quinta-feira, 15 de maio de 2008

O professor

Mitos e crenças circundam essa majestosa profissão, de sorte que, às vezes, até se esquece de que se trata de uma profissão. Fala-se em dom, talento, missão, vocação. Quando se pensa em inerência do ser humano, nenhum desses elementos é descartável. Todavia, deve-se ponderar a formação profissional do indivíduo, adquirida mediante cursos universitários, técnicos, estágios, etc.
Tendo em vista a responsabilidade, declarar-se professor requer coragem. O professor tem a incumbência de, mais do que transmitir conteúdos, formar cidadãos capazes de lutar por direitos, visando à melhoria da sociedade na qual estão inseridos.
Vasconcellos é preciso ao dizer que ser professor é ter consciência de que aquilo que é construído em sala de aula não se trata de mero conteúdo desvinculado da vida, do meio, visto que, o mesmo considera, sábia e felizmente, que o genuíno professor, além de fazer “memória ao passado, recordar os sonhos, as utopias, as tradições... a cultura”, está atento ao presente, isto é, vive a história sendo construída, o tempo, a sociedade à qual pertence, objetivando concretamente o porvir.
O autor é ainda comedido e categórico ao asserir que, “o pressuposto fundamental de qualquer trabalho educacional é acreditar que as coisas podem mudar”. Nós professores, não podemos, de forma alguma, aceitar o discurso pragmático-neoliberal-fatalista que diz: o que fazer? A realidade é assim mesmo. A realidade não é inexorável. O mundo não é, está sendo. Não devemos começar qualquer projeto de educação desesperançosos, pois a realidade educacional pode ser precária, mas, em hipótese alguma, determinismo.
Enfim, conformarmo-nos com a ideologia neoliberal é uma absurdeza. Não podemos passar pelo mundo de forma inerte, neutra. Faz-se necessária a inconformação. A esperança deve ser imanente a nós professores. A busca pela melhora educacional e, por conseguinte, social, algo natural, segundo Vasconcellos, não-exigente. De outra forma, não buscá-la, para o autor, é morrer.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Quotidiano brasileiro

Ferem-nos o peito.
Rasgam-nos o coração:
O esfacelo da família do alcoólatra;
A degradação pouco a pouco dos órgãos do viciado;
Os intoleráveis peculatos e politicagens no plano alto;
São como arames sangrando nossas carnes;
Gememos por dentro,
Ao ver cotidianamente as crudelíssimas abreviações de Isabellas;
As tristezas impressas nos olhos dos meninos do semáforo;
O repúdio oferecido aos ex-presidiários;
Apunhalam-nos a alma!