sábado, 24 de julho de 2010

Uma tarde, um encontro especial

Tenho 21 anos e perdi meu pai aos 9. Alguém o assassinou. Não sei quem foi nem como ocorreu. O que sei são boatos. É que ele nunca morou comigo; abandonou-me ainda cedo. A morte foi em Porto Velho, cidade para onde se mudou quando eu ainda estava na barriga. Se guardo ressentimentos? Nenhum.

Hoje foi um dia especial para mim. Encontrei minha avó, com seus 74 anos, mãe de meu pai (esta garota linda, ao meu lado, na foto acima), na casa de minha tia Rosa, a qual também conheci hoje. Conheci também uma prima e seus dois lindos filhos. Estava ansioso pelo encontro, pois nunca os tinha visto em toda a minha vida. Só sabia mesmo que existiam, mas não os conhecia.

Amanhã levarei minha mãe para rever minha avozinha, sua sogra – já se vão uns vinte dois anos ou mais que as duas não se encontram (pelos meus cálculos, que podem estar errados).

Hoje matei a curiosidade de saber quem são meus familiares por parte do meu pai, homem de quem, apesar dos erros que cometeu, tenho muita saudade, saudade de alguém que nunca conheci e a quem só vi uma única vez. Sempre careci da figura paterna. Sinto falta do meu pai.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Ler e observar

Nem sempre tive interesse pelos estudos. No passado, fui aluno alienado e desleixado. Não que tenha sido desses que dão problemas e dor de cabeça para pais e diretores, mas não fui dos melhores e nem dei todo o meu ser em favor dos estudos.

Meus 15 anos foram conturbados. Vivia o que hoje designo de “alienação da juventude”. Com hormônios à flor da pele, semelhante a qualquer garoto com a mesma idade, trocava, sem qualquer peso de consciência, os estudos por namoricos, ou mesmo por uma partida de futsal. Hoje faço o contrário.

Dos meus 15 anos para cá, hoje com 21, passei por algumas etapas que foram responsáveis por algum amadurecimento. Antes não lia; hoje leio: leio livros, leio filmes, leio pessoas, coisas, situações; enfim, leio tudo o que posso.

Leituras e observações me tornam mais humano e me ensinam a ser mais consciente de meu destino. Hoje, dependo disso para continuar a vida com sentido. O que penso e escrevo nasce, basicamente, destes dois atos: ler e observar.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Gafes linguísticas ou erros de análise?

É corriqueiro e um tanto fácil de se ouvir que alguém cometeu alguma gafe ao falar ou mesmo ao escrever. Os jornalistas, em geral, dizem isso com freqüência, basta que Lula dê uma entrevista, por exemplo, e logo alardeiam que Lula não serve para ser o presidente do Brasil porque “não sabe falar” ou porque “fala tudo errado”. Bobagens. Lula fala melhor do que imaginamos.

Em certa ocasião, FHC foi acusado de tropeçar no idioma, de ter cometido um “erro” de gramática, de ter “escorregado” no português formal, só porque disse “melhor educados” em vez de “mais bem-educados. Pura falta de consulta a bons manuais e a boas gramáticas.

Do que não se dão conta, nem os jornalistas que dizem essas besteiras e nem os falsos analistas, é que, na verdade, gafes mesmo cometem eles, ao dizer tais platitudes sem fundamento científico algum, pelo menos no campo científico das línguas (pode ser que tenham crédito na mídia ou em algum campo favorável à disseminação do preconceito em todas as suas variedades); mas no ramo das línguas não. É que a língua não funciona como eles queriam que ela funcionasse, só isso...

Lendo as coluninhas de Pasquale, sobre expressões redundantes, encontro a seguinte explicação: Você já ouviu falar em pleonasmo? Trata-se da repetição de uma idéia que já está contida em termo anterior. Muito bem.

Linhas depois, o autor diz que expressões como “político falador” é um pleonasmo. Nada contra o que ele acha, a maioria deles sempre é guiada pelo achismo mesmo... No entanto, quando leio, no mesmo texto, que “há muitos anos atrás” trata-se [...] de um pleonasmo tão usado que alguns autores supõem que seja hora de aceitá-lo, faço-me a seguinte pergunta: quem são esses autores que nos autorizam a aceitar alguma construção da língua? Então, a língua precisa ser aceita, é isso? Não deveríamos ser mais inteligentes e somente reconhecer os fatos? Pasquale escreve ainda que no português rigoroso devemos não usá-lo (o tal pleonasmo em questão). Ora, a que se refere o professorzinho quando diz português rigoroso? Vocês conhecem esse português? Pois é, eu também não.

Por fim, o professor de televisão tenta discutir o caso de caligrafia, dizendo que cali, radical grego, significa “belo”, “bonito”, e grafia, escrita, mais ou menos como se nós, ouvintes e falantes, entendêssemos as palavras pela metade, por partes, como se alguém quando diz “automóvel” nós “lêssemos” primeiro auto, por si só, e depois móvel, que se move, e só então passássemos a compreender que esse alguém se referia a um carro, a um automóvel. Minha opinião? Sem comentários.

O colunista termina dizendo que, como “praticamente se perdeu a noção de que caligrafia já tem a palavra belo, escrever "bela caligrafia" não constitui um deslize e é aceito pelo padrão culto.” O autor só deixou de explicar quem é esse tal “padrão culto”, que aceita algumas coisas e rejeita outras. Eu explico: na opinião dele, provavelmente, “padrão culto” é o que ele acha bonito e “autoriza”, enquanto gramático que se diz. O que ele acha feio é português vulgar ou, no mínimo, popular, quando não, caipirês.

Tudo bem que não se goste de uma ou de outra expressão da língua, mas acusar as pessoas como se falassem “tudo errado” é realmente não sacar nada sobre línguas. Querer proibi-las de dizer certas expressões é, em primeiro lugar, preconceito, discriminação; e depois, burrice, porque uma ora ou outra os fatos suplantarão as teorias e os achismos.

Aproveitando o café filosófico com Ana Maria Braga, o qual estou só ouvindo, ela, no auge de suas reflexões, incrivelmente acaba de dizer que "precisamos aprender a perceber que, quando apontamos o dedo para o outro, temos um apontando para ele e três apontando para nós", portanto...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Edvaldo Souza, a voz do povo

Ao chegar em casa hoje, vindo do trabalho, deparei-me com um panfleto no portão. Ao desdobrá-lo, tive uma surpresa: Edvaldo Souza, deputado estadual, nº 651. Poderia dizer, neste texto, muitas pequenas coisas contrárias a esta candidatura, mas não direi. Vou tentar ter fé em Deus e pegar leve no que disser.

É que não tenho (como muitos) muitas esperanças mais em políticos – das vezes em que lhes creditei alguma, decepcionaram-me profundamente. Mesmo assim, ainda não anulo meu voto (e olha que estaria coberto de razão se fizesse isso). Nunca fiz isso, e não o farei desta vez. Pois bem.

Na tevê, o popular Edvaldo Souza é um nome forte para o povo; na política não será diferente. Seu jornalismo se encaixa perfeitamente no que Adilson Citelli, professor doutor e livre docente da escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, chama de jornalismo sensacionalista. Se ligamos a nossa tevê ao meio dia em ponto, lá está (estava) Edvaldo Souza com seu discurso de justiceiro.

Seus bordões são conhecidos de todos: “a maré não tá pra peixe”; “neste fim de semana nem o Conde Drácula saiu de casa”; “a coisa não ta brincadeira não, meu amigo”, entre outros.

Mas, qual foi mesmo minha surpresa, ao ver este ilustríssimo âncora da Gazeta no panfleto em meu portão? Surpreendi-me pelo fato de todos os seus discursos que já ouvi apontarem contra qualquer hipótese de candidatura a qualquer cargo político que fosse. Por outro lado, nunca acreditei realmente que não se interessasse por se candidatar um dia, e, na verdade, achei, quando vi o panfleto, que estava era demorando que isso acontecesse; mas acertei em minha aposta. Ao passar os olhos no panfleto inteiro, vi o seguinte slogan: “A voz do povo”. Vi ainda que Edvaldo Souza não escolheu sair candidato pelo PSOL, por exemplo. Isso já denuncia alguma inteligência ou esperteza, ao menos para se ganhar uma eleição, evidente.

Mais embaixo, o jornalista-político (ou o político-jornalista?) me convida, a mim e a meus vizinhos, para o lançamento de sua candidatura, que acontecerá no dia 16 de julho, no clube Rabo de Saia, na Rua da Hosana.

Na telinha (quando o assisto, e é raro), Edvaldo passa grande parte do tempo disponível para o Gazeta Alerta brigando pelo povo com unhas e dentes; agora muito mais, pelo menos até que seja eleito; depois...

Por vezes, seu discurso de justiceiro me convence e me comove, confesso (ou seja, Edvaldo atinge seu objetivo), ainda que eu não seja muito chegado ao seu formato de jornalismo. Já que não tenho candidato para deputado estadual, vou ao lançamento de sua candidatura, para ver se lá, no púlpito, sua fala e suas propostas me convencerão. Se não me convencerem, enfio minha viola no saco e venho embora.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Malcomportadas línguas

Em todos os campos científicos há controvérsias e ignorâncias, mas me arrisco a dizer que, no campo dos estudos das línguas é onde mais se sustenta todo tipo de mito e teorias fracas ou infundadas.

Em geral, a ideia que as pessoas têm sobre as línguas é exatamente o oposto do que elas realmente são. Quando se diz e se pensa que as línguas são uniformes, elas variam e muito; quando se acha que há erro, é porque alguém disse algo diferente do que as gramáticas registram; quando se imagina que fala é uma coisa totalmente diferente e isolada da escrita, estas se influenciam mutuamente a todo instante.

Portanto, geralmente se tem, no mínimo, uma ideia equivocada ou preconceituosa sobre as línguas. Os (pouquíssimos) leitores deste espaço sabem o que pensa o autor deste blogue. Há profissionais competentíssimos em outros ramos, como o jornalístico, por exemplo. Eles falam muito bem de qualquer assunto – política, economia, ecologia... mas, quando o assunto é língua, erram feio em suas falas e reportagens.

Ao lado da gramática de Perini, que comprei esses dias, estou lendo “Malcomportadas línguas”, de Sírio Possenti, atualmente um dos linguistas mais experientes e coerentes. O livro ajuda a desfazer certos imbróglios elementares sobre fatos de língua. É resultado de várias colunas assinadas pelo autor. É bom livro. Eu indico!!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Música

Toco violão há uns quatro anos. Não o toco profissionalmente – sou amador. Sempre que estou muito cansado e tenho um violão por perto, gosto de desestressar dedilhando alguma bela canção.

Às vezes mato a saudade de Renato Russo, Cazuza ou deliro cantando Engenheiros do Hawaii. Gosto de Lenine, Zeca Baleiro e Cássia Eller. Curto Chico Buarque, Maria Betânia e as interpretações de Ana Canãs e de Luisa Possi, que percorre bem a carreira da mãe, embora esteja ainda um tanto longe de se comparar a Zizi Possi.

No mais das vezes, não ouço música por ouvir, ouço-a com alguma finalidade – seja para relaxar, refletir, para desfrutar de seu suingue (gosto de música suingada), para dormir ou mesmo para acordar. Pode ser que eu ouça alguma música pelo simples fato de ouvir, mas é raro.

A meu ver, a música tem (ou deveria ter) sempre um papel fundamental na sociedade. Individualmente, ela age de diversas maneiras no interior do ser humano. Na sociedade brasileira, tem um papel infeliz, na maioria das vezes; isso por conta da população que habita este país. Rebolation faz sucesso por aqui porque há quem goste e escute, só... Eu, particularmente, odeio, mas não odeio quem ouve, só acho que ouvem porque ainda não tiveram contato com coisas melhores, mais interessantes e mais profundas.

Minha paixão por música é declarada, bem como por filmes. Pelo fato de tocar algum instrumento, gosto de música instrumental. Tenho uma paixão especial por guitarras e saxofone (paradoxo, não?). Além destes, me delicio ao ouvir gaitas bem tocadas, como as que tocam Humberto Gessinger.

sábado, 3 de julho de 2010

Los hermanos tomaram en el caneco

Ontem a Copa acabou para o Brasil; hoje, para a Argentina. Logo depois do jogo de ontem, entre Brasil e Holanda, em entrevista, Maradona tirou sarro. Os jornalistas que iam entrevistá-lo estavam vestidos com coletes laranjados (uniforme da imprensa, normal), e Maradona, antes de sentar na cadeira, perguntou: “estão todos vestidos de Holanda hoje?”

Não sei se antes ou depois disso, o maior ídolo da torcida Argentina (e um dos caras mais arrogantes e ignorantes da Argentina, opinião minha) disse à imprensa que a eliminação do Brasil é problema nosso. Concordo. Mas, convenhamos que, tentando se esquivar da polêmica entre Brasil e Holanda, Maradona tirou uma casquinha, quando disse isso.

Tenho uma coisa comigo: sobre qualquer assunto, sempre fico do lado dos menos favorecidos, dos mais pobres, dos mais estigmatizados socialmente (ou dos menos arrogantes, quando é o caso de Argentina e Alemanha). Antes mesmo de qualquer análise mais cuidadosa, minha posição é sempre contrária aos grandes. Isso porque sei que o galho só quebra do lado mais fraco, aprendi com mamãe.

Ontem, quando o Brasil perdeu, por exemplo, passei a torcer para que Gana ganhasse a Copa; mas ela perdeu do Uruguai e foi eliminada.

Hoje torci pela Alemanha, não por ser menos favorecida ou menos arrogante que a Argentina, enquanto nação; mas por ser menos arrogante pelo menos no quesito futebol, pelo menos no jogo de hoje, do qual só vi pedaços.

Quando alguém canta vitória antecipadamente, costumo ficar calado, e esperar o resultado. Maradona é muito cheio de si, por isso preferi a Alemanha, ao menos no campo.

Argentina tomou de quatro e los hermanos tomaram no caneco. Salve Close, atacante destruidor da Alemanha!!
Cuspir pra cima é burrice, pode cair na cara; e caiu...

Ana Canãs canta Cazuza



Com participação no Som Brasil, especial Cazuza, Ana Canãs canta Codinome beija-flor. A versão ficou perfeita. A voz dessa garota me emociona. Aperte o play e sinta a alma dessa mulher!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Previsível, eu diria

Acompanhei trechos dos jogos do Brasil. Quando jogava mal eu desligava a tevê e ia fazer outra coisa; quando jogava bem, assistia por mais tempo. A bem da verdade, em momento algum a seleção de Dunga me deixou confiante de que ganharíamos o caneco (ops!) dos Argentinos ou dos Alemães, possíveis finalistas, imagino. Nesta Copa, não vi uma seleção como a de 94 ou de 2002, por exemplo.

Hoje revisitei um velho amigo e vi com ele a derrota do Brasil diante da poderosa Holanda. Depois comemoramos com um almoço delicioso. Esperávamos comemorar a vitória, que não veio.

Não sou muito fã de futebol, mas gosto. Não deixo de fazer certas coisas só para vê-lo, como ler, por exemplo; mas o acompanho, às vezes. Também não tenho muito do que me ufanar neste país, muito menos de uma seleção como a que montou Dunga.

Desde o início da Copa, eu já dizia que o Brasil não traria o caneco. Jorge Cajuru também disse em entrevista, mas ninguém acreditou...
Enquanto alguns achavam que nossa seleção ganharia da Holanda, eu, cá comigo, duvidava seriamente.

Portanto, de certa forma, eu e mais alguns brasileiros mais realistas já esperávamos o que ocorreu hoje. A derrota do Brasil em nada me surpreendeu. Foi previsível, eu diria. Resta-nos, agora, aplaudir Sneijder e seus companheiros holandeses e esperar, em Deus, que as coisas estejam melhor por aqui em 2014.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Finalmente, uma gramática!!

Esta semana chegou às minhas mãos a "Gramática do português brasileiro", a mais recente obra de Mário Perini, linguista e doutor. A publicação vem para atender um clamor que se faz há anos no meio acadêmico: uma gramática que fizesse uma análise mais coerente e menos dogmática da realidade linguistica brasileira.

É que as gramáticas que são usadas nas escolas dizem como a língua deveria ser e como as pessoas deveriam falar; a de Mário Perini mostra como a língua é e como as pessoas a falam. É uma obra que deixa claro seu objeto de estudo: o português brasileiro falado pelas pessoas com alguma escolaridade.

Há trabalhos parecidos, como o do linguista Ataliba de Castilho, com sua gramática de mesmo título da de Perini, Gramática do português brasileiro, vindo o compêndio de Perini se juntar aos (raríssimos) materiais já existentes.

A gramática de Perini se destina a estudantes de Letras e afins.
Comecei a ler o livro, e espero, breve, tecer comentários aqui neste espaço.