sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Milagres do Photoshop

Milagre: ato ou acontecimento fora do comum, inexplicável pelas leis naturais. (Dicionário Eletrônico Houaiss)
Uma verdade indubitável: as aparências enganam mesmo!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Equilíbrio político


Na minha tola juventude universitária, acreditei na pureza ideológica do Partido dos Trabalhadores, época em que o Lulalá discursou em um palanque diante da Candelária, Rio de Janeiro. Seu vice era Bisol, do PSB. Criticávamos todos e tudo, tínhamos soluções para tudo. Tudo.
Sempre votei no PT, ainda sou petista não para adular, para obter algo ou para participar do Bloco Carnavalesco dos GTs, mas para manter esta desconfortável contradição: elogio e crítica.
No Acre, até aonde a informação chegou, os grupos de trabalho pegaram muito mal. Muito. Violaram o correto, o justo. Bloguista, leia com atenção o que Élisson Miessa dos Santos, procurador do Trabalho, declarou. "As contratações dos GTs são feitas como se o Estado fosse uma verdadeira empresa, porque os trabalhadores ficam sabendo das vagas de trabalho por meio de colegas ou de familiares e, em seguida, levam seus currículos nas secretarias, que os convidam para uma entrevista e depois são contratados". Deixei um pouco de lado, um pouco, aquele tolo ideológico diante da Candelária, ainda votarei no PT acriano, mas mantendo minha lucidez, qual seja: o PT é impuro.
Bom saber que ele é feito por mortais, ou seja, ideais também morrem como morre a autocrítica. Criticávamos tudo e todos. O silêncio, hoje, nos alicia. O poder é uma questão de conveniências ou de GTs.

Escrito pelo professor Aldo Nascimento

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A imprensa e o Acordo Ortográfico

Em 2008 e começos de 2009, um dos grandes temas da imprensa brasileira foi a questão ortográfica decorrente do Acordo assinado pelos países de língua oficial portuguesa em 1990, cujas disposições passaram a vigorar, no Brasil, a partir de 1º de janeiro de 2009, com prazo de quatro anos para sua definitiva implantação (para mais informações sobre o Acordo, consulte nossos dois artigos anteriores – “Mudanças ortográficas” e “Nova ortografia”).
De início, achei que seria um tema que não daria muito trabalho aos jornalistas e que a população seria adequadamente informada. Redondo engano. A cobertura da imprensa foi, em geral, desastrosa, deixando um saldo de desinformação, insegurança e confusão.
Como sou membro da Comissão Brasileira do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, órgão da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, fui entrevistado por dezenas de jornalistas de várias partes do país. Fiquei espantado com o desconhecimento desses profissionais sobre o tema e com suas dificuldades para compreendê-lo e bem tratá-lo jornalisticamente. Confesso que me perguntei muitas vezes se vale a pena ler jornais e revistas. Será que todos os temas são mal tratados e maltratados como tem sido a questão ortográfica?Selecionei, para esta coluna, algumas impropriedades, imprecisões e incorreções que têm sido comuns nas matérias da imprensa sobre o Acordo Ortográfico. Sou meio obsessivo com a informação precisa e com o trato qualificado (e, por que não dizer, ético) de qualquer tema.
O professor Adilson Alves, que publica, às segundas-feiras uma coluna muito arejada sobre questões de língua portuguesa no jornal Gazeta do Povo (Curitiba), disse, com toda razão, em seu artigo do dia 5 de janeiro último, que a língua é de todos, mas que, “se prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, qualificar o debate sobre nossa língua também não causará dano algum”. Os comentários que faço abaixo têm o exclusivo objetivo de contribuir para qualificar um pouco o debate.
1. A unificação ortográfica (objetivo do Acordo) foi, muitas vezes, confundida com uma pretensa ‘unificação da língua’. Chegou-se a acusar o Acordo de ineficaz (e até de inútil) porque o léxico e a pronúncia continuariam diferentes nos diversos espaços em que a língua é falada. Ora, em nenhum momento o Acordo teve como objetivo mais do que resolver a duplicidade de ortografias (a lusitana e a brasileira), fato esdrúxulo que nos vinha perturbando há quase um século.
Unificar a língua (como alguns jornalistas imaginaram que estaria em pauta) não é nem desejável, nem possível: a língua expressa a experiência histórica e cultural das populações que a falam. Como estas experiências são necessariamente diferentes, a língua terá também características próprias em cada um dos seus espaços. Essa diversidade constitui um patrimônio inestimável. Nunca um problema.
Quando se discute matéria linguística, um princípio básico é jamais confundir fatos de língua com fatos de sua representação gráfica. São duas realidades diversas, com características e dinâmicas próprias.
2. A unificação ortográfica foi transformada em “reforma ortográfica”. O Acordo de 1990 não propôs uma “reforma” da ortografia. Ou seja, em nenhum momento se mexeu nas linhas mestras do sistema ortográfico. O que o Acordo estabeleceu foram pequenas mudanças (todas marginais, nenhuma nuclear) para garantir o fim da duplicidade ortográfica.
No fundo, a ortografia portuguesa passou apenas por uma reforma – quando se adotou a ortografia simplificada no início do século XX. Naquela ocasião, os fundamentos do sistema foram alterados. Daí para frente o que ocorreu foram apenas sucessivas tentativas de unificação (todas, diga-se de passagem, frustradas pelo não cumprimento pelo Brasil daquilo que acordava com Portugal). 3. Raramente se teve o entendimento da dimensão política da unificação ortográfica. O Acordo foi uma medida de política linguística – a primeira definida em conjunto por todos os países que têm a língua portuguesa como oficial. Buscou-se com ele superar um conflito no interior da lusofonia com vistas a assentar bases para um esforço coletivo de promoção da língua seja no interior da Comunidade (há muito o que fazer aí em termos educacionais e culturais), seja além-fronteiras. O português, com aproximadamente 220 milhões de falantes, é hoje a terceira língua europeia mais falada no mundo (perde apenas para o inglês e o espanhol). No entanto, por embaraços como a duplicidade de ortografias, não tem conseguido uma projeção internacional equivalente a seu peso demográfico e à sua distribuição geográfica.
4. Em geral, não se situou historicamente nem o Acordo em si, nem a questão ortográfica. Por perder a história, a imprensa não foi capaz de apresentar adequadamente o sentido do Acordo e não poucas vezes deu a impressão de que ele não passava de invencionice de filólogos ociosos.
5. Deu-se uma medida exageradamente desproporcional ao tamanho das mudanças. As mudanças são poucas e alcançam apenas margens do sistema ortográfico. Nada de substancial se alterou. No entanto, como as mudanças unificadoras foram apresentadas como uma (grande) “reforma” ortográfica, perdeu-se de vista a real dimensão de seus (diminutos) efeitos materiais.
6. Exagerou-se o custo da aprendizagem das mudanças. De novo, como a unificação foi apresentada como uma (grande) “reforma” ortográfica, ficou no ar a impressão para muitos leitores dos jornais e revistas (conforme se pôde perceber pelas cartas enviadas para as colunas do leitor) de que as pessoas teriam de passar por um novo processo de alfabetização, como se no dia 1º de janeiro de 2009 todos acordássemos analfabetos.
Um jornalista me perguntou quanto tempo uma pessoa precisaria para dominar as mudanças. Quando lhe disse que bastariam uns quinze minutos, ele ficou espantadíssimo e insistiu: “Quinze minutos por dia? Por quanto tempo?” Foi difícil convencê-lo de que bastavam quinze minutos no total.
7. Superdimensionaram-se os efeitos econômicos. Muitos pensaram que a implantação do Acordo demandaria a substituição de todo o acervo bibliográfico dos oito países. Sairíamos por aí a queimar livros e a destruir bibliotecas e isso, claro, seria um gasto absurdo. No entanto, nada disso prevê o Acordo (nem poderia). Aliás, nem quando foi adotada a ortografia simplificada isso ocorreu e ainda hoje encontramos livros publicados nas caóticas ortografias anteriores a ela em nossas bibliotecas. São livros que podem exigir um esforço de leitura para quem não foi alfabetizado naquelas ortografias. Mas são, em geral, legíveis e não foi preciso queimar nenhum livro.
A ortografia unificada obviamente só pode valer para novas publicações. Para evitar gastos desnecessários é que se estabeleceu o prazo de quatro anos para sua definitiva implantação. Livros em primeira edição sairão na ortografia unificada (nenhum gasto aqui além do custo básico de uma edição). Livros em segunda ou sucessiva edição poderão ser publicados ainda por quatro anos na ortografia anterior (não haverá necessidade alguma de substituir matrizes).
Outros afirmaram que teríamos de jogar no lixo todos os nossos dicionários e comprar novos. Um exagero, sem dúvida. Minha edição do Caldas Aulete é anterior à lei que aboliu o circunflexo diferencial. Nem por isso eu o joguei, à época, no lixo. Continua tão útil quanto há quarenta anos. Desta vez, basta ter uma listinha com os acentos que desaparecem e com as novas regras do hífen em palavras compostas com prefixos (veja, neste mesmo site, meu artigo “Nova ortografia”). Talvez uma brochura de umas poucas páginas. No máximo, o novo Vocabulário Ortográfico a ser publicado em fevereiro. Eu, aliás, sugeri na Comissão da Língua Portuguesa que houvesse uma edição simplificada do Vocabulário Ortográfico contendo apenas as poucas palavras que terão nova forma gráfica em decorrência do Acordo. Um livreto de umas dez páginas. Coisa para dois reais, se tanto. Minha proposta não foi encampada. Mas acho que um editor com olho no mercado saberá tirar proveito dela.
Quanto aos livros didáticos (a produção editorial quantitativamente mais expressiva no Brasil), nada vai além dos custos normais de edição. Só os livros a serem distribuídos a partir de 2010 deverão ser publicados na ortografia unificada. Os distribuídos em 2009 e em anos anteriores serão utilizados, sem qualquer problema, durante o período de três anos como é de praxe no Programa Nacional do Livro Didático.
Um jornalista me disse que as escolas estão exigindo que seus alunos tenham, já em 2009, dicionários na ortografia unificada. Se isso é verdade, é, sem dúvida, um despropósito. De um lado, porque as duas ortografias estarão em vigor durante os próximos quatro anos. De outro lado, porque ter um dicionário na ortografia antiga não inviabiliza sua utilização e, mais, pode ser um instrumento pedagógico excelente para apresentar as mudanças (que, insisto,são poucas).Há quem ache que isso causará confusão na cabeça das nossas crianças e adolescentes. Prefiro apostar na inteligência de nossas crianças e adolescentes. Estou completando, em março próximo, quarenta anos de magistério. Sempre apostei na inteligência dos meus alunos e nunca me arrependi.
Por fim, os corretores automáticos de nossos computadores começam a ser substituídos gratuitamente. Por ora, basta umas pequenas operações para evitar que eles corrijam o que não mais precisa ser corrigido.
Nesta questão toda, não vi ninguém avaliar os custos da existência de duas ortografias. Um mesmo livro, para poder circular em todo o espaço lusófono, precisava ter duas edições diferentes. Ninguém calculou o que custou, por exemplo, adaptar o Dicionário Houaiss à ortografia lusitana para que ele pudesse circular em Portugal. Ou, o custo das duas ortografias nos organismos internacionais em que o português é língua oficial: para a preparação de qualquer documento, tinha de haver duas equipes, uma para a ortografia lusitana, outra para a brasileira. Não é à-toa que a ONU, por exemplo, não tenha nunca tido interesse em oficializar o português.
8. Raramente se destacaram os aspectos positivos da unificação. Primeiro, o alcance político de um processo que levou um século para se materializar. E, do ponto de vista estritamente ortográfico, o descarte de regras pouco genéricas (o que sobrecarregava o sistema com acentos inúteis) e uma certa racionalização do uso do hífen nos compostos com prefixos,com a adoção de regras mais gerais. Neste aspecto específico, não alcançamos o melhor dos mundos (um uso totalmente racional do hífen), mas melhoramos bastante.9.Três observações:
a) A imprensa deu grande (e desmedido) destaque à “incorporação” das letras k, w, y ao alfabeto. Em geral, foi o item que apareceu sempre em primeiro lugar na lista das mudanças. Houve até quem me perguntasse – revelando total desconhecimento da história dessas letras e do disposto no Formulário Ortográfico de 1943 e no texto do Acordo – se não estaríamos nos rendendo de vez ao inglês... Acredito que os comentários que fiz no artigo “As letras k, w, y”, neste mesmo site, são suficientes para esclarecer a questão;
b) A imprensa sugeriu, algumas vezes, que o fato de o Acordo ter mantido as duas possibilidades de acentuar palavras como económico/econômico, colónia/colônia, etc. (respeitando o timbre aberto mais comum em Portugal e o timbre fechado mais comum no Brasil) significaria que o português continuaria a ter duas ortografias. A interpretação é incorreta. A ortografia unificada admite, nestes casos, duas formas gráficas para a mesma palavra (o que já ocorre em alguns casos) – qualquer uma delas será possível em todo o espaço lusófono. Até aqui, se um português grafasse econômico ou um brasileiro grafasse económico, estariam ambos cometendo um erro ortográfico. A partir da vigência do Acordo não mais;
c) Este texto está integralmente de acordo com a ortografia unificada. Você notou?



Por Carlos Alberto Faraco - Linguista e professor (aposentado) da UFPR


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Los Porongas = som de primeira!


Com letras bem elaboradas e um som de primeira, Los Porongas vai conquistando espaço no cenário musical brasileiro.
Com Diogo Soares (vocalista), além de ótimo letrista, vale dizer, Márcio Magrão (baixista), Jorge Anzol (batera) e João Eduardo (guitarrista), em 2008, a banda gravou seu primeiro dvd; detalhe: tudo pelo projeto "Toca Brasil", patrocinado pelo Instituto Itaú Cultural. Esse dvd foi lançado aqui no último dia 27 de dezembro, na Usina de Artes João Donato; e, hoje, dia 12 de janeiro de 2009, será lançado no Sesc Pompeia, São Paulo.
Certamente quem investir nesses caras terá retorno à altura, pois eles são muito feras!

Aí vai a letra de uma das músicas deles:

  • Los Porongas: Como o Sol
  • Composição: Diogo Soares
A razão espaço-tempo é sempre tão desencontrada,
Todo início quase um fim
Tanto "sempre", sempre acaba.
A razão espaço-tempo é mesmo tão desconcertada,
Um campo aberto uma prisão,
Quando finda.
Tudo que não me interessa agora
Eu jogo fora
Tudo que não me interessa agora
Eu jogo fora
E se vai como o sol
Como o sol
Que se esconde ou se espalha
Como o sol
Que aquece ou atrapalha
Como o sol
Que derrete ou agasalha
Como o sol

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Banda Resgate: pode ouvir, eu indico!

Sem Deus, paralelos e meridianos se embaraçam
Sem Deus, toxicômanos na Colômbia se despedaçam
Sem Deus é tudo ilusão, como os juros altos na inflação
Sem Deus o fim tem seu início, corda bamba sobre o precipício
Sem Deus, a segurança recua nas bases avançadas
Sem Deus, vidas morrem assassinadas nas calçadas
Sem Deus o mundo é dos espertos, que vendem praias nos desertos
Sem Deus, você corre perigo a mercê das garras do inimigo
Sem Deus, paralelos e meridianos se embaraçam
Toxicômanos na Colômbia se despedaçam
A segurança recua nas bases avançadas
E vidas morrem assassinadas nas calçadas sem Deus

Banda Resgate: Sem Deus

Esses caras são muito bons!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Vale a pena, sim!

O Sol não veio hoje,
O dia hoje não veio;
A alegria não veio,
A certeza também não veio.
Aliás, veio, sim: a certeza do incerto.
O vizinho não disse bom-dia a ti hoje quando ias comprar pão? Não te preocupes, amanhã ele dirá.
Não fiques triste, cabisbaixo, amanhã será diferente.
Alegra-te! Não digas que não vale a pena. Sempre valerá a pena viver.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Alguma boba frase para pensar

Depois que souberes de muita coisa desta vida, destemida e conscientemente dirás: não sei de quase nada.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O homem, Deus e os impossíveis

A vida é como ela é. Tentamos minimizar os problemas, abrandar as dores; lutamos contra tudo o que vem contra nós. Mas há momentos em que somos nocauteados, perdemos para os problemas, somos esmagados pelas tristezas e dificuldades. Há situações impossíveis para os homens, há problemas insolúveis.
Parece que há tempos em nossas vidas em que o ponteiro do relógio resolve parar; algumas vezes parece que ele gira no sentido contrário. Pronto. O que fazer?
Nessas horas só temos um a quem recorrer. Só há um que pode nos livrar das ameaças da vida, dos turbilhões que nos rondam: Deus Pai.

O que faremos sem Ele? Para onde iremos? Como viveremos?
Como eu já disse, repito: há problemas insolúveis para os homens; para Deus, não. Ele é o dia que não veio, a Luz no fim do túnel. Eh! acredita!