela emitido pela televisão.
Saio à porta e sinto a brisa noturna que traz com ela a mudez da rua, deserta.
Do cume da ladeira soa um longínquo barulho agradável: a igreja de Deus o adora.



segunda-feira, 14 de julho de 2008

A Criação


Senão Deus,
Quem haveria de criar os céus, a terra e toda a sua indescritível beleza e complexidade?
O big-bang?
Balela.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

A noite


Cerram-se as pálpebras do dia.
Ela entra toda elegante, desejada, de quando em vez, juncada de estrelas.
Para uns, sombria, entenebrecida, obumbrada, entrevada.
Troca-se o luminar que a separa e a distingue do dia.
Convenciona-se que a maioria das gentes durma. Sim, a maioria. Não todas.
Algumas assistem à televisão até Altas horas, Jô Soares, O aprendiz...
Outras estudam; Outras ainda velam, vigiam: nas escolas, prontos-socorros, empresas, nas igrejas.
Há quem associe a noite à morte, sangue, vampiros., gentes ignorantes, de entendimento obscurecido.
Umas se envolvem horrendamente com suas trevas, desaproveitam-na, embriagam-se, dão com os burros n’água.
Dizem que ela é uma criança. Sinceramente, tenho minhas suspeitas.
Mas, uma coisa é clara: é escura.

domingo, 15 de junho de 2008

Tem gente e gente


Tem gente que transluz ser dormente.
Gente inocente,
Às vezes, até doente.
Gente morrente.
Outra, displicente mesmo.
Gente que pisa no pé da gente...
E parece que não sente.
Gente indecente.
Todavia, há gente que sensivelmente sente a gente e...
E se faz parente
Gente da gente.
Sorridente...
De alma contente...
Gente vivente.

domingo, 1 de junho de 2008

Dá-me lágrimas!


Dá-me lágrimas!
Careço de lágrimas!
Que banhem minha alma,
Que corram pela minha face,
Que não sirvam de disfarce.
Lágrimas sinceras,
De arrependimento, deveras.
Que preparem o deserto
E cultivem a terra semi-árida do meu coração.
Que causem mudanças
E destruam o joio e os daninhos dessa abundante plantação.
Até que venha a colheita
E a Tua vontade seja feita,
E não haja pesar em Te obedecer
Mas tão-somente o desejo
Ardente e incontível de Te querer,
De Te abraçar, de Te beijar,
De Te servir e de Te ter.
Careço de Tuas lágrimas! Ó Senhor!
Dá-me lágrimas!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

O professor

Mitos e crenças circundam essa majestosa profissão, de sorte que, às vezes, até se esquece de que se trata de uma profissão. Fala-se em dom, talento, missão, vocação. Quando se pensa em inerência do ser humano, nenhum desses elementos é descartável. Todavia, deve-se ponderar a formação profissional do indivíduo, adquirida mediante cursos universitários, técnicos, estágios, etc.
Tendo em vista a responsabilidade, declarar-se professor requer coragem. O professor tem a incumbência de, mais do que transmitir conteúdos, formar cidadãos capazes de lutar por direitos, visando à melhoria da sociedade na qual estão inseridos.
Vasconcellos é preciso ao dizer que ser professor é ter consciência de que aquilo que é construído em sala de aula não se trata de mero conteúdo desvinculado da vida, do meio, visto que, o mesmo considera, sábia e felizmente, que o genuíno professor, além de fazer “memória ao passado, recordar os sonhos, as utopias, as tradições... a cultura”, está atento ao presente, isto é, vive a história sendo construída, o tempo, a sociedade à qual pertence, objetivando concretamente o porvir.
O autor é ainda comedido e categórico ao asserir que, “o pressuposto fundamental de qualquer trabalho educacional é acreditar que as coisas podem mudar”. Nós professores, não podemos, de forma alguma, aceitar o discurso pragmático-neoliberal-fatalista que diz: o que fazer? A realidade é assim mesmo. A realidade não é inexorável. O mundo não é, está sendo. Não devemos começar qualquer projeto de educação desesperançosos, pois a realidade educacional pode ser precária, mas, em hipótese alguma, determinismo.
Enfim, conformarmo-nos com a ideologia neoliberal é uma absurdeza. Não podemos passar pelo mundo de forma inerte, neutra. Faz-se necessária a inconformação. A esperança deve ser imanente a nós professores. A busca pela melhora educacional e, por conseguinte, social, algo natural, segundo Vasconcellos, não-exigente. De outra forma, não buscá-la, para o autor, é morrer.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Quotidiano brasileiro

Ferem-nos o peito.
Rasgam-nos o coração:
O esfacelo da família do alcoólatra;
A degradação pouco a pouco dos órgãos do viciado;
Os intoleráveis peculatos e politicagens no plano alto;
São como arames sangrando nossas carnes;
Gememos por dentro,
Ao ver cotidianamente as crudelíssimas abreviações de Isabellas;
As tristezas impressas nos olhos dos meninos do semáforo;
O repúdio oferecido aos ex-presidiários;
Apunhalam-nos a alma!

quinta-feira, 24 de abril de 2008

As línguas são multiformes


A concretização da idéia de uma língua uniforme é uma utopia. Primeiro porque existem fatores, tanto internos quanto externos, que condicionam a variedade lingüística. E segundo porque, as variações lingüísticas existentes, não são fatos casuais, muito menos intencionais, ou seja, não se trata de que alguém, em algum lugar, um dia estabeleceu um decreto determinando: “a partir de hoje, as línguas sofrerão variações”. Ao contrário de tudo isso, existem elementos regentes que dão espaço à multiplicidade lingüística.
Freqüentemente, os elementos externos à língua que implicam a multiformidade lingüística, estão relacionados à região geográfica, classe, sexo, etnia, profissão, idade, etc. Por exemplo: um médico jamais falará como um matuto. Outro exemplo: Os termos e sotaques regionais utilizados na fala de um acreano (que é o meu caso) são completamente diferentes dos de um nordestino.
Já os fatores internos que produzem diferenças na fala de pessoas, estão muito mais ligados à gramática interior da língua. O que é isto? É exatamente a condição que a própria gramática nos concede de pronunciarmos determinadas palavras de formas variadas. Isto é, é comum ouvirmos aqui no Acre, mais especificamente em Rio Branco, palavras como faxa, baxo, quexo, ao invés de faixa, baixo e queixo. Isso reafirma com propriedade e respaldo a idéia de multiformidade da língua.
Finalmente, a multiplicidade lingüística é fruto da variedade social. Isso nos faz compreender que para afirmarmos, defendermos ou idealizarmos a existência de uma língua uniforme, precisamos pensar em uma sociedade também uniformizada, porque a variedade social reflete na língua, e para existir uma sociedade uniforme, seria necessário que se discutissem nas escolas diversos valores como culturais, profissionais, sociais, etc. Somente assim seria possível mudar a visão do ensino de língua portuguesa nas instituições escolares.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Repensando a pedagogia


No decorrer da história, assim como em todas as ciências, significantes transformações ocorreram no campo da pedagogia. Tendo origem correspondente a movimentos sociais e filosóficos, essas mudanças, relacionadas a um determinado período da história, foram definidas como tendências pedagógicas.
Libâneo (1994) as classificou em dois grupos: liberais e progressistas. Dessa forma, passamos pela pedagogia liberal, tendência liberal tradicional, liberal renovada progressista, liberal renovada não-diretiva, liberal tecnicista, pedagogia progressista, progressista libertadora, progressista libertária, até chegarmos à tendência progressista histórico-crítica.
Em 1996, sancionou-se a lei 9394 – de diretrizes e bases da educação nacional –. Esta, comparada à anterior, trouxe diversas mudanças e acréscimos imprescindíveis, dentre os quais estão: a participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; o envolvimento das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou congêneres; igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; respeito à liberdade e apreço à tolerância; pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e formação dos especialistas da educação em curso superior de pedagogia ou pós-graduação.
A despeito dos avanços, mudanças e acréscimos pedagógicos supracitados, ainda há muito que melhorar na educação. O Brasil está entre os países com maior índice de deficiências educacionais.
Segundo o Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade em 28/03/08, catorze milhões de crianças estão fora da escola.
De acordo com Marcos Bagno, em seu livro, Preconceito Lingüístico, há no Brasil, sessenta milhões – população igual à da França – de analfabetos plenos e funcionais.
Uma das causas mais visíveis responsáveis por esses números, mais precisamente os de analfabetismos funcionais – exemplo simplista: alguém que consegue decodificar as palavras de um texto, mas não o entende em sua totalidade – é a forma como os conteúdos são desenvolvidos nas escolas.
As aulas de língua portuguesa são, no geral, mera transmissão de um amontoado de regras descontextualizadas e inassimiláveis, em que o professor tem o aluno como depósito de seus conhecimentos, como um ser passivo, que não pensa, não lê e, por isso, não tem opinião. Aulas em que o docente desrespeita ou desconsidera totalmente o conhecimento de mundo do educando.
A isso se deve o fato de muitas pessoas dizerem: “eu odeio português”, pois as aulas são, com todo respeito, uma chatice.
Hoje, ao sair da sala em que assisti à última aula do meu estágio, conversei com dois amigos de escola. Eles perguntaram o que eu estava cursando. Quando respondi, um deles disse: “pro cara fazer letras o cara tem que ser forte”. E o outro exclamou: “eu nunca gostei de português”!
Aí está o nítido produto de uma pedagogia tradicional. Como disse Paulo Freire: “ensinar não é transferir conhecimento”. Não se pode ignorar a curiosidade que o discente tem, ainda que esta seja ingênua. Ao contrário disso, devo instigá-la, para que, saindo do território da ingenuidade, passe para o epistemológico.
Não se pode prescindir de salutar que conhecimento não se transmite, constrói-se. A função do mediador, como o próprio nome sugere, é mediar entre os conteúdos e o discente, isto é, proporcionar a construção daquele conhecimento.
Ainda neste estágio, estavam alguns professores e eu na sala para professores. De repente, uma aluna, de aproximadamente doze anos de idade, chegou-se à porta chorando desesperadamente “aos pés” de um “professor”, suplicando-lhe que recebesse seu trabalho no dia seguinte, pois ela o havia esquecido. O professor, grosseira e estupidamente, gritou com a aluna dizendo: “se você não trouxer esse trabalho amanhã, você vai ver se eu ainda vou receber”! Esse fato me remoeu os nervos. Isso, nem de longe, é ser professor. A meu ver, nada justifica tamanha desnaturalidade. Ensinar demanda rigorosidade metódica sim, bem como, tolerância, humildade, humanidade e sensibilidade. Freire escreveu: "me movo como educador porque, primeiro, me movo como gente”.
Por fim, precisamos planejar aulas mais interativas, menos exaustivas. Aulas em que nós professores ensinemos menos, e os nossos alunos aprendam mais.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Crianças

Elas são simplesmente maravilhosas, doces, lindas!Crianças. Quão inócuas são!Oxalá que os adultos as tenham pelo menos por um dia como inspiração!Não é à revelia que o manual, divinamente inspirado por Deus nos instrui:Sejam como crianças quanto à malícia!Crianças. Que doçuras!Elas transpiram e exalam uma alegria inesgotável e hermética;Sim.Batem-se, arranham-se, choram e até gritam;Mas carregam constantemente consigo um deliberativo e inexplicável perdão,Quase que extinto entre os “grandes”;O que torna infundados, quaisquer argumentos de natureza perniciosa a respeito delas;Amados e amigos leitores, inspiremo-nos, observemos e aprendamos com elas,Que transformam rios de tristeza, em autênticos mares de alegria!Crianças, abençoadas crianças.

Ah! Dias efêmeros! Que saudades de vocês!

Ah! Dias efêmeros!
Que saudades de vocês!
Lembro-me das vezes que chorei
Agarrado à saia da mamãe
Insistindo que me levasse com ela;
Das impetuosas chuvas de inverno;
Daquela noite em que a luz apagou
e a mamãe teve de ir comprar vela;
Ah! Naquele dia eu quase morri afogado
no quintal alagado da vovó!
Ah! Dias efêmeros!
Que saudades de vocês!
Dos embalos nos balanços do parque do colégio, só restaram velhas correntes enferrujadas e pedaços de tábuas estragadas;
Dos giros no carrossel, somente memórias ofuscadas, que remetem à aprazível tontura que sentia;
Das partidas de peteca, além das rasas amizades, e para ser sincero e verdadeiro, às vezes, das inimizades, coisas de criança,

Ficaram quase nenhumas abstratas reminiscências que alguma vez emergem súbita e repentinamente em minha rica consciência tranqüila!
Ah! Dias efêmeros!
Que saudades de vocês!




terça-feira, 1 de abril de 2008

Madrugada

São quase duas...
E aqui estou,

Cansado e insone do dia anterior;
Olhos ardidos,
Pálpebras pesadas,
À espera do sono tranqüilo,
Que se foi sem dizer nada;
Ou quem sabe, da beleza, da lindeza do amanhecer:
Do cantar dos pássaros; do raiar do sol;
Das nuvens esmaecidas, que embrulham sutilmente,
a morada do meu Deus.
Ah! Sei lá! Estudar?
Só amanhã! Pois, exausto hoje estou,
Meu espírito quer é Deus;
Mergulhar em seu amor,
Que mais forte que o cansaço,
Mais suave que meus braços,
Lança fora toda a dor;
Todo o medo;
Toda insônia,
Toda mágoa,
Tudo...