quinta-feira, 26 de junho de 2008

A noite


Cerram-se as pálpebras do dia.
Ela entra toda elegante, desejada, de quando em vez, juncada de estrelas.
Para uns, sombria, entenebrecida, obumbrada, entrevada.
Troca-se o luminar que a separa e a distingue do dia.
Convenciona-se que a maioria das gentes durma. Sim, a maioria. Não todas.
Algumas assistem à televisão até Altas horas, Jô Soares, O aprendiz...
Outras estudam; Outras ainda velam, vigiam: nas escolas, prontos-socorros, empresas, nas igrejas.
Há quem associe a noite à morte, sangue, vampiros., gentes ignorantes, de entendimento obscurecido.
Umas se envolvem horrendamente com suas trevas, desaproveitam-na, embriagam-se, dão com os burros n’água.
Dizem que ela é uma criança. Sinceramente, tenho minhas suspeitas.
Mas, uma coisa é clara: é escura.

domingo, 15 de junho de 2008

Tem gente e gente


Tem gente que transluz ser dormente.
Gente inocente,
Às vezes, até doente.
Gente morrente.
Outra, displicente mesmo.
Gente que pisa no pé da gente...
E parece que não sente.
Gente indecente.
Todavia, há gente que sensivelmente sente a gente e...
E se faz parente
Gente da gente.
Sorridente...
De alma contente...
Gente vivente.

domingo, 1 de junho de 2008

Dá-me lágrimas!


Dá-me lágrimas!
Careço de lágrimas!
Que banhem minha alma,
Que corram pela minha face,
Que não sirvam de disfarce.
Lágrimas sinceras,
De arrependimento, deveras.
Que preparem o deserto
E cultivem a terra semi-árida do meu coração.
Que causem mudanças
E destruam o joio e os daninhos dessa abundante plantação.
Até que venha a colheita
E a Tua vontade seja feita,
E não haja pesar em Te obedecer
Mas tão-somente o desejo
Ardente e incontível de Te querer,
De Te abraçar, de Te beijar,
De Te servir e de Te ter.
Careço de Tuas lágrimas! Ó Senhor!
Dá-me lágrimas!