segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O jovem e o emprego

Estudos têm mostrado as transformações pelas quais vem passando o mundo moderno. No mercado de trabalho, por exemplo, vêm ocorrendo, sobretudo após a Revolução Industrial do séc. XIX, inúmeras mudanças e adaptações.
Novas profissões aparecem todos os dias, ao passo que outras deixam de existir. Um exemplo deste último caso é que, com a evolução tecnológica, cada vez mais pessoas são substituídas por máquinas nos setores de produção industrial. Isso, dizem alguns economistas, é a causa principal do desemprego mundial; outros, discordando, preferem acreditar (e eu estou com esses) que as decisões políticas dos nossos governantes é que são a causa real do desemprego no mundo.
Diante dessa loucura, fruto de um sistema capitalista, como fica a situação do jovem deste século? O mercado exige dele algo impossível – experiência profissional. Para efeitos de exemplificação, como pode um jovem estudante de Administração ter experiências profissionais sem nunca ter trabalhado?
Assim, resta ao jovem contemporâneo uma única saída: correr atrás de estágios remunerados (ou não) que, além de lhe garantirem uma renda mínima (bolsa), lhe proporcionam o aprendizado de uma profissão.

domingo, 8 de novembro de 2009

Uma mentira etimológica

Como eu, certamente você já viu algum professor evocar a etimologia (origem) de certas palavras para explicar, esclarecer ou comentar algum assunto. Quem não se lembra, por exemplo, das aulas de ortografia, em que o professor de Português explicava que a palavra ortografia é formada pelos elementos gregos orthós, que significa reto, correto, direito; e graphiem, que quer dizer grafia, escrita? Ou das aulas de introdução à Biologia, onde se dizia que bio significa vida, ao passo que, logia, estudo. Pois é.
O conhecimento da origem das palavras, isto é, de sua etimologia, é importante, entre outras coisas, para investigarmos os múltiplos processos mentais que levam os falantes de uma língua a reanalisar e a reinterpretar os sentidos originais das palavras, refazendo novos sentidos, dando nomes velhos a coisas novas, devido à semelhança de forma ou de uso.
O problema é que nem sempre conhecemos, de fato, o real significado original da palavra ou expressão em questão, e nos apressamos em apresentar a quem falamos ou escrevemos etimologias sem pé e sem cabeça.
Certa vez, precisei participar de uma capacitação pedagógica para ministrar cursos profissionalizantes como mediador ligado a uma determinada instituição educacional. Fui.
Logo de início, na tentativa de reinterpretar a nomenclatura e o conceito de certos elementos da educação atual, como o aluno, que, de acordo com essa teoria, passaria a ser educando; o professor, mediador, etc., etc., a palestrante disse que a palavra aluno deriva do latim alumnu, e seria formada pelo elemento a-, que indica negação, privação, mais lumnu (luz, brilho). Dessa forma, o significado original apontaria para algo como “aquele que vive nas trevas, que não tem luz, sem brilho”, o que justificaria o fato de esse aluno precisar de um mediador que lhe mostre o caminho, e tal. Mentira etimológica! Tudo mentira!
Na verdade, aluno deriva do verbo latino álere, que quer dizer “fazer aumentar, crescer, desenvolver, nutrir, alimentar, produzir, fortalecer”.
Bem na origem, alumnu significava, em latim, “criança do peito, menino que está aprendendo, discípulo”. Nada com essa besteirada toda de “sem luz” ou “sem brilho”. Nada a ver. Essa só é mais uma mentira etimológica que alguém inventou; mas como toda mentira tem perna curta...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

aLgUmA pOeSiA

MOTIVO

Eu amo e é só. Mais nada.
Eu amo porque sofro, e sofro porque amo.
Eu, simultaneamente, amo e sofro, sofro e amo.
Amo como a mim mesmo;
Por vezes, amo até mais que a mim mesmo, reconheço.
Fosse eu um pássaro, seria um beija-flor;
Se poeta, sou poeta do amor.

Tiago Tavares

domingo, 1 de novembro de 2009

Um caso

Dentre tantos casos de purismo linguístico, escolhi, neste textinho, comentar um – a famosa condenação purista da utilíssima expressão “outra alternativa”.
Dizem os propagadores do purismo exacerbado que, na formação da palavra alternativa, está presente o elemento alter, que em latim já significa “outro”, de maneira que, dizer ou escrever coisas do tipo “não tenho outra alternativa” caracterizaria redundância, ou mesmo pleonasmo vicioso, como se nós, falantes, tivéssemos que interpretar as palavras por pedaços, como se tivéssemos de conhecer a origem de todas as palavras que usamos, como se fosse suficiente dizer "não tenho alternativa". Bobagem!
Levando a cabo o mesmo raciocínio torto, dizem ainda que não se deve (é assim mesmo que eles se pronunciam, sempre em tom autoritário, nunca sugestivo ou alternativo) dizer ou escrever frases como “essa/esta é a única alternativa que...”, pois, se existe na palavra o elemento latino alter, isto é, “outro”, segundo eles, seria necessário que houvesse pelo menos duas “coisas”, para que se pudesse alternar entre uma e outra. Mil vezes bobagem!
Sei que os que me leem até se surpreendem quando digo que há manuaizinhos de gramática e professores de língua portuguesa que proliferam esse tipo de explicação estapafúrdia por aí. Mas há. Por incrível que pareça, há.
Sobre esse tipo de explicação irracional, qualquer pessoa que use minimamente o seu cérebro pode fazer, logo de cara, a seguinte pergunta: Égua! desde quando se fala latim no Brasil? Temos quase duzentas línguas sendo faladas atualmente aqui, e nenhuma delas é o latim, sabemos.
Portanto, queridos, nem precisa dizer que “outra alternativa” é expressão perfeitamente legítima e amplamente usada em praticamente todos os textos escritos na mídia brasileira e verificável na fala dos quase 200 milhões de brasileiros (sem falar da chamada grande literatura, é claro).
Dessa forma, a “única alternativa” que nos resta é usar essa expressão sempre que sentirmos vontade, sem medo algum das caretas que fazem os puristas. “Outra alternativa” é a gente mandar eles irem “catar coquim” ou pedir que enfiem a viola no saco e deixem nossa língua sossegada.