quarta-feira, 28 de outubro de 2009

pOeSiA no EJORB

Por esses dias, estive realizando um Estágio Curricular Obrigatório na escola José Ribamar Batista. Como objetivo, tínhamos a ideia de trabalhar com os discentes, em três dias, uma poesia moderna.
Portanto, iniciei falando do Pré-Modernismo; depois, passei para o Modernismo propriamente dito. Li com eles textos de autores como Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles, os quais serviram de base para o projeto. Além disso, apresentei-lhes a letra de "Paciência", belíssima música de Lenine, para que observassem os traços da poesia deste autor.
Por fim, realizamos um mini-concurso de poesia: eu selecionei cinco dos principais poemas e, desses cinco, eles votaram em um. Como o trabalho e o mini-concurso foram desenvolvidos em duas turmas, confira abaixo a produção dos dois ganhadores.


BOI VELHO

Boi velho, boi de arrasto
Arrasta avó, menino e padrasto

Boi que um dia foi de acompanhar
Agora é de arrastar.

Arrasta nas costas uma solidão
Como eu arrasto a dor no meu coração.
Lucas Ferreira, 1º ano "C"

AMOR

O amor é considerado uma espada: tem dois gumes – a felicidade e a mágoa.
Apesar de ser uma pequena palavra, tem grande significado; e afeta o homem e sua amada.
Denis Lopes, 1º ano "D"

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Viva a língua viva!

É comum se ouvir dizer, com base na gramatiquice, é claro, que o verbo namorar, frequente em qualquer produção textual que se peça de adolescentes, é transitivo direto, e não indireto, não aceitando (parece até ter volição própria), desta forma, a preposição com. Assim, segundo os que apregoam isso, não se deve dizer (nem – pelo amor de Deus! – escrever) coisas do tipo "Paulo namora com Ana"; mas, sim, "Paulo namora Ana". Até o corretor ortográfico do Word foi contaminado por esse purismo – rejeita tal preposição.

Esse fenômeno, quando ocorre (e ocorre a todo instante e em qualquer lugar – praticamente chove no molhado), logo é caracterizado pela maioria como erro. Alguns vão além – falam em assassinato gramatical, em erro crasso, erro amazônico, atropelamento do idioma, desrespeito à língua de Camões etc., são tantas classificações idiotas, que eu, particularmente, detesto.

No entanto, além de alguns pouquíssimos colegas de profissão, da área de Letras, eu não conheço (e, certamente, você também não) muitas pessoas que usem esse verbo (salvo raríssimas exceções na escrita monitorada) como transitivo direto, ou seja, sem ser acompanhado da preposição com. Isso já é fato suficiente para se investigar. Se todos usam, e a gramática normativa se funda no uso (ou, pelo menos, deveria se fundar, e não o contrário, como pensam alguns desavisados), é um claro indício de que esse fenômeno está mudando.

Outra questão interessante é o uso do verbo amar combinado com o pronome reto ele/ela, em construções do tipo “eu amo muito ele/ela”. Dizem os ranzinzas que o correto seria eu o/a amo; ou, simplesmente, amo-o/a. É outra má análise dos fatos. Sabe-se, por meio de pesquisas, que, no Brasil, com exceção da grande literatura, isso só ocorre na escrita mais monitorada e na fala de uns três ou quatro.

Não se trata de ignorar as formas tradicionais – quem quiser que as use à vontade; mas de receber sem picuinhas ou menosprezo as formas mais inovadoras. Não é difícil dizer para um educando que namorar com é uma construção perfeitamente possível, gramatical, que faz parte da Língua Portuguesa. Entretanto, certos profissionais se contentam em prescrever aos seus alunos (parece coisa de médico) que o certo é assim, e não assado.

Não bastarem as observações factuais, leiamos gramáticos-filólogos profissionais como Celso Pedro Luft e Celso Cunha, talvez nos respaldem. Esqueçamos um pouco os manuaizinhos do tipo siga o modelo ou Não erre mais!

Vamos parar com essa besteira de querer impedir/proibir a língua de mudar. Ela já nos provou por várias vezes que é mais forte que a força do purismo exacerbado – era Latim, depois, galego-português; e virou Português.

Viva a língua dos Andrade Mário e Oswald! Viva a língua de todos nós! Viva a língua viva!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O Sonho de Ploft

Saúde pública: uma realidade cruel

Historicamente, é verificável que a saúde no Brasil sempre foi (e não há indícios de que um dia será diferente) uma realidade lastimável. E pensar que pagamos caro para ter pelo menos o mínimo: uma saúde pública que funcione.
Hoje cedo, em busca de saúde, fui ao posto Augusto Hidalgo de Lima, que, por conta da reforma pela qual está passando, atualmente está funcionando num templo de uma igreja, no bairro Bahia. Lá, encontrei, como das outras vezes que precisei dele, uma fila enorme que começara a se formar pela madrugada, por volta das 2h.
Às 7h da manhã, o número de fichas não deu nem mesmo para quem mais necessitava ser atendido – só eram 14 fichas. Médicos? Só Clínico Geral; e à tarde, para quem conseguiu ficha de manhã. Para piorar a situação, o despreparado que estava entregando as fichas distribuiu de duas para uma única pessoa. Já imagina a confusão que isso deu? Pois é. Não é ficção, é a realidade cruel da saúde pública em Rio Branco. E por que não dizer no Brasil?
Este país está entre os que têm mais alta carga tributária – trabalhamos em torno de 147 dias anuais só para pagar impostos. Absurdo! Em forma de retorno ao que pagamos, pacientes, às vezes, entes queridos nossos, são mortos (isso mesmo, SÃO MORTOS!, pois o governo é quem os mata) nas filas dos pronto-socorros; mães dão à luz nos bancos de hospitais. É lamentável; mas é a realidade cruel!
Enquanto isso, o Rio e o Brasil comemoram o fato de sediar os jogos olímpicos de 2016. Três perguntinhas: haverá como jogar doente? Há como competir sem saúde? Há motivos para comemorar?
Senhores deputados, experimentem “dormir” numa fila dessas para conseguir pegar uma ficha! Experimentem! Opa!, desculpem-me! Falei besteira. Desculpem-me, senhores, pela afronta! Perdão! Esqueci-me de que vocês todos têm Unimed e Ameron.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Enfim, mudanças no ensino à vista!

Estou feliz; e surpreso, é verdade. Eu explico: é que, hoje, em meu primeiro dia de estágio, descobri que a escola está mudando; ou melhor, que o ensino de língua materna está mudando. As mudanças ainda são tímidas, reconheça-se, mas já é um bom sinal; e, obviamente, todas as grandes mudanças começam com pequenas modificações.
A questão é a seguinte: no Brasil, a educação linguística escolar formal sempre se resumiu ao ensino de regras gramaticais e nada mais. Isso está mudando, bem devagar, mas está mudando, graças a Deus.O ensino de língua sempre se restringiu a ensinar que determinadas formas linguísticas são certas enquanto outras são erradas. Só isso. No fundo, ensinar Português se confundia com ensinar gramática. Hoje, grande parte dos docentes substituiu (ou aperfeiçoou) esses métodos de ensino por outros mais eficazes (pelo simples fato de que não é assim que se aprende língua), dando mais espaço à leitura de textos – sobretudo literários – e à escrita contínua (pelo óbvio motivo de que é assim que se aprende língua). Louvado seja Jeová!
Na aula a que assisti hoje, na escola de Ensino Médio José Ribamar Rodrigues, no 1º ano “C”, presenciei algo novo: a docente Rosciene Marques de Oliveira leu belíssimas crônicas com seus educandos. A primeira crônica lida pela professora foi “O padeiro”, do grande Rubem Braga. Além das características da crônica, Rosciene trabalhou criticamente a questão das classes e estratificações sociais, tendo como ponto de partida da discussão a frase “Não é ninguém, é o padeiro!”, extraída da própria crônica lida.
Depois, escolheu-se um aluno para ler “A última crônica”, de Fernando Sabino. Feito isso, a professora apontou as funções da linguagem de maior destaque dentro dos textos lidos.
Por fim, para dar um pouco de graça à aula, Rosciene fez a leitura de “O homem trocado”, texto cômico e delicioso de Luis Fernando Veríssimo.
Assim, lidos esses textos e feitos os devidos e necessários comentários pela docente, esta deu aos educandos algumas diretrizes e dados para que, a partir das observações e comentários feitos por ela sobre as características do gênero crônica, eles produzissem um texto de pouco mais de 20 linhas.
Apreciei bastante esta aula. Deliciei-me. Sou grato aos meus professores da faculdade por terem me ensinado desde cedo (ou pelo menos terem me indicado leituras que me fizessem saber) o que é uma língua e o que é uma gramática – sorte que a maioria dos estudantes, infelizmente, nunca teve (e que tantos outros, lamentavelmente, nunca terão).

TV Aldeia, Sistema (Público?) de Comunicação

Sempre que vejo a programação da TV Aldeia, reflito sobre algumas questões, dentre as quais, certamente não por acaso, a do conceito de público.
Ao questionar o dicionário, em sua primeira resposta, ele me diz que público é o que é relativo ou pertencente a um povo, a uma coletividade. Logo em seguida, ele me diz ainda que público é o que é relativo ou pertencente a um país, estado, cidade, etc. Em qual das duas acepçõs A TV Aldeia mais se enquadra?
Não entendo a razão por que só se tecem elogios ao governo e nunca críticas. Falo, obviamente, de críticas ponderadas, construtivas, que partam de uma esquerda equilibrada e inteligente; e não de “crítica por crítica”, de uma esquerda burra-cega.
Como se as "notícias favoráveis" -- das quais falou Toinho Alves, na 1ª Pré-Conferência Estadual de Comunicação, ocorrida na última sexta-feira -- emitidas pelos programas jornalísticos da TV Aldeia não fossem suficientes para divulgar as bem-feitorias de Arnóbio Marques, nos intervalos da programação, fica ainda mais explícito o domínio sob o qual se encontra o tal Sistema Público de Comunicação. Só reproduz o que o chefe manda.
Por que o que não é feito por Rio Branco fica sempre fora da programação? O governo é perfeito? É tão difícil ser minimamente honesto? Por que as lentes das câmeras da TV Aldeia nunca capturaram sequer vultos imagéticos das incontáveis ruas esburacadas e sem saneamento básico dos históricos bairros João Eduardo I e II (isso para ficar nos que mais conheço)?
Ante isso, fico entre duas questões: TV Aldeia, Sistema Público de Comunicação, no sentido do que é relativo ou pertencente a um povo, ou TV Aldeia, Sistema Público de Comunicação, no sentido do que é relativo ou pertencente a um país, estado, cidade? TV Aldeia ou TV Binho? Eis a(s) questão(ões)!!

Uma delícia!

O homem trocado -- Luis Fernando Veríssimo
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O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.
- Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação...
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.
- E o meu nome? Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e...
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar nauniversidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
- Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mêspassado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
- Por quê?
- Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:
- O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
- Se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? - perguntou, hesitante.
- É. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar de sexo?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Só essa mixuruquice?

Impressão da nova prova do Enem vai custar R$ 31,9 milhões
Além da impressão, gráfica fará manuseio e entrega aos Correios.
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Robson Bonin Do G1, em Brasília
A impressão da nova prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será realizada nos dias 5 e 6 de dezembro, vai custar R$ 31,9 milhões, segundo contrato assinado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) com a gráfica “RR Donnelly Moore”, publicado na edição desta quarta-feira (14) do “Diário Oficial da União”. Além da impressão das provas, a gráfica será responsável pelo manuseio, embalagem, rotulagem e entrega dos cadernos de provas do Enem aos Correios.
A notícia de quebra do sigilo do exame fez com que o Ministério da Educação cancelasse a prova que seria aplicada para mais de 4 milhões de estudantes.
Publicada à página 67 do caderno três do Diário Oficial, a contratação da nova gráfica não traz detalhes sobre possíveis procedimentos de segurança que terão de ser adotados pela empresa para evitar que um novo vazamento, como o ocorrido no dia 1º de outubro, volte a acontecer.
O Inep pesquisou o mercado em busca de gráficas com a certificação necessária que pudesse executar integralmente o objeto"
O Ministério da Educação, em parceria com a Polícia Federal, a Força Nacional de Segurança e os Correios, trabalha para elaborar uma nova estratégia de segurança para evitar outro boicote ao Enem. Esse planejamento é mantido em sigilo para evitar o comprometimento das operações.
A empresa foi contratada na modalidade de “dispensa de licitação”. No contrato, o Inep afirma ter pesquisado no mercado uma relação de empresas que teriam capacidade para realizar a impressão da prova: “O Inep pesquisou o mercado em busca de gráficas com a certificação necessária que pudesse executar integralmente o objeto”.
Assinam a publicação o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, e o coordenador de despesas do órgão, Claudio Francisco Souza de Salles.

Palavras ao vento

Meu pensar vai fundo...
Quanto mais fundo, mais escuro, que, às vezes, me perco...
Me acho, me encontro de novo, e vou escavando, perscrutando o segredo e as verdades das coisas, das pessoas, do universo.
E quanto mais escavo, e quanto mais fundo chego, mais percebo o quão longe me encontro do fim.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Macunaíma, o herói sem nenhum caráter


A começar pelo próprio autor deste romance, Mário de Andrade foi, no Brasil, um dos maiores idelizadores do Modernismo. Macunaíma, seu mais expressivo romance, é o reflexo mais nítido do homem brasileiro. E era essa sua intenção mesmo: mostrar a nossa cara, como disse Cazuza, em uma de suas canções.
O Brasil sempre teve dificuldade de reconhecer o que lhe é autóctone. A Europa, até hoje, nunca deixou de nos servir de modelo, infelizmente. Corajosamente, em contraste a essa ideia, Mário revolucionou. Arrebentou. Gritou para o mundo inteiro ouvir: Brasil, mostra a tua cara! Mostrou a cara linguística brasileira, os costumes, as ideologias, as lendas, os misticismos, os fatos históricos ocorridos por aqui.
A lógica norteadora do romance de Andrade é a mistura: Macunaíma, filho de uma índia, nasce negro e feio; tem dois irmãos, Maanape e Jiguê -- o primeiro, índio; o segundo, negro. Portanto, o autor, sábia e destemidamente, revela em seu personagem a mais completa feição do brasileiro, e sugere um incompleto processo de formação do nosso povo.
Enfim, o alvo maior do autor era discutir, na forma e no conteúdo do romance, como o brasileiro ainda não tinha completado seu processo de formação, seu caráter, sua identidade nacional.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

"Arte pela arte" ou "merda por merda"?

A aderência geral da população brasileira às merdas cantadas por essa tal Banda Dejavu só revela a condição cultural e educacional deste país. Sempre foi assim e não há indício algum de que um dia será diferente. O dilema é o seguinte: quanto menos precisarmos pensar, melhor!
Na escola temos uma miséria educacional: em linhas gerais, quando muito a escola faz, consegue miseravelmente alfabetizar.
P.S.: Aqui, tudo o que é merda "pega" logo!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Famosos também são humanos

No último dia 20, num show em Paraguaçu Paulista, o cantor Daniel, todo enxerido, puxou uma policial militar para dançar. Trecho do show foi gravado pelo público e foi parar na internet.
Antes de iniciar o show, a policial entregou uma Bíblia ao cantor, por isso pensou que o mesmo estivesse tentando agradecê-la em público.
Durante a dança, a policial militar explicou para Daniel que poderia ser presa. Aí foi que o bichão se exibiu mesmo: fez o gesto de que estava sendo algemado e disse à policial que seria preso com ela. Isso quase deu em coisa séria (para a policial, é claro): a PM instaurou um processo, que posteriormente foi arquivado.
"Aquela atitude minha não seria correta, talvez. Eu não imaginava jamais que a coisa fluiria dessa forma, dessa maneira", disse Daniel ao Bom dia Brasil.
Cá entre nós: dentre toda a multidão, Daniel não poderia ter "mexido" com ninguém pior -- a policial é considerada de conduta exemplar, é evangélica e seu marido é sargento e pastor. Puts: poderia até ter levado um tiro por mexer no que é dos outros (risos)! Abaixo o vídeo: