domingo, 26 de setembro de 2010

Plínio deu um baile

Já disse aqui, outras vezes, que não tenho muito entusiasmo por escrever ou comentar questões relacionadas à política (politicagem?) brasileira. Mas vou me arriscar aos comentários de novo.

Quando cheguei em casa hoje, domingo 26, já era noite, assisti ao debate entre os presidenciáveis na Record. Não vi tudo, mas vi alguma coisa. Marina com seu discurso genérico sobre energia renovável e política de sustentabilidade. Dilma, fabricada por Lula, como bem disse Plínio Arruda, manteve seu discurso vazio e ridículo. E Serra não variou ao usar seus clichês do tipo "fiz em São Paulo e vou fazer no Brasil". Foi um debate, digamos, óbvio, esperado. Nada de novo.

Só houve uma figura que me fez ficar à frente da tevê até que terminasse o debate: Plínio de Arruda Sampaio. Sua sátira ofende, debocha. Sua intelectualidade menospreza seus adversários, que não passam de fantoches analfabetos, de personagens controlados, perdidos em suas próprias divagações e ideiazinhas sobre o Brasil.

Não acho que Plínio seja em tudo coerente; ninguém o é; mas seu discurso é carregado de metáforas, de sarcasmo, de ironia, e de alguma coerência. Gostei quando citou o DIEESE e falou sobre valorização salarial, mencionando que esse Departamento de Pesquisa julga ser de R$2.000 o salário justo para se viver razoavelmente bem no Brasil. Gostei ainda mais quando perguntou a Dilma se ela viveria com um salário mínimo, como vive a maior parte dos brasileiros. Ela nem respondeu.

De todos os candidatos, para mim, de longe, o melhor foi Plínio Arruda, que não se elegerá, obviamente.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O dinheiro é que manda

Esta é das teses mais concretas que defendo: o dinheiro é que manda. Ou seja: o dinheiro é que diz quem vai ficar preso e quem deve ser solto; o dinheiro é que abranda a lei para uns e a torna mais severa para outros. É o dinheiro.

Para os que não sabem, a Polícia Federal apreendeu, no caminho de Boca do Acre para Rio Branco, nesta semana, em posse de um empresário, quase meio milhão de reais (470 mil, para ser mais preciso) de dinheiro público desviado para campanha eleitoral. A principal suspeita de envolvimento com toda essa grana é ninguém mais ninguém menos que Antônia Lúcia Câmara, evangélica da Igreja Assembléia de Deus.

Segundo Lúcia Câmara e sua filha Milena tentaram explicar em um programa de rádio, a Polícia Federal confundiu informações repassadas pelo empresário preso. Disse ainda que a quantia foi uma doação para a Igreja Assembléia de Deus. Que doação, hein!!

Meus amigos, não foram presos R$4,70, foram presos 470 mil reais. É muita grana. Se o envolvido fosse eu ou você, certamente estaríamos lascados. Mas a envolvida tem dinheiro, e o dinheiro é que diz o que deve ser feito.

Fora essas besteirinhas, Antônia Lúcia Câmara também é acusada de distribuir combustível para cabos eleitorais. O filme de Lúcia Câmara está quase queimado. Mas, cá entre nós, esses processos não vão dar em nada mesmo. Portanto, corta, logo!

domingo, 12 de setembro de 2010

Interessante!!

Matéria do Fantástico mostrou hoje uma família que vivia, em pleno o século 21, isolada em caverna na Colômbia. Devido ao isolamento, a família Rosales se comunica em uma língua própria, criada por ela mesma.

A matéria não detalhou os traços e as características do tipo de língua empregado naquela comunidade de falantes, mas disse que só os integrantes dela se entendem, o que revela o grau de complexidade daquele dialeto (o que não é nenhuma novidade, se levarmos em conta que os estudos lingüísticos desmentem o mito de que há línguas mais fáceis do que outras).

A matéria é interessante por pelo menos uma razão: o homem sempre criou e continua criando e recriando formas de se comunicar e de viver neste mundo. Sentindo a necessidade de uma língua para se comunicar (ou aperfeiçoando outra, o que é mais provável, se pensarmos que eles já se comunicavam, de alguma forma, por alguma língua, antes do isolamento), os Rosales usaram mais uma vez a criatividade humana. E nem usaram os manuais de professorzinhos da mídia.

Ainda assim, há gente que acha que o internetês é uma deturpação da nossa língua, que por isso os nossos alunos hoje escrevem pior do que antes, porque passam muito tempo no MSN, e assim já aprendem escrever errando. Santa ignorância!!

Mas, tudo bem se acham isso, vivem de achismos mesmo.

sábado, 11 de setembro de 2010

Mais um tiquinho sobre eleição

Não tenho muito entusiasmo para conversar, escrever ou fazer qualquer comentário, quando o assunto é política (talvez isso explique o tamanho dos textos que tenho escrito aqui). Sempre tenho a impressão de que já vi o filme. 

Mas, como todo cidadão, preciso votar e vou votar. O dia está chegando e os presidenciáveis ainda me deixam em dúvida. Ainda estou em processo de exclusão.

É que no tipo de política que temos, é melhor fazer como nas questões de concursos e de vestibulares – ir por exclusão. Uma obviedade: não dá para ser convencido ou decidir voto ouvindo os candidatos falarem em rede nacional, na tevê. Mas, sinceramente, ainda acho que a maioria dos votos é decidida assim.

Arnaldo Jabor diz que o populismo do lulo-petismo simplifica a política brasileira, o que deixa evidente sua ideologia partidária. Parece que prefere que a burguesia continue no poder político – fique claro: não estou deixando evidente, aqui, nesta informação, minha ideologia. É só uma informação.

Mas, voltando a falar dos presidenciáveis, ainda estou na corda bamba. Confesso que tenho sido mais convencido pelo sorriso e simpatia de Marina e pelas olheiras de Serra que pelo cabelo curto de Dilma. Não gosto muito dele, adimito. Ficava menos feia com o cabelo longo. Encontro mais concretude no discurso daqueles que no desta.

Revelando um pouco do meu voto, acho que o Brasil precisa mais de Marina do que de Serra, o que não significa que irei votar nela. Até o dia 3 decidirei, e não revelarei aqui...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Mais duas rápidas palavrinhas

Em época de eleição, mundaréus de dinheiro público são jogados fora. Com freqüência, o nosso dinheiro financia a campanha de bandidos de colarinho-branco. A conjuntura política atual é uma farsa, um comércio poderosíssimo onde quem manda é quem dá mais. Uma verdadeira vergonha a quem ainda tem alguma.

Alguns colegas, ironicamente, eu imagino, acham que tenho alguma vocação para me candidatar algum dia a algum cargo público. Não concordo muito com eles. Mas, tudo bem, pode ser.

O fato é que, tendo alguma vocação ou não, não consigo enxergar um só lugar para fazer política honesta neste país. Não vislumbro um cantinho onde se possa trabalhar livremente, sem receber ou fazer propostas de propina ou comprar dossiês (ou ser pago ou pagar para quebrar sigilos fiscais).

Na atual política, ou se é "de esqueda" ou "de direita". Os 17 presos ontem no Amapá (incluindo o governador, Pedro Paulo Dias) que o digam.

Nossa política promete muito para este país. Como diz o Arnaldo Jabor, "Votem na Dilma, e ganhem um José Dirceu de presente!!"