segunda-feira, 24 de agosto de 2009

sábado, 22 de agosto de 2009

Uma das de Danilo Gentilli



"Se o Didi está mesmo preocupado com o bem-estar das nossas crianças, deveria parar de fazer 'A turma do Didi'".

Danilo Gentilli, repórter do CQC

http://twitter.com/DaniloGentilI

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

No congresso

Aconteceu no Congresso Nacional...
- Sua excelência quer fazer o favor de tirar a mão do meu bolso?
- Perdão, excelência. Pensei que sua excelência estivesse distraído.

Momento filosófico 2


Numa dessas aulas que ministramos, uma aluna, do mais profundo de suas reflexões reflexivas, do mais oculto de suas entranhentas entranhas, extraiu, com muita dificuldade, a seguinte conclusão:


“É fácil fazer o fácil, difícil é não fazer o difícil”.
Jecksa Adsa

Momento filosófico


Ontem, na parada de ônibus, quando eu ia para a faculdade, ouvi a conversa de dois desses policiais que estão tentando minimizar a violência na "Baixada". Eles haviam acabado de discutir com uma "dona" de uma igreja na esquina da rua em que moro.
Não ouvi a discussão; mas, ao saírem de lá e passarem "filosofando" na minha frente, captei (e anotei) o que eles disseram em seu "momento filosófico". Leia isto:

"Não tem como o errado tá certo. O errado vai tá sempre errado. No dia que eu ver o errado tá certo, é porque ele não tá errado, ele tá certo."

Outros significados


A:
ABISMADO - sujeito que caiu de um abismo.
ABREVIATURA - ato de se abrir um carro de polícia.
ADVERSÁRIO - dia de nascimento do fanho.
AÇUCAREIRO - revendedor de açúcar que vende acima da tabela.
ALOPATIA - dar um telefonema para a tia.
AMADOR - o mesmo que masoquista.
ARMARINHO - vento proveniente do mar.
ASPIRADO - carta de baralho completamente maluca.
ASSALTANTE - um "A" que salta.

B:
BACANAL - reunião de bacanas.
BARBICHA - boteco para gays.
BARGANHAR - receber um botequim de herança.
BARRACÃO - proibe a entrada de caninos.
BIMESTRE - mestre em duas artes marciais.
BISCOITO - fazer sexo duas vezes.

C:
CAATINGA - cheiro ruim.
CAÇADOR - sujeito masoquista.
CALICE - ordem para ficar calado.
CAMINHÃO - estrada muito grande.
CANGURU - líder espiritual de cachorros.
CATÁLOGO - ato de se apanhar coisas rapidamente.
CERVEJA - é o sonho de toda revista.
CLEPTOMANÍACO - mania por Eric Clapton.
COITADO - pessoa vítima de coito.
COMPULSÃO - qualquer animal com pulso grande.
CONVERSÃO - papo prolongado.
CONTRIBUIR - ir para algum lugar com vários índios.
COORDENADA - que não tem cor.

D:
DEMOCRACIA - sistema de governo do inferno.
DEPRESSÃO - espécie de panela angustiante.
DESTILADO - aquilo que nao está do lado de lá.
DESVIADO - uma dezena de homossexuais.
DETERGENTE - ato de prender indivíduos suspeitos.
DETERMINA - prender uma moça.
DETERMINE - prender a namorada do Mickey.
DIABETES - as dançarinas do diabo.

E:
EDIFÍCIO - antônimo de "é fácil".
EFICIÊNCIA - estudo das propriedades da letra "F".
ENTREGUEI - estar cercado de homossexuais.
ESFERA - animal feroz amansado.
ESTOURO - touro que sofreu operação de mudança de sexo.
EVENTO - constataçao de que realmente é vento, nao furacao.
EXÓTICO - algo que deixou de ser ótico, passou a ser olfativo ou auditivo.
EXPEDIDOR - mendigo que subiu de vida.

F:
FLUXOGRAMA - direção em que cresce o capim.
FORNECEDOR - empresário dedicado ao ramo de encantar os masoquistas.

G:
GENITÁLIA - órgao reprodutor dos italianos.

H:
HALOGÊNIO - forma de cumprimentar pessoas muito inteligentes.
HOMOSSEXUAL - Sabão utilizado para lavar as partes íntimas.

J:
JURISPRUDENTE - diz-se do grupo de jurados que declara inocente o filho do bicheiro que, em legítima defesa da honra e apenas levemente embriagado, bombardeou o asilo de velhinhos cegos Nossa Senhora do Amparo.

K:
KARMA - expressao mineira para evitar o pânico.

L:
LEILÃO - Leila com mais de 2 metros de altura.
LOCADORA - uma mulher maluca de nome Dora.
LUZ SOLAR - luz proveniente da sola do sapato.

M:
MINISTÉRIO - aparelho de som de dimensões reduzidas.
MISSÃO - culto religioso com mais de 3 horas de duração.

N:
NOVAMENTE - diz-se de indivíduos que renovam sua maneira de pensar.

O:
OBSCURO - "OB" na cor preta.

P:
PADRÃO - padre muito alto.
PORNOGRÁFICO - o mesmo que "colocar no desenho".
PRESIDIÁRIO - aquele que é preso diariamente.
PRESSUPOR - colocar preço em alguma coisa.
PSICOPATA - veterinário especialista em doenças mentais de patas.

Q:
QUARTZO - partze ou aposentzo de um apartamentzo.

R:
RAZÃO - lago muito extenso porém pouco profundo.
RODAPÉ - aquele que tinha carro mas agora roda a pé.

S:
SAARA - muulher do Jaacó.
SEXÓLOGO - sexo apressado.
SIMPATIA - concordância com a irma da mae.
SOSSEGA - Mulher que tem os outros sentidos mas é desprovida de visão.
SUBURBANO - habitante do buraco do metrô.

T:
TALENTO - característica de alguma coisa devagar.
TESTÍCULO - pequeno texto.
TIPICA - o que o mosquito nos faz.
TRIGAL - cantora baiana elevada ao cubo.
TRIPULANTE - especialista em salto triplo.

U:
UNÇÃO - erro de concordância muito freqüente (o correto seria "um é").

V:
VATAPÁ - ordem dada por prefeito de cidade esburacada, no Nordeste.
VIADUTO - tubulação por onde fluem homossexuais.
VIDENTE - dentista falando sobre seu trabalho.
VIOLENTAMENTE - observou com lentidão.
VIÚVA - ato de ver uva.
VOLÁTIL - sobrinho avisando onde vai.

Z:
ZUNZUNZUM - na Fórmula 1, momento em que o espectador percebe que os três líderes da prova acabaram de passar a sua frente.
ZOOLÓGICO - reunião de animais racionais.

Uma definição em vigor

Politicagem
substantivo feminino
Uso: pejorativo.
1 política de interesses pessoais, de troca de favores, ou de realizações insignificantes
2 o conjunto dos políticos que se dedicam a essa espécie de política
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"Politicagem" ou "politicalha" é o que os nossos politicantes (representantes?) fazem com mestria no Congresso mais caro do mundo. Não podemos culpar o "horror econômico" pela desgraça deste país. A miséria e a falta de emprego no Brasil não são de origem econômica (não se justificam pela substituição do homem pela máquina na indústria, por exemplo); são, no entanto, fruto de decisões tomadas por nossos governantes, aqueles em quem nós, burra (e sinceramente), depositamos nossa confiança, os elegemos. A culpa é "nossa!"

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Uma definição necessária

Política
substantivo feminino
1 arte ou ciência de governar
2 arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados; aplicação desta arte aos negócios internos da nação (política interna) ou aos negócios externos (política externa); ciência política
3 orientação ou método político
3.1 Derivação: por extensão de sentido.
série de medidas para a obtenção de um fim
4 arte de guiar ou influenciar o modo de governo pela organização de um partido, pela influência da opinião pública, pela aliciação de eleitores etc.
5 prática ou profissão de conduzir negócios políticos
6 conjunto de princípios ou opiniões políticas
6.1 o conjunto de opiniões e/ou simpatias de uma pessoa com relação à arte ou ciência política, a uma doutrina ou ação política etc.
7 cerimônia, cortesia, urbanidade
8 Derivação: sentido figurado.
habilidade no relacionar-se com os outros tendo em vista a obtenção de resultados desejados
9 Derivação: sentido figurado.
astúcia, maquiavelismo no processo de obtenção de alguma coisa
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O povo não sabe seu(s) significado(s). Os "guias cegos" do povo também não. Melhor: alguns sabem, mas pervertem-no, deturpam-no acintosa, maquiavélica e propositadamente. O Aurélio e o Houaiss nos ajudam. Ah, se lêssemos pelo menos dicionários!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Bate-papo com o linguista Marcos Bagno

Extra Classe - O senhor tem afirmado que a norma-padrão da língua portuguesa se transforma com freqüência em instrumento de exclusão social. O que é preconceito lingüístico?
Marcos Bagno - É preciso distinguir a "norma culta", que é a língua falada e escrita pelos brasileiros com acesso à cultura letrada, da "norma-padrão", fonte de preconceito social, que não é língua de ninguém, é só um ideal de língua, cada vez mais distante e difícil de ser alcançado - quase um saber esotérico! Não se pode confundir o uso real, autêntico, empiricamente coletável da língua por parte dos falantes privilegiados (a norma culta), do modelo idealizado de língua "boa", arbitrariamente definido pelos gramáticos normativistas. O preconceito lingüístico existe em todas as sociedades onde se estabeleceu uma tradição escolar, uma cultura literária e instituições reguladoras dos usos da língua como a Academia Brasileira de Letras, por exemplo. Uma vez que toda e qualquer língua é essencialmente heterogênea, o que ocorre é a exclusão da maioria dos falantes do círculo restrito do "falar bem". No caso do Brasil, nem mesmo as camadas privilegiadas da população acreditam falar bem a língua portuguesa, porque nosso modelo de "língua certa" é extremamente arcaico, inspirado nos usos literários dos escritores de Portugal na primeira metade do século 19.
EC - Por que Pasquale Cipro Neto, Josué Machado, Eduardo Martins, Arnaldo Niskier, que se autodenominam gramáticos, não aceitam a variação lingüística e desqualificam os lingüistas?
Bagno - Não classifico nenhum deles como gramático. Esse título cabe a especialistas, a filólogos, a pessoas que dedicam sua vida à pesquisa da tradição gramatical, à revisão das bases teóricas da doutrina como Evanildo Bechara, Celso Cunha, Celso P. Luft, Rocha Lima. As pessoas citadas na pergunta fazem parte daquilo que chamo de "comandos paragramaticais". Não têm formação científica suficiente, muitas vezes não têm nenhuma, nem são da área das Letras, e se limitam a reproduzir, sem crítica, a doutrina gramatical normativa, como se ela fosse um bloco compacto, como se não houvesse divergências teóricas entre os próprios gramáticos. Essa atitude é muito antiga. Desde que a instituição gramatical surgiu, 300 anos antes de Cristo, no mundo de cultura grega da Antigüidade, há sempre um grupo de pessoas preocupadas com a "decadência" e a "ruína" do idioma e lutando para preservar a língua.
EC - O que é mais importante, a língua falada ou a gramática tradicional ensinada na escola?
Bagno - A língua tem que ser estudada e apreciada sempre em sua totalidade de manifestações: como faculdade cognitiva, como sistema de palavras e regras estruturado para a interação humana, como instituição social, como forma de conhecimento do mundo. E também tem de ser estudada em todas as suas modalidades: falada, escrita, híbrida. A língua falada tem seu lugar no ensino assim como a escrita. Não basta reconhecer que a criança, quando chega na escola, já sabe falar a língua. É preciso mostrar a ela como essa língua falada pode ser usada nas interações sociais, quais são as diferenças entre os gêneros discursivos, entre os eventos de interação, quais são as instâncias públicas e privadas de uso da fala, e quais as normas sociais que presidem esses usos. A gramática tradicional, como patrimônio cultural do Ocidente, merece ser estudada, mas não como uma doutrina cheia de dogmas e verdades eternas, e sim como um conjunto de idéias e conceitos que precisa ser constantemente criticado, revisto, atualizado e até, se for o caso, abandonado no todo ou em parte.
EC - A proposta é reconhecer que a gramática normativa não é um dogma...
Bagno - Ao contrário do que apregoam alguns dos "comandos paragramaticais", nenhum lingüista sério está mandando jogar as gramáticas no lixo, mas querendo que sejam tratadas como aquilo que elas são: obras produzidas por seres humanos - e não frutos de alguma 'revelação divina' - e, portanto, sujeitas à crítica e à reformulação. Os lingüistas são os primeiros a reconhecer que os gramáticos da Antigüidade tiveram intuições importantes ao definir sua doutrina, ao especular sobre o funcionamento da língua. Mas eles só se interessavam pela língua grega (e, mais tarde, pela latina), e todo o aparato que criaram (a nomenclatura tradicional) se adequava mais ou menos bem ao grego e ao latim. Para analisar outras línguas é preciso criar outros aparatos descritivos, outra teoria. O problema é que a gramática normativa virou uma instituição sociocultural, que passou a ser reverenciada como se fosse um crime submetê-la a juízo e revisão.
EC - O que deve vir antes, o estudo científico da língua ou o domínio da escrita e da leitura?
Bagno - No tocante ao ensino, já está provado e comprovado que o mais importante é promover o letramento dos aprendizes, isto é, a inserção destes cidadãos no mundo da cultura letrada que é o nosso. E isso só se faz por meio da leitura e da escrita, da escrita e da leitura, da reescrita e da releitura. Nada de entupir a cabeça das criancinhas com uma nomenclatura profusa, confusa, muitas vezes incoerente. Vamos deixar isso para mais tarde, lá pelo Ensino Médio, quando a pessoa já souber ler e escrever bem. Se é só no Ensino Médio que as aulas de química, física, biologia aparecem, por que o estudo científico da língua tem de ser feito já nos primeiros anos de escolarização? Vamos pôr essa gente para ler e escrever, pois é disso que o cidadão precisa na sua vida diária. Nenhum profissional bem-sucedido, hoje, em qualquer área de atuação, precisa saber o que é uma "oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo", mas precisa saber ler e escrever muito bem. E a gente só aprende a ler e a escrever... lendo e escrevendo!
EC - A gramática da língua padrão está focada em uma das variedades lingüísticas, a escrita, que tem como modelo a literatura de Portugal. Sendo assim, esse ideal de língua desconhece a identidade social e cultural dos brasileiros?
Bagno - Trata-se de assumir que nós falamos uma língua toda nossa, o português brasileiro ou simplesmente brasileiro, com gramática própria, bastante diferente da do português europeu, e mais diferente ainda da norma padrão tradicional (que não é língua de ninguém!). Quando isso for assumido sem medo nem escrúpulos, poderemos produzir gramáticas que descrevam e autorizem o que já é falado e escrito por aqui há mais de cem anos; poderemos parar de ensinar coisas irrelevantes, modos de conjugação verbal que ninguém fala (nem escreve), regras de concordância obsoletas, colocação pronominal e outras coisas que não têm nada a ver com o uso real, contemporâneo do português brasileiro, inclusive da parte dos mais letrados, dos melhores escritores de cem anos para cá.
EC - Falta correspondência entre pesquisa e políticas públicas no campo da linguagem?
Bagno - A mudança depende, sobretudo, de uma política lingüística, coisa que não existe no Brasil. É preciso que o Estado legisle, racionalmente, sobre as questões da língua e das línguas (são mais de 200 no território brasileiro!) e sobre o ensino dessa(s) língua(s). E é para isso que esse mesmo Estado mantém, nas universidades públicas, importantes centros de pesquisa em lingüística teórica e lingüística aplicada: para subsidiar as ações públicas no tocante às questões de linguagem. Porém, o Estado brasileiro ainda não acordou para isso. Acima de tudo porque vivemos numa ilusão de monolinguismo: aqui "todo mundo fala português", "todo mundo se entende", então não é preciso que o Estado interfira nesse campo. Tremenda ilusão! Os exemplos de países como o Canadá, a Espanha, a Bélgica, a Suécia, a Noruega, a Índia, e até nosso vizinho Paraguai, entre outros - países onde existe uma política lingüística clara, oficial, explícita -, deveriam servir de fonte de inspiração e reflexão para os legisladores brasileiros para que nossa sociedade fosse realmente democrática, inclusive no campo das relações lingüísticas.
EC - Qual é o papel da escola na constituição dessa educação lingüística digna a que o senhor se refere?
Bagno - Não se trata, como defendem alguns desavisados, de reconhecer e valorizar as variedades regionais, sociais, etc. e ficar no discurso (reacionário) do "politicamente correto". O papel fundamental da escola é levar as pessoas a conhecer e aprender coisas que elas não sabem. Assim, na questão da linguagem, a tarefa da escola é levar os aprendizes a dominar plenamente a leitura e a escrita, coisas que só se aprende na escola, e também conhecer e usar outras formas de falar e de escrever, entre elas (mas não só!) as formas tradicionais, eruditas, clássicas ou "cultas". Trata-se, então, de ampliar o repertório lingüístico dos aprendizes. Mas isso tem que ser feito com uma pedagogia democratizadora das relações sociais, e não por meio da condenação das formas variantes, das formas inovadoras, e pela imposição autoritária das formas consideradas as únicas "certas".
EC - Formas lingüísticas já fixadas pelo uso, inclusive na língua escrita, ainda são condenadas pela gramática normativa. Como mudar isso?
Bagno - De fato, o apego excessivo à norma-padrão tradicional cria esses conflitos. É inaceitável que formas não registradas pela tradição normativa, presentes até mesmo na nossa melhor literatura há mais de cem anos, continuem sendo condenadas pelos puristas. É ridículo dizer que a forma "eu custo a crer" é errada, quando ela já aparece desde José de Alencar (que morreu em 1877). É preciso divulgar amplamente os resultados das importantes pesquisas que têm sido feitas sobre o português brasileiro nos últimos 50 anos, mostrar o que já se fixou e o que já desapareceu da língua, e autorizar esses usos novos. Como já disse antes, é preciso haver uma política lingüística de Estado que reconheça a nossa língua como ela é hoje. Por exemplo, o Ministério da Educação deveria produzir uma gramática de referência do português brasileiro que descrevesse e autorizasse os usos que já estão aí há tanto tempo, mas que continuam sendo perseguidos como "pecados" pelos "comandos paragramaticais".
EC - Qual é a relação entre linguagem e poder?
Bagno - A linguagem é um importantíssimo elemento de dominação sociocultural e política, talvez o mais importante instrumento de dominação e opressão. Quem está no poder quer continuar nele e, para isso, a maneira de falar dos poderosos, dos privilegiados, se transforma numa arma de defesa do poder contra a eventual insurreição dos oprimidos. O lingüista italiano Maurizzio Gnerre, que trabalhou no Brasil, escreveu que a norma-padrão tradicional é uma "cerca de arame farpado", que separa uma pequena elite de iluminados do resto da população. Não é por acaso que, em todas as sociedades européias, o modelo de língua "certa" tenha sempre se baseado no modo de falar das regiões mais ricas, politicamente importantes, centros do poder. Não é por acaso também que o inglês-padrão é chamado de "inglês da Rainha". Assim como o rei francês Luís XV dizia que "o Estado sou eu", os poderosos também podem dizer "língua é a minha" - o resto é "jargão", "algaravia", "dialeto", "caçanje", ou simplesmente "não é português".

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ENTREVISTA DE MARCOS BAGNO AO JORNAL EXTRACLASSE DO SINDICATO DOS PROFESSORES DO RIO GRANDE DO SUL - FEVEREIRO DE 2008

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Notícia matinal: Edir Macedo e mais 9 viram réus por lavagem de dinheiro


A Justiça de São Paulo acatou ontem a denúncia contra o bispo Edir Macedo e outras nove pessoas ligadas à Igreja Universal do Reino de Deus por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), eles são acusados de integrarem um esquema envolvendo empresas de fachada, que remetia ao Exterior dinheiro obtido com doações de fiéis. Esse dinheiro, depositado em paraísos fiscais, voltava ao Brasil em forma de contratos de mútuo utilizados para a aquisição de empresas.

A acusação formal foi oferecida no último dia 5 pelo MPE, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) - Núcleo São Paulo, e recebida pelo juiz da 9ª Vara Criminal da Capital. Além de Edir Macedo, foram denunciados Alba Maria da Costa, Edilson da Conceição Gonzales, Honorilton Gonçalves da Costa, Jerônimo Alves Ferreira, João Batista Ramos da Silva, João Luís Dutra Leite, Maurício Albuquerque e Silva, Osvaldo Scriorilli e Veríssimo de Jesus.

De acordo com a denúncia, Edir Macedo e os demais acusados há cerca de 10 anos vêm se utilizando da igreja para a prática de fraudes. Durante as investigações, os promotores conseguiram localizar milhares de depósitos em dinheiro em favor da Igreja Universal. Somente no período entre março de 2003 a março de 2008, esses depósitos somaram R$ 3,9 bilhões, de acordo com o MPE.

Levantamento feito pelo MPE e pela Polícia Civil, com base em dados bancários e fiscais obtidos judicialmente, mostra que a Igreja Universal movimenta cerca de R$ 1,4 bilhão por ano no Brasil, dinheiro arrecadado por meio do pagamento de dízimo por seus milhares de fiéis espalhados por 4.500 templos, instalados em 1.500 cidades do País.

Dízimo

Na denúncia, o MPE destaca que Edir Macedo e outros bispos destinavam grande parte de sua pregação para a coleta do dízimo, enfatizando a necessidade de a igreja angariar recursos para a compra de óleos santos de Israel, o financiamento de novos templos e o pagamento de pregações nas rádios e TVs. A Universal aceitava cheques, carros e outros bens como doação.

Ainda segundo a denúncia, Edir Macedo e os outros denunciados se aproveitaram da imunidade tributária estabelecida pela Constituição para templos religiosos e passaram a utilizar a Igreja Universal para benefício próprio, captando os valores dos dízimos, ofertas e contribuições dos fiéis, investindo em bens particulares, como imóveis, veículos ou joias. Para os promotores, ficou comprovado que o dinheiro das doações, em vez de ser utilizado para a manutenção dos cultos, era desviado para atender a interesses particulares dos denunciados.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Sarney tem razão: são todos bundões!


De Marcelo Taz

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Gente, vamos deixar de procurar chifre em cabeça de cavalo. Ontem Sarney deu uma mostra clara do por quê as acusações contra ele teimam em não "pegar". Temos um senado tão bundão, omisso e "esperto" quanto o próprio ex-presidente. O resumo do recado do bigode (nem precisava ter usado o powerpoint ou ter tomado café-da-manhã com Zé Dirceu): "ora crianças, logo vocês... somos todos iguais: um bando de bundões com 170 assessores treinados para não largamos nunca esse osso!"


Todos, sem exceção, colocaram suas barbas, cabelos tingidos e ternos mal cortados de molho. A TV Senado varria o plenário e a gente via com nitidez de um microscópico: a face espelhada suja do pessoal do demo, tucanos se ajeitando mal acomodados no poleiro do passado, suplentes tontos e desconhecidos entorpecidos de prazer diante do momento "histórico", o olhar vidrado anabolizado de Collor, petistas como Mercadante e Tião Viana, desconfortáveis com os closes da câmera em suas caras de coerência com prazo de validade vencido... Enfim, um espetáculo televisivo
muito didático.


Na mídia, outros velhotes medíocres que estavam em silêncio, como Carlos Heitor Cony, já saem em defesa de Sarney, ambos colegas imortais de biografia coroada com grand finale podre antes do pé na cova.


Desejo deles: parem de investigar o Zé, ele é como todos nós, um católico supersticioso com alguns pecadinhos.


Lamento informar, crianças. Se preferem continuar agarrados ao osso onde mamam há décadas, a escolha é vossa. Ano que vem, tem renovação de 2/3 do Senado e, tecnicamente, 100% da Câmara. Se já se assustaram com o "tsunami da internet" desta vez, imagine o que vem aí nas Eleições 2010. Uma indigestão muito forte está a caminho. Não digam que não avisei.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Ler é trabalho!


Em pleno século XXI, qualquer teórico ou estudioso das questões de leitura no Brasil afirma, sem rodeios, que ainda somos um país que pouco lê – quase nunca – se comparado a outros mais desenvolvidos.
Isso explica ou está relacionado a alguns fatos: a falta de hábito de escrever, por exemplo. Sem dúvidas, a sociedade brasileira se expressa mais pela oralidade que pela escrita. Somos uma sociedade que se informa mais pelo telejornal ou pelas conversas de beira de esquina que pela leitura de jornais, livros ou revistas.
Nossos professores do colegial sempre nos ensinaram que ler é importante – embora a maioria deles não gostasse de ler. Então, ler é importante, certo? Certo.
No entanto, se olharmos mais de perto a leitura na escola, a prática contraria o discurso. Contrariamente ao que se prega, se há um fato que tira do sério a maioria dos coordenadores de ensino é ver uma cambada de moleques e um professor fora de sala lendo. Chamam logo o professor no saco: “O que esses meninos estão fazendo fora de sala, não há nada pra fazer?”. Isso com a maior naturalidade (e ignorância), como se ler não fosse fazer alguma coisa, não fosse trabalho. Ler exige concentração, disposição, atenção, etc. Ler é tarefa. Ler é exercício. Ler é trabalho!
Se algum professor quiser transparecer que não está com vontade de dar aulas, basta levar os alunos para uma sala de leitura ou para um pátio para ler. Lamentavelmente, para um bocado de gestores, mais importante que essa história de ler é cumprir o programa de ensino ditado pela Secretaria de Educação.

Tiago Tavares

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A queda - As últimas horas de Sarney?

video

Segunda-feira, à noitinha, Cristiana Lôbo, do G1, publicou mais uma notinha sobre a novela Sarney. Seriam as últimas horas dele no Senado? Seria "A Queda"? Tenho lá minhas dúvidas. Enquanto isso, curtamos o vídeo que está rolando no youtube (trecho do filme A Queda - as últimas horas de Hitler), uma sátira a Sarney e ao safado e preguiçoso Congresso que (man)temos em Brasília.

P.S.: vi este vídeo pela primeira vez no blogue do prof. Aldo Nascimento.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Edu Lobo é irado, tá ligado, bródi?


De Arnaldo Bloch - 02/08/09
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*Culpar a juventude? Ah, não esculacha!*

Estacionei a bicicleta em frente ao BB lanches e, enquanto acertava as extremidades da tranca, ouvia a conversa da rapaziada.
- Aquele som é irado. Frenético.
- Caraca, bródi, mandaí. Fiquei bolado.
- Sinistro.

Atei o cadeado, empinei o nariz e tive certeza de que o som era um rap, um funk, ou algo que não soasse minimamente eficaz sem uma roda de subwoofers estourando o asfalto.

Entre as gírias, contudo, identifiquei elementos estranhos ao contexto aprioristicamente estabelecido (precontexto?): - Anos 60, bródi, a música brasileira bombava, Edu Lobo era sinistro, compositor de responsa. "Ponteio" ganhou o festival, tá ligado? "Ponteio", tá ligaaaaado, bródi????? Pisquei umas três vezes para checar se era a endorfina que me fazia ouvir vozes e dei uma porrada no tornozelo em vias de câimbra.

Mas as vozes não davam trégua: - Viu o Quarteto Novo no acompanhamento, bródi? Quarteto Novo e Edu Lobo era um esculacho, Hermeto quebrava tudo.

Era isso mesmo: os presumidos três patetas, que minutos antes não passavam de uns manés mais alienados que a própria alienação, convertiam-se, num átimo, em adolescentes esclarecidos, discutindo, com os recursos idiomáticos à disposição, o panorama da música brasileira nos anos 60, e faziam juízos de valor numa escala primária, mas correta.

Dias antes, num debate do qual participara na Biblioteca Nacional, para um público de ensino médio (com Mauro Ventura e Vítor Iório na mesa), alguém, entre os catedráticos presentes, puxou a ladainha: - A juventude não lê. Não sabe de nada.

Fica à mercê da televisão e da internet.

Eu, que sou bem mais jovem que o dito catedrático, já defendi muito essa ideia, que pode ter lá suas razões de ser. Mas, diante de um público de ensino médio atento, simpático e interessado, puxei pelo meu registro mais moderado e, talvez, temperado pelos primeiros ventos da maturidade.

- Quer saber? Cansei dessa conversa de que a juventude não lê. E, se não lê, de quem é a culpa? Dos professores, do ensino, do desprezo pelo conhecimento de humanidades, do espírito de competição acirrada e de interesse ultraespecializado, da falta de ideias e, sobretudo, da ausência de um chefe de Estado que faça a revolução pela educação, aquela que ninguém tem coragem de assumir como prioridade? - discursei.

Uma semana depois, em bate-papo com a atual turma de estagiários do GLOBO (cheia de gente a fim de inovar) conduzido pelo Luiz Paulo Horta, eu repercutia minhas impressões, partindo para uma autocrítica de meus tempos de adolescente em Copacabana.

- A gente fala muito das novas gerações, mas se eu for analisar, passei a minha juventude assistindo a "Star Trek", "Vila Sésamo", chupão da Sandra Bréa na novela das dez e, nos intervalos, folheando revista de mulher pelada. Tudo bem que as noites eu consumia em claro lendo clássicos (indicados por meu pai, não pela escola) e tentando escrever uma obra-prima (nos intervalos, mais mulher pelada...), e pela manhã mamãe achava que eu estava tuberculoso. Consciência política, nascido que fui em 1965 e não tendo tido pais militantes, a minha, então, era zerinho da Silva. Só acordei para a vida ao gongo de Vianninha e Millôr, quando a censura caiu aos 45 do segundo tempo, e os teatros fervilharam.

Tudo isso para dizer que essas sentenças sobre a juventude dos outros são o maior papo brabo. Um colega aqui da arte discorda: diz que o tal encontro no bicicletário do BB lanches foi como um raio divino, exceção das exceções, o cara citando Edu devia estudar música, daí aquela espuma de conhecimento borbulhando no mar de gírias.

Sei não. Saber escolher o que ler e o que saber na internet não é muito diferente de se antenar com as prateleiras de uma biblioteca.

Sem interesse, sem paixão, não se vai encontrar nada que preste, no papel ou no monitor, hoje ou há cem anos, com as gírias de hoje ou as do baú do tataravô.

Dizem que o mundo atual é tribalista. Quem quiser conversar sobre o quanto Edu Lobo é irado, tá ligado, bródi? (no meu tempo eu diria Edu Lobo é um barato, morou, xará?, e meu pai talvez dissesse Edu Lobo é bacana, manja, meu chapa?, e vovô diria que o Edu é batuta, supimpa, XPTO, e vamos), mas como eu ia dizendo, quem quiser encher a bola de Edu Lobo vai encontrar a turma certa na casa de sucos certa, na gíria certa, sem prejuízo ou exclusão da turma do funk, isso quando as duas turmas não se cruzarem nas fusion sessions ou nas pistas ao som de remixesgeniais. E digo mais: uhuuuuu, isssssssa, cáspite, caraca.

Culpar a juventude é o mesmo que culpar a política, o jornalismo, o direito, a medicina, pelos erros do político, do jornalista, do juiz, do médico. O mesmo que culpar o funk pela violência dos indivíduos. É o medo de olhar para o umbigo da própria ignorância, o envelhecimento das ideias, a preguiça de transformar, de compreender as novas falas quando estas anseiam por conhecimento mas rejeitam o bolor e o peso de métodos, currículos e formações ora substanciais no conteúdo e velhas no código, ora vazias de saber e mais modernas que a modernidade.

Viva a juventude. Viva Edu Lobo. Viva o funk. E viva a educação.

domingo, 2 de agosto de 2009

Palavras ao vento


Em busca do texto, quiçá, do pretexto para escrever, perco-me;
Então, assim mesmo, lanço-me no inescrutável mundo dos versos, dos vocábulos, imersos, em tão profunda obscuridade.
Títulos, subtítulos, tantos, quantos...
Ah, não! este, não; este, também não; nem aquele; são todos ridículos.