sábado, 27 de fevereiro de 2010

Oficina de Leitura e Produção Textual

Sábado, para mim e para meus educandos, é dia de Oficina de Leitura e Produção Textual. Trata-se de um espaço para leitura e escrita que funciona na escola Serafim da Silva Salgado, premiada algumas vezes por sua gestão.

A proposta da Oficina de Leitura e Produção Textual,  vinculada ao projeto Escola Aberta, é promover a leitura e a escrita, fundamentalmente. Além da Escola Aberta, durante a semana,  funciona na escola o "Mais Educação!", projeto do Governo Federal que simula o ensino integral. Disse simula porque, a meu ver, ainda está longe de ser ensino integral. Tem que melhorar muito.

Hoje, na Oficina, discutimos um pouco sobre a situação cultural do Brasil, sobre níveis e tipos de cultura. Fizemos leitura e interpretação da crônica "O Padeiro", de Rubem Braga. Depois, fomos à biblioteca da escola e acordamos investigar um pouco da 2ª Guerra Mundial, momento histórico interessantíssimo e cheio de mistérios. No próximo sábado, a sensibilidade de meus educandos será tocada pelas cenas do clássico "O menino do pijama listrado".

Veja trailer do filme!


Sinopse

Alemanha, 2ª Guerra Mundial. Bruno (Asa Butterfield), de 8 anos, é filho de um oficial nazista que assume um cargo em um campo de concentração. Isto faz com que sua família deixe Berlim e se mude para uma área desolada, onde não há muito o que fazer para uma criança de sua idade. Ao explorar o local ele conhece Shmuel (Jack Scanlon), um garoto aproximadamente de sua idade que sempre está com um pijama listrado e do outro lado de uma cerca eletrificada. Bruno passa a visitá-lo frequentemente, surgindo entre eles uma amizade.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Saúde Pública: propaganda enganosa


Sou um observador-amador de propagandas em geral. Elas me interessam, prendem minha atenção, sobretudo quando são bem boladas, quando seus autores têm boas sacadas. Poucos autores têm boas sacadas.

Se vejo a programação local, dificilmente preciso de mais que dez minutos em frente ao televisor para assistir a alguma propaganda do Governo do Estado do Acre. Há diversos tipos: há as que alertam sobre a dengue; as que falam de obras que ainda serão iniciadas; há as que mostram obras concluídas (rodovias, estradas, alguns bairros periféricos que nunca haviam sabido que cor tem o asfalto); as que anunciam, por exemplo, a chegada de um helicóptero para o Estado; e, entre outras tantas, há as que teriam como objetivo divulgar o investimento feito na área da saúde pública acriana. São tantas e de tantos tipos; todas, porém, com a mesma finalidade: ser, acima de tudo, propaganda.

Mais recentemente, as que tratam deste último assunto – saúde pública – têm amplificado bastante a divulgação da criação de duas UPA – Unidade de Pronto Atendimento, sendo uma no Tucumã e outra no 2º Distrito – que alguns já chamam (às vezes com razão e, às vezes, com certo exagero e ironia, depende de quem chama e do caso, eu acho) de Unidade de Péssimo Atendimento. Eu, particularmente, acho elegante e simpatizo com a paródia; quanto ao exagero, como disse, depende do caso. O certo é que, não raramente, esses projetos megalomaníacos do Governo têm servido mais de paródia do que atendido às reais necessidades da sociedade acriana.

Hoje fui ao recém-reformado Centro de Saúde Hidalgo de Lima, situado no Palheiral: exames rotineiros precisavam ser mostrados a um clínico-geral para ver como está minha saúde.

As estruturas e instalações do prédio estão excelentes; mas falta o principal: rápido e bom atendimento. Para que nos serve um belo Centro de Saúde, com ares-condicionados, portas hidráulicas, forro PVC e sem atendimento humanitário? Digam-nos, assessores de Binho Marques! Expliquem-nos, porta-vozes do Governo!

Sempre que preciso da saúde pública deste Estado, passo (e eu sei que não é só eu), no mínimo, por uma prova de paciência. Hoje, foram 4 horas de espera, para, finalmente, consultar o médico.

A realidade dos Centros de Saúde de Rio Branco (sejam eles UPA ou não) é diferente da propaganda veiculada pelas emissoras. Só quem sente na pele o que é sair às 3h da madrugada para tentar uma ficha num dos postos de saúde da capital sabe o preço da realidade.

Sem compromisso com a realidade, as propagandas mentem, iludem, convencem. Até parecem, mas não são. Isso revela o poder que há em se ter uma emissora (ou emissoras) à disposição de um Governo inteligente.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Singela homenagem

No dia 14 de novembro do ano passado, uma tragédia. Eu já estava dormindo, após ter ido deixar minha noiva em casa. Eram por volta de 2h da madrugada, quando o telefone tocou: minha noiva, desesperada, pedia que eu a acompanhasse ao PS, para onde ela já estava se dirigindo com sua mãe, numa ambulância do SAMU.
Aos 71 anos de idade, dona Francisca, minha sogra, teve um infarto do miocárdio, isto é, um tipo de parada cardíaca grave. Foi parar na UTI.
Completados 11 dias de UTI, exatamente no dia 24 de novembro (7 dias após meu aniversário), veio o pior: dona Francisca faleceu (Deus a tenha!) Que desespero! Que dor! Que tristeza!!
Aqui não valem os comentários e piadinhas sobre sogra. Dona Francisca era -- Deus o sabe -- como uma mãe para mim.
A homenagem é pequena e simbólica para tão grande mulher. No entanto, revela a saudade que sentimos, depois de quase três meses que "Fran" nos deixou.
Segue poema assinado por minha noiva.
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À Fran,
Saudade

Sinto saudade,
Por que se foi tão cedo?
Que maldade!
Deixou-me com medo.

E agora o que faço?
Estou perdida, em pedaços.
Fica a despedida.

Com muita dor,
Lembro-me do que se passou,
E com alegria, lembro-me do amor
Que você deixou...
***
Jamara Silva

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Cassete de agulha!!

Mineiro doador de sangue indica: "Quem nunca doou, pode vir doar, que não dói nada". Aperte o play e assista!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Adão e Eva, que lindos!

Em dias de Carnaval, (alguns) foliões aproveitam para fazer tudo o que é considerado proibido (essa brincadeira levou vários mijões à cela no Rio). No vídeo abaixo, um casal anda pelado na rua totalmente despreocupado com a história do Brasil. Veja:

Também leio Aldo Nascimento


Leio Sírio Possenti, como disse abaixo; também leio Aldo Nascimento (foto ao lado). Ler bons autores é o meu Carnaval. Releio, no momento, Norma Culta Brasileira, de Carlos Alberto Faraco.

EntreVista, de Aldo Nascimento

Em época de Carnaval, a inteligência, tão raríssima na TV, desaparece quando, por exemplo, aquele repórter pergunta ao folião se o Carnaval está alegre ou quando aquele folião diz que o Carnaval está alegre. Detalhe: repórter e folião concluíram o ensino superior.

Se isso é superior, estive com Georges Minois em Rio Branco para entrevistá-lo sobre o reino de Momo. Minois não é repórter e nem trabalha na TV Aldeia. Historiador francês, ele publicou História do riso e do escárnio, um belíssimo livro sobre o Carnaval.

EntreVista

Minois, há três dias você assiste ao Carnaval de Rio Branco, qual sua observação?
Georges Minois - Diferente do que o russo Bakhtin escreveu, o riso na Idade Média é usado a serviço dos poderes, ou seja, ele é mais conservador do que destruidor. Em Rio Branco, o riso de Momo é domesticado, não zomba dos que exercem o poder em Rio Branco. Aqui, o poder público organiza o Carnaval conforme seu entendimento. Organiza para dominar sua subversão simbólica.

Subversão simbólica?
Georges Minois - Sim, Momo é um mito que subverte a ordem dos deuses, ou seja, ele coloca em seu reino o poder do avesso. No Acre, o governo do Estado organiza o Carnaval para alterar o sentido dessa festa e, nesse sentido, o poder não aparece do avesso por meio do riso, do sarcasmo.

O poder sempre buscou domesticar Momo?
Georges Minois - Eu digo em meu livro que o Carnaval muda de tom no século XVI. Eu poderia lhe dar vários exemplos, mas fico com o que ocorreu nas cidades flamengas. Nelas, o imperador interdita a festa do Rei dos Bobos. Nessa época, o cômico é substituído pelo didatismo, como ocorre em Rio Branco. Aqui, a interdição existe, ela é sutil.

Suas últimas palavras.
Georges Minois - Isso que está aí não é Carnaval, o poder público matou o sentido original do reindo de Momo, e o que restou ao povo foi brincar sobre seu cadáver.


Eu indico: blogue de Aldo Nascimento: http://lingualingua.blogspot.com/

Leio Sírio Possenti

Muito do que penso e escrevo sobre língua tem a ver, obviamente, com o que leio de outros autores. Na maioria, autores que conheci no decorrer do curso de Letras, que estou quase concluindo. Sírio Possenti é, sem dúvida alguma, um dos meus maiores e preferidos formadores de opinião. Leio sua coluna toda semana.

Neste período de Carnaval, fiz uma busca em seu espaço no Terra Magazine para ler alguns temas de meu interesse. Reproduzo abaixo parte de uma das colunas que li hoje:

Não erre mais, Sacconi!
de Sírio Possenti

No dia 25/02/2008, alguns dias depois de ter comentado aqui umas batatadas do Sr. Sacconi publicadas no primeiro fascículo de sua Novíssima gramática ilustrada, recebi dele uma mensagem que começa assim:
- Se o senhor tivesse a hombridade de escrever diretamente para mim, sem deixar transparecer em cada uma de suas linhas sentimentos pouco nobres, que eu conheço muito bem, principalmente em indivíduos de sua estirpe, eu teria muito prazer em lhe dar resposta.
Sentimentos pouco nobres? Estirpe? Vixe!
Depois ele me acusa (para ele, isso é uma acusação) de ser "amigo íntimo" de Marcos Bagno (o que não sou; nós nos vimos poucas vezes; dizemos coisas parecidas, mas isso não tem nada a ver com amizade; mas é claro que não somos inimigos). Finalmente, cita comentários de alguém que falou mal de um livro do Bagno sobre preconceito lingüístico. Sim, nobre leitor, de um livro do Bagno, embora a coluna fosse minha e também os sentimentos pouco nobres...
Chegou a reclamar dos elogios que lhe fiz por ter proposto grafias ousadas para palavras estrangeiras. Ficou chateado porque não fiquei sabendo que mudou de posição, "inclusive na imprensa", sobre a grafia dísel, uma das que elogiei (mas pode ser que não tenha gostado de eu o ter qualificado de franco-atirador...).
Evidentemente, não podia faltar uma pergunta sobre quais são minhas obras e qual sua aceitação no mercado (uma variante burra de "quantas divisões tem o papa?"). Se ele quer saber o que escrevi, que procure, como eu faço com os trabalhos dele, quando não tropeçam em mim, como esse que comentei. Sobre minha aceitação pelo mercado, bem, no quesito certamente ele ganha de goleada. Aliás, queria muito saber como é que a Caixa Econômica chegou a patrocinar a publicação dessa "obra" encartada na revista (eis um tema para o jornalismo investigativo).
O que a mensagem tem a ver com as análises que fiz do que ele escreveu, de seus erros e acertos? Nada, nadica de nada! E por que eu deveria escrever a ele, se o texto que comentei estava encartado em uma revista que assino, que recebi sem pedir? (Aliás, esclareço que denunciei a obra também à revista, mas, certamente, não vai adiantar nada). E por que ele não escreveu a Terra Magazine pedindo para publicar uma refutação de minhas análises? Aliás, se ele quiser, pode mandar para mim; publico no meu espaço na próxima semana. Desde que fale de fonemas, encontros consonantais, soluções ortográficas etc., que foi o que critiquei em seu trabalho. Ou do que vou criticar hoje.
Acho engraçado ele pensar que citações de terceiros falando mal de um livro de outro autor possam fazer com que seus conceitos e análises equivocados se tornem aceitáveis para mim.
Corta.

Dia desses, levei ao banheiro um livro que tenho há algum tempo, Não erre mais!, de Luiz Antonio Sacconi (Editora Atual, 1998). Sim, eu tenho trabalhos dele, me interessam - até porque estudo humor. Abri ao acaso e, na página 21, li o seguinte:
__________________________________________

Menas roupa ("menas" está em vermelho)
No causticante calor ou no mais rigoroso frio, procure usar sempre menos roupa, caro leitor.
Acredite: é mais saudável!

Quem usa menas roupa, só revela a completa nudez em que se encontra...Em suma: menas é palavra que não existe em nossa língua. Use apenas menos.
________________________________________

Nem vou comentar a vírgula que segue "quem usa menas roupa", embora ele, provavelmente, pelo que se pode ver nesse mesmo livro, viesse a se divertir às custas de quem usasse a mesma pontuação, especialmente se se tratasse de um cidadão comum, dos que dizem menas. Só queria entender melhor o que quer dizer "menas é palavra que não existe na nossa língua". Ora, é óbvio que existe. Milhares de falantes a empregam. Tanto que ele os corrige. Sacconi é como aqueles filósofos a quem Galileu pediu para verem as luas de Júpiter em seu telescópio e respondiam que, se Aristóteles não falava das luas, então elas não existiam. Pode-se dizer que menas não é forma culta, que gente educada não usa, não escreve, que dói no ouvido, pode-se dizer o diabo. Mas não que não existe.
(Do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa: "No Brasil, na linguagem coloquial desescolarizada, ocorre a forma deturpada menas (pron. indef.), em concordância de gênero com o subst, que se segue (menas confiança comigo, hein!)". Um bobo, esse Houaiss.).

***

P.S.: Imaginei que se reproduzisse toda a coluna, poucas pessoas -- dos poucos que passam por aqui -- leriam (que imaginação a minha, não? rsrs...).
Nem preciso dizer que concordo em absoluto com as análises e comentários feitos por Possenti. Quem tiver interesse em ler a coluna inteira e outros textos do autor, segue o endereço:
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2658525-EI8425,00-Nao+erre+mais+Sacconi.html

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Neste Carnaval, faltou senso de ridículo!!

"Viva o Carnaval na Floresta Digital!", é o tema deste Carnaval organizado pelo Governo do Estado do Acre. Não gostou do tema? Achou-o estranho, sem graça ou sem correlação alguma com o verdadeiro sentido histórico do Carnaval? Não desanime, a música-tema é, semanticamente, ainda mais vazia, para não ter que dizer ridícula. Quem terá sido o autor de tão "perfeita obra", hein?
O que tem a ver Carnaval com Digital? Talvez o -al final, presente nos dois termos. Grandes merrrda!!!

Sobre a decisão do STF, Arnaldo Jabor

Arnaldo Jabor, comentarista do Jornal da Globo, fala sobre a corajosa decisão do Superior Tribunal Federal ao decretar a prisão de José Roberto Arruda, governador do DF. Assista!

O caso Arruda

Ele foi preso. Até que enfim! Falo de José Roberto Arruda, sem partido, ex-DEM, governador afastado do DF.

Depois de muitas manifestações e protestos em frente ao Planalto, Arruda, finalmente (Já estava mais do que na hora!!), pernoitou, de ontem para hoje, na sede da Polícia Federal.


O problema é que, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, pode anunciar, a qualquer instante, a decisão do pedido de habeas corpus (que pode ser positiva) feito pelo governador de Brasília. Se a decisão for a favor do acusado, Arruda pode (acreditem!) voltar ao cargo.

A PF, de quando em quando, nos dá 15 minutos (não mais que isso) de alegria, fazendo apreensões importantes. O STF, por sua vez, solta os caras (lembram do banqueiro Daniel Dantas?).

Desta vez foi o próprio STF quem decretou a prisão. Espera-se que depois o mesmo não decida pela soltura, como quase sempre (nestes casos) faz.

Sinceramente, a história me força a acreditar que, como outros casos, o de Arruda, infelizmente, não vai dar em porra nenhuma, afinal de contas, senhores, estamos no Brasil!

Como dizem Os Titãs, aqui, acima da lei, o dinheiro!


Até quando?...
às 23:20

Horas depois que escrevi o texto acima, foi divulgada a decisão do STF. Arruda continua preso, pois seu pedido de habeas corpus foi negado. É claro que o STF não fez nada demais, a decisão negativa era a resposta que o Brasil (e principalmente Brasília) esperava, no mínimo.

Agora, resta saber até quando o STF vai aguentar a pressão, que é forte, diga-se. Hoje a decisão é negativa; amanhã...
Lembro-me das palavras de Drummond: "o amor é assim: hoje beija, amanhã não beija". STF: hoje manda prender, amanhã manda soltar.
Aí é foda!


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Ele bateu bundinha!

O glorioso Caetano Veloso (um dos maiores compositores de todos os tempos, na minha opinião) "bateu bundinha" (digam o que quiserem!!) com Márcio Vitor, vocalista do Psirico, durante um show do grupo, ontem, em Lauro de Freitas, cidade próxima a Salvador.
Em ritmo carnavalesco, Caetano [que, às vezes, não contente em ser um dos maiores compositores do país, desastrosamente, opina sobre línguas, em seu blogue] deu uma canja no palco do Psirico e cantou duas músicas em parceria com Márcio.
Luiza Possi e Thiago Martins também fizeram um dueto no mesmo evento.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A divisão entre inteligentes e imbecis na política, por Arnaldo Jabor

Reunião da cúpula

Ontem houve reunião da cúpula na sede do PT. Estavam todos lá, sorrindo à toa: o governador Arnóbio Marques, o ex-governador Jorge Viana (que não poderia faltar, é claro!), o prefeito Raimundo Angelim, além de outros parlamentares e líderes – menos importantes, digamos assim.
O motivo da reunião, segundo o agazeta.net: um apelo ao deputado Fernando Melo para que este, aceitando a reelição, reforce a chapa da FPA (Frente Popular do Acre) na disputa por uma das vagas na Câmara Federal.

Li a matéria em dois sítios (um deles mencionado acima); e assisti à reportagem no Bom Dia Rio Branco, apresentada pelo âncora Floriano de Oliveira.
As imagens exibidas pela TV Rio Branco, hoje cedo, denunciavam o clima de festividade da cúpula e a alegria devido à aceitação de Fernando Melo ao apelo petista.
Eu, mero eleitor e atualmente desempregado, ao ver o sorriso colgate do ex-governador e de seus aliados, sem tirar a bunda do sofá, pensei com os meus botões: eu também estaria muito, muito feliz mesmo, saltando de alegria, se estivesse ganhando os R$ 23.000 que o seu Jorge Viana e todos os demais ex-governadores do Acre ganham, de acordo com o jornalista acriano Altino Machado. E tem mais: essa pensãozinha é vitalícia.
Como diz o ilustre apresentador do programa Gazeta Alerta, Edivaldo Souza, puxando uma bagatela dessas mensalmente, meu chapa, “babau, bacurau!!!” Adeus tristeza!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Desatando alguns nós

Ontem foi dia de oficina de leitura e produção textual. Ao passo que caminhava para a escola Serafim da Silva Salgado, pensava na situação dos meus alunados, que refletem, sem dúvida alguma, a massa periférica de todo este imenso e castigado país.

Pensava sobre a alfabetização e o letramento que alguns deles receberam - e outros ainda recebem - na escola. Por alfabetização, entenda-se aqui, apenas para efeitos de classificação, o ato de aprender a ler, de conseguir decodificar com o mínimo de sentido as palavras escritas em língua materna. E letramento como sendo a perpetuação do hábito da cultura de leitura e de escrita.

A partir dessas determinações e do trabalho de avaliação que temos realizado, concluí que alguns dos educandos que participam das Oficinas foram, de fato, alfabetizados, embora nunca tenham conhecido o significado de letramento, muito menos sua prática. Isto é, sabem ler, mas não leem. É mais ou menos como fazer auto-escola, passar na prova do DETRAN e nunca mais pegar no volante de um carro para dirigir. Concluí também haver educandos na Oficina (a maioria deles) que mal foram alfabetizados: leem muito mal e escrevem quase em outra língua. Lamentavelmente, esta é a situação deles.

O primeiro passo do longo trabalho a ser realizado, é mudar os hábitos de meus alunos. Eles não encontram sentido longe da televisão e dos passatempos da vida. São alienados. Ao assistir a um documentário de aproximadamente trinta minutos sobre Carlos Drummond de Andrade, ficam inquietos. No entanto, conseguem ver 2 horas de Domingo Legal. Para desenvolver, é necessário mudar hábitos.

Meus alunos verão belos filmes no correr das Oficinas. Aprenderão a escrever com sentido. Lerão bons livros; e descobrirão o prazer que há nisso. Com o tempo, eles sacam que a vida é muito mais do que ficar horas em frente à televisão ou em frente ao computador conversando bobagens, ou ouvindo músicas eletrônicas em outro idioma - músicas que, ainda que fossem traduzidas, nada de significante diriam aos seus inocentes ouvintes.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Floresta Digital

Floresta Digital está se tornando re-a-li-da-de. O lançamento do projeto foi hoje, no Mercado Velho. É internet gratuita para todo o Estado do Acre. Já há cobertura de 80% da capital, segundo o governo.

Os primeiros usuários dizem que a conexão é boa. Resta saber qual será a qualidade dessa internet quando houver milhares de usuários conectados. Se for boa, será mais R$ 140,00 no meu bolso mensalmente; e eu volto a votar no PT. Brincadeira.

Espero que valha a pena cancelar meu contrato com a Oi, que me esfola todo mês.

Vídeo de lançamento do projeto Floresta Digital:


Mais informações no sítio: http://www.gestao.ac.gov.br/florestadigital/

Humberto & sua música

De algum tempo para cá, sempre que posso, pego meu velho e terapêutico violão para dedilhar melodias que servem de "cama" à minha arranhada voz. A música é uma das minhas paixões. É terapia para mim.
Certo dia, experimentei ouvir e conhecer um pouco do que dizia em suas músicas Humberto Gessinger, compositor e vocalista da histórica banda Engenheiros do Hawaii. O encontro com suas letras foi surpreendente: descobri um mundo onde a palavra é explorada e combinada a belíssimas melodias. Nunca mais deixei de ouvir Engenheiros.
Humberto é descendente de alemães e italianos, arquiteto nascido em Porto Alegre, RS. Humberto é desses compositores intelectuais de mão cheia, é músico completo, sabe fazer boa música. Suas letras levam um pouco dos seus estudos de Arquitetura e são verdadeiras obras de Engenheiros. Pressione o play e curta "Guantánamo", umas das minhas preferidas.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Mais que números: qualidade

O portal de notícias do governo do Estado do Acre estampou a manchete: “Poronga atinge 99% de aprovação em Cruzeiro do Sul.” E segue a matéria, veja:

Com 99% de alunos aprovados, o Projeto Poronga realiza nesta quarta-feira, 03, em Cruzeiro de Sul a cerimônia de colação de grau de 269 estudantes do ensino fundamental de 5ª a 8ª série. A entrega dos certificados acontece no Teatro dos Náuas.
Na próxima sexta-feira, 05, são os alunos de Sena Madureira com 187 concludentes e 98% de aproveitamento. No dia 06 de fevereiro as turmas de Rio Branco com 600 formandos, Vila Campinas com 40 alunos, Senador Guiomard, 65 e Bujari com 88 alunos receberão os certificados. As colações se encerram com as formaturas nos dias 10 e 11 de fevereiro em Feijó e Tarauacá, que diplomam 163 e 220 jovens respectivamente. No total, o Poronga atingiu nesta etapa 2.080 estudantes em todo o Acre, que agora podem ingressar no ensino médio.
O Programa Especial de Aceleração da Aprendizagem de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental para alunos em distorção idade/série - Projeto Poronga, foi criado em 2002, em parceria com a Fundação Roberto Marinho. A metodologia aplicada é o grande diferencial do projeto, que já acelerou a aprendizagem de aproximadamente 20 mil jovens.
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Breve comentário:

Para quem conhece de perto o projeto e é intelectualmente honesto, ao ler um texto com esse, algumas perguntas são inevitáveis: qual a metodologia aplicada para a aprovação desses estudantes? Quais critérios foram usados? Por que 99%? Se supostamente eram 100 educandos, só um se deu mal? Esse programa, de fato, acelera o aprendizado desses estudantes? Qual o nível de qualidade de ensino do projeto Poronga?
O x da questão é: os números nunca podem ser mais importantes que a qualidade do programa. É bom que se tenha números. Mas é necessário qualidade!