sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Convicção

Estou convicto de que, nem o egoísmo, nem a mentira, nem a inversão de valores nos dias hodiernos, nem a deturpação dos princípios rudimentares da criação, nem quaisquer outros fatos debaixo do sol poderão suplantar o brilho de Cristo.


Quando reduzir não é simplificar: reflexão sobre a reforma ortográfica

Prof. Dr. Luiz Carlos Schwindt
O Brasil se prepara para implementar uma reforma ortográfica, fruto de um acordo entre países de língua portuguesa. Nascido na década de 90 e revigorado nos últimos anos, o projeto prevê a unificação da escrita nos oito países que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Portugal, que se mostrava resistente nesta última fase, assinou recentemente o documento, sob acalorada discussão - já que a Reforma afeta de forma mais significativa a variedade lusitana do português do que a brasileira. Apesar disso, não se pode negar que ela tem importantes conseqüências também para os brasileiros.

Pode-se dizer que uma reforma ortográfica, em princípio, norteia-se por pelo menos dois objetivos: o de unificação e o de simplificação. Ainda que se possa criticar, por diversos ângulos, a validade da unificação oriunda da Reforma - seja porque ignora a variabilidade da língua falada, que tem inevitáveis reflexos na escrita, seja porque pode gerar um impacto econômico e político em certa medida desfavorável aos países envolvidos -, não há dúvida de que, oficialmente, com o Acordo, unificam-se as escritas. O aspecto, todavia, que quero problematizar brevemente aqui é a suposta simplificação. Essa questão - que toca diretamente aos lingüistas - foi banalizada, em meu entendimento, na construção desse projeto.

“Simplificar”, em Lingüística, quer dizer bem mais do que “diminuir”. O fato de se abolir um trema aqui, um acento ali não faz da língua escrita necessariamente mais simples. Quando se fala em linguagem, o termo “economia” precisa estar associado a “naturalidade”. Para entender com clareza essa idéia, basta pensarmos nas razões por que usamos um sistema alfabético. Esse sistema nasceu sob uma hipótese de pareamento entre sons e letras. Se tomarmos essa hipótese em isolado, podemos avaliar a eficácia de um sistema ortográfico na medida de sua aproximação com a língua falada. É claro que isso não é tão simples assim. Sabe-se que sistemas gráficos são de natureza estática, enquanto a língua falada é dinâmica, isto é, está sujeita a mudanças a qualquer tempo, independentemente de decisões provindas da boa ou da má vontade política de alguém. Todavia, essas naturezas distintas que individualizam fala e escrita, apesar de serem responsáveis pelo distanciamento entre elas, não afetam a natureza de sua relação, isto é, esses dois sistemas ensejam isomorfismo. Uma reforma – se necessária – deveria trabalhar na esfera dessa tensão.

Por limitações de espaço, vou tomar apenas dois aspectos do Acordo que podem exemplificar bem seu caráter pouco simplificador (para não dizer “complicador”): o fim do trema (lingüiça, que passa a linguiça) e a extinção do acento gráfico dos ditongos abertos em posição medial (retinóico, que passa a retinoico). Em relação ao trema, alguns poderiam dizer que há muito está em desuso em português. Não se considera, entretanto, que ele é responsável ainda por informar a um leitor aprendiz de português (o que vai desde um falante nativo se alfabetizando até um estrangeiro estudando nosso idioma) se o u é ou não pronunciado nas seqüências gu e qu seguidas de e ou i. Em relação aos ditongos abertos, a questão é ainda mais séria. A proposta falha por falta de uniformidade e por negligenciar o aspecto fonético. Perde uniformidade ao determinar a eliminação do acento nas paroxítonas mas sua manutenção em posição final. Assim, herói será acentuado, enquanto heróico não. Falha também por ignorar que o diacrítico em ditongos abertos traduz mais do que tonicidade – ele é, sobretudo para a variedade brasileira do idioma, também um indicativo de timbre, ou seja, as pessoas sabem, a partir dessas marcas, que a pronúncia de é e ó deve ser aberta. Nessa relação de complexificadores, poderíamos ainda citar alguns aspectos referentes às mudanças no uso do hífen e ao tratamento que será dado às palavras com consoantes não-pronunciadas.

Com esses argumentos, não quero imprimir uma postura anti-reformista de base; pelo contrário: entendo que reformas em sistemas estáticos são necessárias, muitas vezes, para acompanhar a evolução dos setores dinâmicos. O fato é que convivemos com um sistema gráfico muito complexo (em oposição, no que se refere à acentuação gráfica, por exemplo, à escrita do inglês). A questão primordial é, pois, atacar o problema, isto é, o único modo de se reduzir complexidade é com uma proposta de simplificação - que leve em conta economia e naturalidade. Isso não enxergo de pleno na reforma proposta.




* Departamento de Lingüística, Filosofia e Teoria Literária - Instituto de Letras





segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Arenga de criança

Coisa engraçada é arenga de criança. É de tirar a atenção.
Todas pulando aos gritos, felizes, à disputa de um balão.
A bem da verdade, elas o querem espocá-lo, ouvir o seu estouro.
Um dos balões, atracado à parede, quase falando, pensa:
“Eu não quero pertencer a essas crianças loucas, elas vão pisotear-me, estourar-me”.
Entre as crianças, há uma que quer todos os balões para si, e aí começa o choro:
Uma grita de lá:
– Eu quero esse aí, o rosinha!
Outra, sapateando forte, esperneia daqui:
– Ah, não! Este já é meu!
E o adulto, sem dar ouvidos ao que dizem os balões, entrega-lhos às crianças que os estouram, e fazem a festa.
De tudo, o que mais salta aos nossos olhos é que, no fim, tudo fica bem entre elas.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Pitanguinha, Nitinha e Toquinha

Um dia desses, Pitanguinha foi passar as férias na casa de Nitinha, sua tia.
Lá, mora uma linda e pequena priminha que atende por Toquinha.
Passados alguns dias, temendo sua prima ir embora, Toquinha disse a Nitinha:
– Mãe, quando é que Pitanguinha vai pra casa?
Nitinha respondeu:
– Amanhã, filha.
No dia seguinte, preocupada, Toquinha perguntou:
– Mãe, hoje já é amanhã?

domingo, 3 de agosto de 2008

O amor

O amor nasce,
o amor cresce,
o amor resiste,
o amor persiste.
O amor sente,
o amor é sentido,
o amor faz viver,
o amor é vivido.
O amor sonha,
o amor morre,
o amor renasce.
O amor...
É um mistério recôndito em Deus.

A verdade e o amor residem no âmago, no imo da alma. Ambos provêm do alto.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Empatia

Penetrar os olhos até o mar do interior do outro é a forma mais precisa de se navegar em suas emoções.

Palavras de Nelson Rodrigues

"Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos".