quinta-feira, 29 de abril de 2010

Progressar

De Sírio Possenti
De Campinas (SP)

 
A Folha de S. Paulo (25/04/2010) publica uma carta de leitor que diz, resumidamente: ouve que a nova onda dos candidatos é tuitar; sugere que os eleitores devem ficar espertos, porque os que agora tuitam depois vão desviar, enrolar, roubar, ou seja, "corruptar"; por fim, conclama a identificá-los e deletá-los.
É um texto bem humorado, além de militante da causa da decência, uma das mais difíceis de emplacar. Parêntese: não gosto de falar em corrupção de políticos porque ninguém nasce político, e minha opinião é que político corrupto é um corrupto que se tornou político (talvez porque então tudo fica mais fácil).
Mas meu tema são os verbos, os novos e os inesperados.
Um dia desses, assistindo a um filme legendado, vi a forma "progressaram" - vocês progressaram muito. Não sei quem faz essas traduções. Às vezes, parecem falantes de espanhol que estudaram um pouco de português. Não que isso seja necessariamente ruim, mas, se for um fato, o mercado (o Itamarati?) precisaria se mover de outra forma. Talvez casos assim indiquem quais diretrizes o deputado Aldo Rebelo deveria ter sugerido em seu projeto, em vez de pensar em multas aos usuários de estrangeirismos.
Mas, como disse, meu tema são os verbos. Especificamente, tuitar, corruptar e progressar. O primeiro circula sem qualquer problema. Não sei de ninguém que o ataque por ser novidade ou estrangeirismo. "Tuitar" deriva bem normalmente de "tuit" - com a óbvia adaptação ortográfica.
Os outros verbos são menos comuns: "corruptar" soa como brincadeira, até porque está entre aspas, uma piscada dirigida ao leitor. O que importa é que se trata de um verbo da primeira conjugação (como todos os verbos novos do português), derivado de ou diretamente associado a "corrupto", como para tornar mais clara a relação entre as duas palavras.
Obviamente, "progressar" tem com "progresso" o mesmo tipo de relação que "corruptar" tem com "corrupto". Estas duas formas verbais não existem no sentido de que não são correntes em uma comunidade lingüística, é verdade. Elas permitem acesso à verdadeira gramática de uma língua (são indícios dela), o conjunto de princípios ou regras a partir dos quais os falantes "geram" as formas que proferem. Às vezes, ela é acompanhada pela história "exterior" da língua, que, no frigir dos ovos, conta muito.
A gramática não é o compêndio que diz que certas formas são corretas ou erradas. É a máquina que as gera. Esta máquina é acompanhada pelo olhar atento da "sociedade". Curiosamente, às vezes as formas irregulares são preferidas e as regulares são mandadas para o lixo. Mas elas sempre voltam, especialmente na fala de estrangeiros e de crianças e em textos de tom humorístico.

***

A ISTOÉ 2111, de 28/04/2010, elogia Sacconi por ter tido a coragem de registrar neologismos (por exemplo, "mensalão") em seu dicionário. Ora, a decisão equivale à de um naturalista europeu que catalogasse a jabuticabeira e o papagaio. É uma boa medida de "nossa" mentalidade no trato com a língua.
A matéria também diz que uma língua não para de incorporar novas expressões, devido "a um fenômeno da linguística chamado neologia". É como dizer que a queda das folhas é um fenômeno da botânica. Perdoai-lhes, Senhor!

sábado, 24 de abril de 2010

Legendários

Talvez seja cedo para qualificá-lo de bom, mas vou ariscar. Hoje foi a primeira vez que assisti a Legendários, programa apresentado por Marcos Mion e exibido pela Rede Record nas noites de sábado.

Não vi todo o programa, mas gostei das matérias que “peguei”. É, parece-me, uma mistura de jornalismo com humor inteligente, tipo CQC.

Falta à nossa TV aberta bons programas, inteligentes, destemidos, satíricos. Chega de bundas e seios e banheiras e mulheres-frutas, precisamos de inteligência na TV brasileira.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Língua e Mídia

Neste meu feriado, aproveitei, dentre outras atividades, para acompanhar telejornais na íntegra. Assisti ao Jornal do SBT, vi trechos do Jornal Nacional e vi quase todo o Jornal da Record.

Numa matéria exibida por este último, uma repórter, Natália Leite, se não me engano, falava sobre perfil profissional. Dentre as qualificações esperadas, dizia ela que para aquela profissão (não me lembro de que profissão falava) era pré-requisito que o candidato “falasse corretamente”.

Cá no meu sofá, ingenuamente, fiz-me algumas perguntinhas básicas. Primeiro, o que é falar corretamente? É falar de acordo com as regras prescritas nas gramáticas? Onde estão os limites do que é certo e do que é errado em fala? E quem os determina? Quem tem autoridade para dizer o que é certo e o que é errado em termos de língua? Os gramáticos?

Certamente, as respostas para essas perguntas jamais serão encontradas numa matéria de Natália Leite na Record ou em Veja, ou num desses livrinhos ruins do suposto “português correto” do tipo "Três milhões de erros a serem evitados", que trazem regras copiadas de outros igualmente ruins ou piores.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Falta de educação ou de uma boa coça?

O objetivo deste texto é desancar uma galerinha que anda fazendo baderna dentro de ônibus, ou busão, como diriam alguns deles. Bem que eu poderia falar sobre diversos outros problemas em se andar de coletivo em Rio Branco/AC, mas vou me ater ao dos bagunceiros.

De uns anos para cá, cresceu o número de jovens que saem de suas escolas e ficam “se divertindo” no Terminal Urbano de Rio Branco, eu costumo dizer que “o pessoal tá fazendo mais menino nesta cidade”.

Numa explicação mais científica, algum estudioso diria, talvez, que tem ocorrido na capital uma volumosa transição da pré-adolescência para a adolescência, ou que melhorou a condição financeira da população de baixa renda desta cidade, o que explicaria o crescimento do número de alunos matriculados em escolas do centro da cidade.

Uma ou outra coisa, ou nem uma e nem outra, o fato é que se tornou praticamente impossível circular livremente dentro do Terminal Urbano em horários chamados de pico, devido ao suntuoso número de adolescentes e até adultos que saem das escolas e interditam o espaço. Há algum problema nisso? No número nem tanto, dá para relevar, mas na bagunça sim.

As plataformas do Terminal ficam obstruídas (e as vias também) por uma galera de caixinha de som na mão, fazendo a maior algazarra, alguns brigam entre si, é uma putaria só.

Outro dia entrei no Alto Alegre lotado, e como se isso não bastasse, um jovem rebelde obrigava a todos os passageiros a ouvirem as merdas que ecoavam dos fones de seu celular, que mais parecia um microsytem. Sem mencionar as chupadas e lambidas que muitos deles dão entre si na frente de todos que estiverem presente.

Deveria haver punição para a rebeldia e falta de educação e de respeito desses alienados que curtem essas paradas. A polícia deveria interferir com sanções e multas pesadas àqueles que obstruem intencionalmente as vias do Terminal. Se eu fosse motorista de ônibus...

Se providências sérias não forem tomadas, daqui a pouco esses alienados mentais vão usar as cadeiras dos ônibus para treinar a melhor posição sexual, se já não fazem isso.

domingo, 18 de abril de 2010

O silêncio do cemitério

O barulho da cidade, os motores dos automóveis roncando, das máquinas trabalhando, impedem que paremos e pensemos no quanto somos simples e fracos.

Hoje fui ao melhor lugar para se refletir a vida – fui ao cemitério. Há cinco meses minha sogra faleceu, e hoje fomos eu e minha noiva visitá-la. O silêncio dos mortos nos permite refletir sobre a vida.

Trabalhamos, compramos, vendemos, viajamos, festejamos, comemos, bebemos, brincamos e, no meio disso tudo, não percebemos o quanto somos frágeis.

A mudez do cemitério me mostra que eu devo tratar melhor as pessoas, que eu não tenho o direito de humilhar ninguém, que eu não sou de ferro, a não ser poeticamente; ensina-me que sou perecível, e que um dia estarei emudecido como todos aqueles que estão enterrados. Meu Deus, obrigado por tudo!!

sábado, 17 de abril de 2010

Um mundo que me assusta

Minha correria é diária e intensa, o que me rouba o tempo necessário para acompanhar jornais na íntegra. Apesar do pouco tempo, nos ínterins do meu corre-corre, tenho ficado perplexo diante de notícias assombrosas.

É o Haiti sendo devastado por tremores de terra, é Niterói desbarrancando, é padres confessando abusos sexuais, é avião da esquadrilha da fumaça caindo, é vulcão interrompendo os voos de quase toda a Europa, é filha tentando matar a própria mãe, é tudo. Estou assustado, ando assombrado, estou perplexo diante deste mundo. E amanhã? Só Deus sabe.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

É cansativo; mas é gostoso


No ano de 2006, estava indeciso se prestaria vestibular para o curso de Direito ou se tentaria para Letras/Português. Quis o destino que eu fosse professor em Língua Portuguesa.

Agora, passados alguns anos, desfruto o prazer de lecionar, de ministrar aulas. É verdade que é cansativo, desgastante, como qualquer outra profissão; no entanto, saber que alunos estão desenvolvendo intelectualmente com o seu auxílio nos dá forças para continuar na batalha.

Tenho uns dois anos de sala de aula, com algumas interrupções, e não me arrependo, em momento algum, de ter escolhido viver de dar aulas.

Atualmente estou lecionando de segunda a quinta-feira na escola Serafim da Silva Salgado, de manhã, e de segunda a sábado no SENAC, à tarde. Meus alunos podem ser (se quiserem) testemunha do prazer que tenho em fazer o que faço – lecionar.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Abandono

Triste. Abandonado. Há alguma coisa mais terrível que o abandono? Há quem ache que sim, mas eu, particularmente, discordo.

Feito um cão no meio da noite, ou mendigo jogado na calçada, assim estou. Nu, cego, pobre.

Eu sei: alguém dirá que falar de meu melancólico abandono não é literatura. Pouco me importa; mais do que isso, importa-me [isto sim] ser encontrado por alguém e reerguido. Importa-me que se importem comigo e que eu me importe com alguém. Afora isto, resta-me a desolação e o abandono.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Estava era demorando...

Há aproximadamente dois meses, escrevi neste espaço sobre a prisão de José Roberto Arruda, ex-governador do DF, acusado de ter participado de uma tentativa de suborno ao jornalista Edmilson Edson Moraes.

Foi com alguma alegria que escrevi sobre o caso, sobre a prisão de Arruda; mas já sabia que minha alegria e a de muitos brasilienses e outros tantos brasileiros ia durar pouco.

Preso desde 11 de fevereiro do ano passado, Arruda foi solto hoje, pelo mesmo STJ, Superior Tribunal de Justiça, que o prendeu naquele dia.

Achar que José Roberto Arruda fosse ficar preso o equivalente ao crime que cometeu, crime publicamente confessado por ele mesmo, que pediu perdão para o Brasil e supostamente perdoou seus acusadores, seria querer demais. Às vezes meu clamor por justiça me faz esquecer que estamos no Brasil.

domingo, 11 de abril de 2010

O valor da vida

A vida é um tema sobre o qual, volta e meia, debruço-me. Situações reais do cotidiano me levam, diariamente, à reflexão sobre este bem tão precioso que Deus nos concedeu, a vida.

A tragédia em Niterói ou no Haiti alerta-me sobre a fragilidade e efemeridade de nossas vidas. Nas calçadas, becos e vielas, banaliza-se o sopro de Deus, desvaloriza-se a vida, coisifica-se o ser humano. Na correria da vida, nada disso é percebido. Mata-se outro ser e não se percebe a gravidade de tal ato.

Com menos de dois meses de vida, minha cachorrinha, que ganhei há duas semanas, está desfalecendo e não sei mais o que fazer. Ao vê-la naquele estado, estremecendo-se toda, lutando contra a morte, paradoxalmente, indago-me sobre a vida.

Não em vão, está escrito na Bíblia, livro de grande valor, que é melhor que um homem vá a um velório que a uma festa. É que, mediante a morte, é característica do ser vivo refletir sobre a vida, sobre seu valor.

Tragédias como as que vêm ocorrendo no mundo despertam a solidariedade das pessoas, mexem com nossa sensibilidade. Em Niterói, no Rio de Janeiro, famílias ajudam nas buscas de corpos desaparecidos, cadáveres são carregados de um lugar para outro por familiares visinhos.

Não esperemos que ocorram tragédias para refletirmos sobre a grandeza da vida, unamo-nos e resgatemos valores imprescindíveis, amemo-nos uns aos outros e seremos mais felizes.

 
P.S1: Um beijo no coração de todos os leitores
P.S2: Antes de terminar este texto, minha cachorrinha morreu.

sábado, 10 de abril de 2010

Política, sono e mau humor

Como todo mundo, penso eu, sou instável. Há dias que acredito em tudo, mas há dias que não tenho fé em nada. Ora estou feliz, ora estou triste; ora estou animado para o trabalho, ora bate uma preguiça aguda. É assim.

Quando estou de bom humor, suporto e relevo certas coisas; quando não, repilo-as a seco. Cansado da jornada de trabalho que tive pela manhã e à tarde, enquanto fazia um lanche, acompanhei com sono uma matéria na TV, num jornal qualquer, sobre as eleições 2010.

Mostrava a matéria que hoje foi dia de eventos dos partidos e até de lançamentos de pré-candidaturas à presidência, caso de José Serra. De um lado, apoiado no slogan “O Brasil pode mais”, a oposição salientava sua experiência política e criticava Dilma, chamando-a de candidata despreparada. De outro, Dilma rebatia as críticas com o bordão “O Brasil pode mais porque nós pudemos mais”, e continuou o embate declarando que “Os viúvos da estagnação são os nossos oponentes”.

No sofá da sala, pensava eu com meus botões se ainda creio em discursos de políticos como Serra, Dilma, Lula, entre outros. Refletia se é possível acreditar no que dizem nossos representantes, mesmo depois de tudo que já vimos, nós brasileiros.

Durante a matéria, ao ver um monte de bajuladores babacas gritando o nome dos pré-candidatos, chateei-me e resolvi trocar de canal, porque hoje é um daqueles dias em que não estou para palhaçadas ou falsidades. Cansado, desliguei a TV e fui dormir.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Hobbies e saideiras

Aprendi desde muito cedo o valor do trabalho, trabalho muito (e ganho pouco); mas sou feliz. Passo a maior parte do meu tempo trabalhando, em casa ou fora dela, restando-me pouco tempo para diversão ou hobbies. 

Quando saio, vou quase sempre aos mesmos lugares, gosto de tomar um sorvete na sorveteria da esquina, comer um bom sanduíche, ao passo que rola uma conversa. Vou a bibliotecas, ia a casas de leituras (nunca mais fui), aprecio bons filmes, em casa mesmo (baixo-os da internet ou alugo-os na locadora mais próxima de casa). 

Outra atividade bastante divertida para mim é ir ao teatro, sempre que tenho tempo (quis dizer, R$ tempo). Hoje e amanhã estarará em cartaz "Diálogo dos pênis", no Teatro Plácido de Castro. A entrada é R$ 50,00 a inteira e R$ 25,00 a meia. Se teatro não fosse tão caro...
   

Relaxando...

Esta semana foi bem mais corrida que a passada, quase não dormi, e hoje, sexta-feira, já estou exausto, cansado; mas ainda tenho trabalho amanhã cedo. Para relaxar, nada como uma bela música. Caros leitores, apertem o play e curtam!!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Acrianos e coletivos


Já experimentou pegar um ônibus às 7, às 12 ou às 18h em Rio Branco, AC? Quando isso acontece (e a maioria das pessoas faz isso só todos os dias, quando pode), a primeira e inevitável imagem que nos vem à cabeça é de uma lata de sardinha.

Minha experiência de hoje foi com o ônibus que faz a linha do Alto Alegre. Pessoas caindo pelas portas e gente passando mal nos corredores do coletivo.

Fixada em R$ 1,90 (por enquanto, a qualquer hora pode subir), nossa tarifa está entre as mais caras deste país, mais cara, por exemplo, que em Vitória (ES), R$ 1,85, que em Fortaleza (CE), R$ 1,80, que em Teresina (PI) R$ 1,75, que em Belém (PA), R$ 1,70 e mais cara que em São Luís (MA), R$ 1,60.

Ônibus sem ares-condicionados que pedem pelo amor de Deus que alguém lhe faça uma manutenção mecânica. Isso não bastasse, no volante estão alguns motoristas loucos e irresponsáveis que correm contra o tempo e fazem curvas acentuadas em alta velocidade, comprometendo a segurança dos passageiros (velhinhos, gestantes, doentes...) transportados.

Pagamos um absurdo, R$1,90 (ou R$ 2,00, quando os cobradores não têm R$ 0,10 de troco [e isso ocorre quase sempre]) para andarmos no imprensado. O Governo do Estado tem alardeado sobre a troca da frota; mas só trocá-la não resolve os problemas, é necessário trocá-la e aumentá-la. Enquanto isso não ocorre, as empresas de ônibus enriquecem às nossas custas e nós... nos lascamos.

domingo, 4 de abril de 2010

"Mais Educação!", duas palavrinhas

Foi logo depois de um bloco do telejornal local Bom dia Rio Branco, veiculado pela TV Rio Branco, quando começou a exibição de uma série dessas propagandas que terminam dizendo "Brasil, um país de todos", sobre a democracia estudantil alcançada com o ProUni, a qualidade da Saúde Pública, essas mentiras contadas entre um intervalo e outro de algum programa, que o leitor já conhece.

Foi no meio dessa série de propagandas que revi a do “Mais Educação!” – mais um mentira. Na propaganda, pais de crianças que participam do programa em questão diziam com orgulho que seus filhos evoluíram ao ir ao circo, ao participarem de atividades como cinema, teatro, atividades extra-escola, etc., supostamente proporcionadas pelo Mais Educação!".

Tudo bem, até pode ser, dependendo do esforço do monitor; o programa, no entanto, não fornece subsídios para tais atividades. Seus monitores ganham muito mal – sou um deles – e não dispõem sequer de um local fixo para realizar suas atividades com os alunos do programa.

A escola onde o desenvolvo, Serafim da Silva Salgado, é uma exceção – tem bastante espaço e sempre sobra um lugarzinho para mim. Em outras escolas, todavia, imagino que monitores do programa costumem dar aulas embaixo de árvores, o que deveria ser uma atividade esporádica, e não rotineira. Para atingir sua proposta essencial – educação integral – ainda há muito a se fazer no e pelo programa.

Agora estou atrasado, mas depois escreverei alguma coisa melhor sobre este assunto.

sábado, 3 de abril de 2010

Releituras

QUADRILHA
1960 - Antologia poética

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.


Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Entre o real e o abstrato

Quero dizer, mas nem sei como digo, é confuso. Não quero ser hermético, incompreensível; entretanto, sinceramente acredito que poucos irão me entender. Para melhor dizer as coisinhas que aqui digo, roubei trecho de música de que muito gosto, confesso.

Finalmente, direi. Vivo em dois mundos. Sou homem de dúbio raciocínio. Como isso é possível? Sendo, mais nada. Vivo na tenuidade que há entre o que vejo e o que não vejo, entre o possível e o impossível, entre o real e o abstrato.

Meus neurônios trabalham na velocidade da luz, meu cérebro capta e processa informações tão rapidamente quanto o instante em que um carro em altíssima velocidade toca e tira seus pneus do asfalto.

Procuro dentro de mim mesmo explicação para as coisas – não encontro. Mergulho em minha própria alma e procuro solução para o mundo e para os que nele vivem; e até para os que o destroem.

A realidade me cerca e dificilmente consigo fugir dela um minuto que seja; mas, se me liberto de suas garras, se liberto a minha liberdade, descubro um mundo onde os homens se amam e perdoam a si e aos outros, um mundo onde a palavra “amor” significa “dar sem pedir nada em troca”.

Todavia, sendo tênue a linha entre o real e o ilusório, num abrir e fechar de olhos, o que era condição ideal ganha concretude, o que era irreal agora é real, palpável, forçando-me a duvidar da existência de tal mundo. Morro todos os dias e diariamente experimento a ressurreição.

Ora sou cercado por um mundo espiritual, onde seres não se matam por razão nenhuma, onde flores ainda crescem para alegrar a primavera ainda existente, um mundo onde sentir o outro é um impulso natural; ora, no entanto, encontro-me aprisionado em outro [o mundo dos espertos], em que reina a falta de piedade, onde a vida foi coisificada e onde preciso ser um bom fugitivo para não ser surpreendido – e ainda assim o sou.

 

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Exclusivo: Caso Isabela: julgamento dos Nardoni é anulado

Desde as últimas horas que encerraram o julgamento do caso Isabela, a defesa do casal acusado, não conformada com a sentença dada pelo juiz, entrou com um pedido de anulação do julgamento.

Ontem, 31 de março, ocorreu o que todos nós jamais esperávamos: o julgamento que condenou os pais de Isabela Nardoni foi anulado. Sem data confirmada, haverá outro nos próximos meses.

A sociedade está indignada, manifestos foram feitos em frente ao fórum onde ocorreu o julgamento: vidros de janelas foram estilhaçados por pedradas, bombas caseiras jogadas no terreno e no portão do fórum. A polícia teve que intervir, mas somente dois manifestantes foram presos.

Em entrevista, um cidadão que passava pelo local disse à TV Globo: “Se a justiça não faz justiça, o povo faz com as próprias mãos.”

P.S: uma mentirinha, só para manter a tradição de 1 de abril. Creio que a sociedade espera que isso jamais se torne realidade.