sábado, 26 de fevereiro de 2011

Paixões e Opiniões

Meninas se exibem em helicóptero comprado por nós
Depois de a Folha de São Paulo trazer a público o laudo técnico da Polícia Federal que apontou indícios de irregularidades na compra de helicóptero para o Estado do Acre, surgiram, na mídia acriana, opiniões sobre o assunto. Algumas bastante apaixonadas, por sinal.

Assim que a Folha publicou a matéria, no último dia 24, o jornalista Leonildo Rosas tratou logo de sair em defesa do governo, por meio de um texto, em seu blogue. Aproveitou o bojo para expor, com todas as letras e com toda força, o que pensa sobre o grupo de políticos que comanda o Acre há 12 anos. Não faltaram elogios. Tanta fé me impressionou, juro. Leia com atenção:

"O que não se pode negar é que essa turma simboliza a mudança positiva operada no Acre nos últimos 12 anos.
Sob comando desse grupo político o Acre saiu da ilegalidade. Deixou de ser manchetes nas páginas policiais para ser destaque como um Estado que faz a boa política com respeito à natureza e ao erário.
É um pessoal que fez uma limpeza no Estado, contribuindo para resgatar a autoestima do povo acreano. Isso jamais pode ser desconsiderado."

No dia seguinte, ontem, 25, Tião Viana se pronunciou sobre o assunto. Na segunda parte do primeiro parágrafo de seu texto, Tião disse o seguinte:

"A necessidade do equipamento [o helicóptero] é inquestionável, tendo sido imprescindível para operações e serviços diferenciados nas áreas de segurança, saúde e mesmo de apoio a instituições de outros poderes, ainda mais em um Estado onde expressiva parte da população vive em áreas isoladas ou de difícil acesso.”

Breve comentário: ao que me parece, a Polícia Federal não questiona a “mudança positiva” que Leonildo Rosas vê no governo dos Viana, muito menos a utilidade do helicóptero de que fala Tião; a PF quer, isto sim, investigar se há irregularidades ou não na compra do helicóptero. Só isso. Se não houver irregularidades, será provado; se houver, também será.

Fica um provérbio chinês: “Todos os fatos têm três versões: a sua, a minha e a verdadeira”.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Homens Sem Preto

Como fiz recentemente um textinho sobre o filme Tropa de Elite 2, reproduzo aqui uma charge que recebi de um amigo por e-mail. Curtam!




'Hackers' do Governo

'Hackers' do Governo postaram um vídeo no Youtube que revela mais ou menos como é a rotina de trabalho deles. Cheguei ao vídeo lendo o blogue do jornalista Altino Machado. Assista também!




segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

CINEMA

Considero de grande valia o que um filme é capaz de “dizer” aos nossos ouvidos e “mostrar” aos nossos olhos. Gosto de filmes e me esforço para acompanhar os lançamentos, sobretudo os brasileiros. Quando o "Tropa 2" estreou, ano passado, fui ao cinema para prestigiá-lo. Apesar da má qualidade do áudio do Cine João Paulo (estrondeante, diga-se), consegui entender alguma coisa do filme. Mas precisava assisti-lo melhor.
Sábado à tarde, 19, resolvi revê-lo. Agora, com mais atenção, concluí que o "Tropa 2" arrebenta. É um filme corajoso. "Tropa 2", mais amadurecido que o "1", a meu ver, destemidamente, escancara a podridão do sistema político brasileiro. Revela sem piedade quem está por trás das milícias e do tráfico que mancham e horrorizam a beleza da Cidade Maravilhosa. Em suma, o filme desnuda o Rio.
À emoção das imagens e atento à empolgante narração de Wagner Moura, agora "Coronel Nascimento", quando o filme terminou, dentre outras coisas, pensei com meus botões: se o Congresso Nacional de Brasília pudesse, censuraria esse filme.
Como eu disse acima, a qualidade de som do Cine João Paulo é ruim. Aliás, o cinema é ruim – o som é barulhento e as salas são sujas, sem falar no preço do ingresso. Vou dizer uma coisa: a Filmoteca Acriana, na Biblioteca Pública, tem mais qualidade que o Cine João Paulo. Quem ainda não a visitou, vá até lá e verá.
É esperar que, nesse segmento, algo de excelente se crie com a construção do tal Shopping Via Verde.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Assessoria

De volta ao assunto “Secretaria na Justiça”, acrescentarei, aqui, alguma coisa. Como disse em texto anterior, desconfiava que a liminar contra o Estado do Acre não se tratasse exatamente do que apontamos aqui neste blogue. Não se tratava mesmo.

Como todos que leram as duas últimas postagens sabem, classificamos de estranhas e/ou confusas as decisões adotadas pelo Governo do Estado ao convocar, por meio da SEE, professores provisórios em lugar de efetivos, sendo que estes aguardam convocação de concurso público realizado anteriormente ao concurso do qual participaram aqueles. Expomos ainda a questão da carência de professores por que passa a SEE. Beleza.

Hoje à tarde, por telefone, Kelen, assessora da promotora Waldirene Oliveira da Cruz Lima Cordeiro, deu-me algumas informações sobre o pedido de liminar contra o Estado. Segundo ela, a liminar trata especificamente de questões do PROJOVEM, programa com tentativa de implantação há mais de quatro anos e que, nesse período, considerado longo, pelo Ministério Público do Acre, só teve e tem professores provisórios. Portanto, definitivamente, a questão da liminar é outra.

Mas não destoamos por completo das desconfianças do Ministério Público. Ainda segundo a assessora de Waldirene, a Secretaria de Estado de Educação foi convidada a dar explicações sobre a questão que levantamos aqui, de serem convocados provisórios em lugar de efetivos, etc.

De acordo com Kelen, em reunião, o subsecretário de Educação justificou o ato dizendo que o Estado irá, sim, convocar efetivos, mas de acordo com a necessidade (?). Alegou que há necessidade para algumas áreas; para outras, não. Disse, ainda, que alguns professores efetivos ocupam, atualmente, outros cargos, e que, no tempo devido, voltarão à sala de aula, razão por que não são convocados outros professores efetivos para substituí-los. Em suma, segundo me passou Kelen, a Secretaria precisa de professores, mas provisórios, e não efetivos.

Três questões: a) a Secretaria não me convenceu; b) a questão vai além desse tipo de explicação dada pelo Estado; c) é bom que o Ministério Público continue investigando seriamente esse imbróglio. 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A SEE na Justiça

Meus caros (e raros) leitores, sexta-feira, 11, publicamos, neste blogue, uma espécie de denúncia contra a Secretaria de Estado de Educação do Acre. Ainda que sem base judiciária, achamos estranhas e confusas as decisões tomadas por esta Secretaria no que diz respeito à convocação do pessoal que participou dos últimos concursos para professores que aqui no Acre foram realizados.

Na mesma postagem, avisamos que um grupo de professores que, de alguma forma se sentiu lesado, ainda que não soubesse com precisão que norma legal o Estado havia infringido, procuraria o Ministério Público para que este solicitasse explicações daquela Secretaria.

Hoje, 14, ao chegarem à sede do MP/Acre, esses professores foram informados de que a promotora Waldirene Oliveira da Cruz Lima Cordeiro já entrou com pedido de liminar contra a Secretaria de Educação do Estado do Acre. A ação, no valor de R$ 1.000, parece mesmo tramitar desde o último dia 10, data da convocação de professores provisórios, sobre a qual comentamos neste espaço.

Eu, particularmente, que queria poder ter ido ao Ministério Público com meus colegas, não sei se o pedido de liminar trata, exatamente, da questão da denúncia que aqui fizemos, visto que não pude ler os autos do processo.

O certo é que a Secretaria de Estado de Educação do Acre foi intimada a comparecer a audiência no dia 22/02/2011, às 10h e 30min, conforme se lê no sítio do TJ/AC: "Havendo pedido de liminar contra o ESTADO DO ACRE, e em atendimento ao disposto no art. 2º da Lei Federal nº. 8.437, de 30 de junho de 1992, intime-se o Réu para que, no prazo de 72 (setenta e duas) horas, manifeste-se acerca do pedido liminar. Desde já, assinalo o dia 22/02/2011, às 10h30, para audiência de conciliação. Intimem-se."

Hoje, à tarde, sugeri o assunto como pauta para o pessoal da Tv Gazeta. Creio que amanhã aquela emissora trará o assunto a público. Aos que quiserem, podem acompanhar as movimentações do processo no sítio do TJ/AC, no seguinte link: http://esaj.tjac.jus.br/cpo/pg/show.do?localPesquisa.cdLocal=1&processo.codigo=010005WQQ0000&processo.foro=1

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Uma Secretaria, uma secretária, uma questão


Em dezembro passado, a Secretaria Estadual de Educação do Acre lançou edital do concurso para professor efetivo, visando o preenchimento de 800 vagas, nas mais diversas áreas de ensino.
Na ocasião, a então secretária Maria Corrêa da Silva disse, em entrevista, que esse número seria suficiente para suprir a necessidade de professores no Acre. O lançamento de um segundo edital, no mês passado, para contratação temporária de 332 professores, provou que a secretária não tinha razão no que disse. Depois, outro edital, dessa vez para provimento de 1.372 professores para a zona rural, escancarou, de vez, a carência de professores enfrentada pela SEE.
Agora, ninguém mais duvida que a secretária Maria Corrêa estava enganada e que a Secretaria de Educação precisa de muito mais professores do que previa o primeiro edital para efetivo. Muito bem.
Neste instante, surge uma questão: se a Secretaria revelou caráter de urgência na contratação de professores, por que não aproveitar os efetivos que foram aprovados e não alcançaram o número de vagas ofertadas? Por que ela, a Secretaria de Educação, hoje, 11, já convocou, por meio do Diário Oficial, gente do edital temporário, lançado depois do edital efetivo?  Alguém vai ter que prestar esclarecimentos a nós, que fizemos o concurso para efetivo e estamos aguardando convocação – afinal, aquele concurso é válido por, no mínimo, dois anos.
Só para alertar, os que não se contentaram com essa decisão estranha da Secretaria de Educação (como eu, por exemplo) vão ao Ministério Público, semana que vem, para que este exija do Estado, no mínimo, uma desculpa para tal arbitrariedade.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

[In]acessibilidade


Foto feita por mim, em 30/01/2011
Vivemos em um mundo construído sobre problemas. Vivemos, sobretudo, num país com problemas de todos os tipos. No correr da história, um dos problemas mais complicados e impossíveis de serem resolvidos pelo homem é a discriminação, a falta de reconhecimento do outro. O discurso de combate à discriminação é quase sempre hipócrita. Muito se diz e muito pouco se faz.

O bicho chamado homem aprendeu a rejeitar no outro tudo aquilo que lhe é estranho. Para cada um de nós, só nós mesmos é que somos a referência, o outro não serve. Mas por que não serve? O outro faz errado; o outro é fedorento; o outro não sabe; o outro é burro; o outro pensa devagar demais; o outro não tem um dedo; o outro é cego de um olho; o outro é paraplégico; o outro é diferente; enfim, rejeitamos o outro de infinitas maneiras.

De vez em quando, ouço alguém dizer: “ah, eu não sou preconceituoso”. Se o conheço pelo menos um pouco, penso: “hipócrita”. Se não o conheço, desconfio do que diz. 

Basta que esse alguém observe a si mesmo por alguns minutos ou algumas horas, e verá rapidamente o quanto é hipócrita e mentiroso. O problema é quando não se sabe mais o conceito que representam essas duas palavras.

Os senhores, caros leitores, conseguem identificar onde está localizado o orelhão da foto acima? Não? Vou lhes dizer. Esse orelhão, esse orelhão que ninguém nota, fica na Rua José de Melo, bem de cara com a Sorveteria do Fabiano; bem em frente ao Estádio José de Melo; bem em frente a uma casa lotérica.

Pela altura dele, eu entendo, e creio que você também, que é um telefone destinado a deficientes. Então, parabéns à empresa que lá o colocou. No entanto, se os senhores repararem bem, ele fica em cima do canteiro de plantas que há ali. Além de ser fixado no barro, que quando chove deve ficar uma meleca só, está cercado por um meio fio, sem nenhuma rampa para cadeirantes. O que se espera? Que o cadeirante se estique por detrás do orelhão e o agarre para telefonar?

Há quem diga: “ah, mas hoje ninguém usa mais orelhão, todo mundo tem celular”. Eu digo, em primeiro lugar: nem todo mundo tem celular; e, em segundo: aquele orelhão está lá, naquele cantinho, inútil, desde quando se usava mais orelhão do que celular. Vou “fiscalizar” quanto tempo mais ele vai ficar ali.

De uns anos para cá, muito se fez para melhorar a acessibilidade de deficientes em geral. Os orelhões, quando não estão dentro da lama e cercado por um canteiro; as rampas; os ônibus adaptados, etc. Todavia, o homem ainda não aprendeu a respeitar o espaço e as necessidades dessas pessoas especiais. Ao contrário, toma suas vagas nos estacionamentos e, não raro, ainda os agride, a eles e aos seus familiares, quando estes reivindicam os direitos daqueles.

O orelhão fotografado revela um pouco da dificuldade enfrentada diariamente pelos portadores de necessidades especiais. É ralado, meu amigo. Entretanto, para essas pessoas, enfrentar todos os dias e em todos os lugares a rejeição, a discriminação, o preconceito, a (in)diferença por parte dos que se dizem sadios (eu e você, por exemplo), é, certamente, pior que qualquer falta de acesso.