segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

PIMENTA É REFRESCO


Por Sírio Possenti


Na Argentina, a questão do “controle” da mídia faz barulho. Aqui, as notícias são todas parciais. A disputa governo versus Clarín só fica um pouco mais clara se o leitor interessado busca informações em outras fontes que não seja a grande mídia. Ela nunca noticiou, que eu saiba, que, na Unesco, a chamada Ley de Medios foi considerada um avanço democrático…

Muito pouco se noticiou, também, que um juiz inglês propôs novas formas de “controle” da mídia. Sua proposta pode ser resumida em dois tópicos: a) nenhuma censura; b) mecanismos de “punição” rápidos para “crimes” cometidos pela mídia. Tudo foi motivado pelos escândalos do ano passado, que envolviam escutas ilegais etc.

No Brasil, chamou atenção o caso de um jornalista da Veja, acusado de ter relações estreitas com Carlinhos Cachoeira, que muitos disseram ser informante e que pautava matérias segundo seu interesse – ou de sua revista. Quase foi indiciado pela CPI – que acabou não indiciando ninguém (sinal de muito rabo preso).

Houve quem o defendesse, alegando que jornalista não comete crime quando se vale de informações de marginais e criminosos, desde que as informações sejam relevantes para a sociedade. Confesso que acho estranho, porque é uma forma clara de defender que os fins justificam os meios. Pode justificar “compra” de bancadas, desde que seja para aprovar leis que sejam de interesse da população?

Falei dessas questões gerais, mas o objetivo é apontar um problema de coerência da mídia, 
quando se trata da questão de um possível controle. Invariavelmente, os contrários a qualquer forma de controle da mídia dizem que os ofendidos (etc.) devem procurar a justiça. 
Nem acrescentam que se sabe muito bem como ela funciona…

Acontece que, quando a justiça acolhe processos contra jornalistas ou jornais, logo é duramente criticada.

Menciono dois casos. Há algum tempo, um juiz (talvez tenha sido um desembargador) proibiu o Estadão de publicar notícias relativas a um processo que envolvia um filho do senador Sarney. Não tenho a mínima ideia sobre a adequação ou não da decisão.

Mas é uma decisão da justiça (que, nos dias de hoje, se diz que é claro que deve ser obedecida!). O jornal publicou, durante quase um ano, cada dia atualizando a informação, que estava há X dias sob censura. O leitor recebia o jornal e lá estava a informação, rememorada e atualizada.

Há poucos dias, Fábio Pannunzio, jornalista que conheço da BAND, publicou longo texto (na Folha) comunicando que encerraria seu blog, que mantinha com seus próprios recursos. Razão? Sofreu vários processos por parte de pessoas cujas ações que denunciou e que foram à justiça. Ele teve que pagar advogados, viajar para depor etc. Em suma: não conseguia, com seu dinheiro, dar conta de todas as demandas. Fechou seu negócio.
Não estava louvando a justiça. Estava se queixando.

Minha questão é só uma: se não se quer controle (acho que seria um horror; censura à imprensa é coisa de ditaduras) e se se diz que os ofendidos devem procurar a justiça, o que fazer quando a justiça condena a mídia (ou algum jornalista)?

Os jornalistas e os “meios” têm uma arma: publicam que estão sendo “perseguidos”. E quais são os meios que têm os eventualmente injustiçados pela mídia? Publicar matéria paga? Alguém tem ideia de quanto custa meia página de um jornal ou de uma revista (nem falo do tempo na TV), caso se queira desmentir uma notícia?

Uma sociedade democrática deve defender a liberdade de expressão. Óbvio. Mas deve ter mecanismos para permitir que os cidadãos não sejam injustiçados? Parece ainda mais óbvio.
No programa Roda Viva, recentemente, o prefeito eleito de S. Paulo estava cercado de representantes de todos os órgãos da imprensa de S. Paulo (não havia ninguém da Veja, mas eu disse “órgãos da imprensa”…).

A uma pergunta sobre o comportamento da mídia (se tinha queixas etc.), Haddad disse algo interessante: que não se queixa de nada do que foi dito sobre ou contra ele no tempo em que esteve no MEC. Que discordava de certas afirmações (colocações!), mas, no geral, não tinha queixas. No entanto, achava que a imprensa não usa do mesmo rigor com os outros (outros governos, outros partidos).

É algo que sempre digo (em aulas, eventualmente): que a imprensa nunca mente; ela só não diz toda a verdade. Por exemplo: se você digitar “superfaturamento na Marginal”, vai encontrar algumas matérias. Ou seja, a imprensa noticiou, apesar de serem obras do Serra. Mas você ficou sabendo? Os grandes jornais martelaram a notícia? Quantas matérias o Jornal Nacional fez sobre a questão?

Dois pesos e duas medidas. A justiça é cega? Às vezes. Já a imprensa vê com um olho só.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

"FIM DO MUNDO"


Olá pessoal!, meu nome é Cleuson, sou funcionário público e estudante de educação física. Nas horas vagas, procuro refletir sobre os temas que rodeiam a sociedade, bem como sobre a interpretação que esta mesma sociedade lhes dá.

Recentemente, o fato de um entendimento errado acerca do calendário Maia gerou (e ainda está gerando) uma grande polêmica a respeito de um suposto “fim do mundo”. Não é difícil encontrar nas mídias reportagens, comentários ou postagens relacionadas ao tema.

Não sou contra o que qualquer pessoa faça com seu tempo livre e nem quero influenciar de forma alguma a opinião de ninguém, só acho que há assuntos muito mais relevantes que deveriam estar sendo discutidos neste momento, e não estão por conta do “fim do mundo”.

Pouco se houve sobre o súbito aumento no preço da energia; sobre o aumento da gasolina que está marcado para o próximo ano; já se esqueceram do julgamento dos corruptos do PT (partido dos trabalhadores, kkk!...); o tão falado caso do goleiro Bruno; e outros fatos que deveriam estar tendo mais de nossa atenção, pois se tratam de fatos reais, e que queiram ou não, direta ou indiretamente, refletem em todos nós de alguma forma. Mas é melhor falar do “fim do mundo”. É mais divertido.

O ponto em questão é que estamos vivendo em uma sociedade alienada, que prefere discutir e fazer piadas sobre futilidades a promover diálogos e debates produtivos acerca de temas reais e relevantes ao nosso cotidiano.

Obrigado por ler. Um abraço!

Cleuson Campos de Lima
Funcionário público e estudante de educação física

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

ESPERANÇA


Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Mário Quintana

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

PAGAMENTO DE IRPF COM O NOSSO DINHEIRO?

Deu no Estadão: senadores vão usar dinheiro público para pagar IR. Entre eles estão Aníbal Diniz e Jorge Viana, os homens que amam o Acre. Leia abaixo a matéria na íntegra!
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Rosa Costa - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - A bancada do PT no Senado tem entre seus dez integrantes seis senadores que optaram em pagar com dinheiro público as parcelas do Imposto de Renda devidas sobre os 14º e 15º salários.

Serão favorecidos pelos R$ 5 milhões disponibilizados pela Casa para pagar o Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) os petistas Paulo Paim (RS), Angela Portela (RR), Aníbal Diniz (AC), Delcídio do Amaral (MS), Humberto Costa (PE) e Jorge Viana (AC). Menos da metade dos 81 senadores bancará o gasto com dinheiro próprio. O Senado divulgou na noite da última terça-feira, 27, uma lista de pagadores com 46 nomes, entre os quais sete ex-senadores.

A Receita Federal cobra dos senadores o imposto devido sobre os salários extras, no valor de R$ 26,7 mil, recebidos no período de 2007 a 2011, no início e no final do ano. O Senado resolveu bancar o gasto com dinheiro público alegando que houve mudança na orientação da própria Receita que concordava com a Casa quanto ao caráter indenizatório. Ou seja, o valor serviria para custear despesas extras, não identificadas.

Depois do PT, o PMDB, com uma bancada de 20 senadores, aparece em segundo lugar entre os partidos cujos integrantes vão transferir a cobrança do imposto para o contribuinte. São ao seis senadores: Roberto Requião (PR), Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR), Garibaldi Alves (RN), João Alberto Souza (MA) e Lobão Filho (MA). O nome do senador Pedro Simon (RS) não constava da lista inicial de pagadores e só foi incluído na manhã desta quarta-feira, atendendo a seu pedido.

Entre os cinco senadores que disputaram as eleições municipais, Inácio Arruda (PCdoB-CE) e Humberto Costa pagarão o IR com dinheiro do orçamento. A situação nos demais partidos é a seguinte: PDT, com quatro senadores, três optaram por pagar o imposto com dinheiro público: Cristovam Buarque (DF), Acir Gurgacz (RO) e Zezé Perrella (MG).

No PSB, também com quatro senadores, três terão o débito quitado pelo contribuinte: Antonio Carlos Valadares (SE), Lidice da Mata (BA) e João Capiberibe (AP). A situação no PTB é a mesma com relação aos senadores Fernando Collor (AL), Epitácio Cafeteira (MA), João Vicente Claudino (PI) e Mozarildo Cavalcanti (RR).

Entre os tucanos, com bancada de 10 senadores, Lúcia Vânia (GO) e Mário Couto (PA) transferiram a despesa para o contribuinte. Ocorre o mesmo no PP com o senador Francisco Dornelles (RJ), Benedito de Lira (PI) e Ivo Cassol (RO). Jayme Campos (MT) e Maria do Carmo Alves, do DEM, também não quitarão as parcelas do imposto de renda com dinheiro próprio. 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O poeta dos escravos


Esta semana será bastante corrida para mim e meus alunos. Teremos uma semana de atividades (exibição de filmes, poesias, músicas, etc.) que ampliam a discussão em torno do respeito às diferenças. A culminância do projeto da Semana da Consciência Negra se dará no próximo sábado, dia 24, com uma manhã inteira de apresentações. Cada turma está sob a orientação de um ou mais professores. Desde a semana passada, eu e meus alunos já estamos empenhados, e hoje levei ao conhecimento deles o poeta dos escravos, o baiano Castro Alves. Confira abaixo a 5ª parte do poema “Navio negreiro”!

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!...
[...]
São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão...
[...]
Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...

Castro Alves – “O Navio negreiro”, do livro “Os escravos”.

domingo, 11 de novembro de 2012

O MATO ESTÁ MAIS ALTO



A pastagem que vejo da janela do meu apartamento está cada vez mais ampla e mais alta (falta pouco para fechar a passagem revestida de tijolo do Canal). A partir da eleição de Marcus Alexandre a prefeito de Rio Branco, o ano parece já ter acabado para as ações da prefeitura comandadas por Raimundo Angelim. Enquanto isso, infinitamente, o mato cresce, e cresce, e cresce...

terça-feira, 6 de novembro de 2012

AOS MEUS ALUNOS

O BICHO

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.


Manuel Bandeira
Rio, 27 de dezembro de 1947
  

sábado, 3 de novembro de 2012

ENEM 2012


O G1 informou que 5,7 milhões de candidatos fariam a prova do ENEM hoje, 3. Eu estava nesse montante. Fui lá, marquei presença.


Desde suas primeiras edições, sempre considerei as provas do ENEM melhores do que as que se aplicam nas escolas, e também sempre desejei que um dia o modelo de prova desse exame fosse imitado pela escola pública: questões contextualizadas, relacionadas ao cotidiano do aluno (tanto nas exatas quanto nas humanas), e que fazem intertextualidade entre o passado e o presente (sobretudo nas humanas), o que faz com que o conteúdo se torne mais vivo, mais atrativo; em suma, verdadeiros desafios propostos aos candidatos.

Evidente que houve uma evolução natural das primeiras edições do ENEM até aqui. De qualquer forma, sempre considerei que suas questões eram melhores que as que nós, alunos, respondíamos na escola, em 2007, quando terminei meu ensino médio. Hoje, professor, tenho ainda mais convicção do que pressupunha quando aluno.

Nesse sentido, é claro que a escola tem tentado caminhar no mesmo passo da prova do ENEM, e as diretrizes do MEC nos orientam para este fim. Na verdade, hoje, no caso de ensino médio, o ENEM é que testa o que temos ou não ensinado nas escolas e o que os nossos alunos têm ou não aprendido. No meu caso, sou professor de ensino fundamental, e as avaliações SAEB (nacional) e SEAPE (estadual) é que cumprem esse papel. A base dessas avaliações é praticamente a mesma, o que demonstra uma linguagem mais ou menos coerente do MEC.

Mas para não ficar só em elogios, destaco dois pontos negativos desse exame do ensino médio, o ENEM:

a) há um número excessivo de questões para tão pouco tempo;
b) os textos não seguem uma ordem cronológica: ora se pensa o século XV, ora o V.

Ao invés de 45 questões por área, cada eixo deveria apresentar, a meu ver, no máximo 30 questões. Com relação à cronologia dos textos, o INEP poderia pensar em alternativas melhores. Afora essas questões, os organizadores estão de parabéns – vão no sentido contrário de outras organizações deste país.  

Por fim, eu gostei da prova deste 1º dia, apesar de não ter me saído muito bem (pelo menos pelo gabarito do Colégio Anglo, que baixei da internet). Que venha o 2º dia de provas! 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

DA JANELA

Eis a paisagem que vejo da janela da minha casa: o mato tomando de conta do famigerado Canal da Maternidade, construído na gestão de Raimundo Angelim, ex-prefeito de Rio Branco.

Canal da Maternidade, que passa nos fundos da minha casa


A obra eleitoreira foi terminada às pressas, para que a população da Baixada do Sol tirasse da cabeça a ideia de que só nas regiões centrais da cidade é que se fez alguma coisa. A estratégia surtiu efeito.

Quando pensávamos que a obra havia sido concluída, ainda nos dias de eleição, por volta do 1º para o 2º turno, mais uma rua começou a ser maquiada com o asfalto-goiabada, a Rua Montevideu, famosa rua do Comercial Portela.

Agora, com Marcos Alexandre eleito, espero que a prefeitura e o Estado não se esqueçam do povo (a quem eles disseram que tanto amam servir, vide o slogam do Estado “Servir de todo o coração”), nem da obra na qual tanto investiram, nem das promessas que fizeram à população da Baixada, como, por exemplo, alargar a Rua Campo Grande (uma das principais ruas da Baixada) e fazer baias para paradas de ônibus.

P.S.: O esgoto que o leitor vê na foto despeja diretamente no nosso querido Rio Acre, único rio que corta nossa Rio Branco. Não sei até quando ele aguentará tudo isso "calado".

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Drummond, na voz de Paulo José

Se Carlos Drummond de Andrade, meu poeta preferido, estivesse vivo, hoje completaria nada mais nada menos que 110 primaveras. Por esse motivo, dedico, aos amantes da poesia, "Amar", na voz de um dos maiores atores brasileiros, Paulo José. Clique e se emocione!



Carlos Drummond de Andrade (31/10/1902 - 17/08/1987)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Agora eles acertaram!!

Em "atendimento às" o acento indicador da crase está devidamente empregado
Para não ficar parecendo perseguição de caçador de erros, resolvi postar uma imagem (também extraída do agazeta.net) em que há o adequado emprego do acento indicador da crase. Dessa vez eles acertaram. Os acertos também devem ser mostrados.

Prezar pela qualidade sempre nos custa algo, mas vale a pena. Espero que um dia os jornais acrianos entendam essa premissa básica da vida.

domingo, 14 de outubro de 2012

É normal encontrar erros primários em jornais acrianos

Não sou caçador de erros.  Mas, dependendo de quem os comete, não dá para admiti-los, por exemplo, o que vemos na imagem abaixo, copiada do portal agazeta.net.

Lá está escrito: "De servidor da casa à parlamentar..."

O deslize é do mesmo tipo do que cometeu o redator da postagem anterior, quando escreveu “Debate reúne os principais candidatos à prefeito do Rio”. Esse tipo de ‘problema’, até o meu programa de texto, o Word, é capaz de detectar (não sei qual programa esses caras usam); os redatores, no entanto, não conseguem (ou não sabem mesmo) perceber.

Quando disse que o deslize de ambos os redatores é do mesmo tipo, é porque os dois vacilaram num mesmo ponto: presumiram haver ocorrência de crase (em se tratando de linguagem, fusão entre um a preposição e outro a artigo), que seria marcada pelo sinal gráfico grave (à), onde não havia. Em outras palavras, acharam cifre em cabeça de cavalo. Na verdade, como disse na postagem anterior, suponho que no primeiro caso tenha havido apenas um deslize de digitação.

Uma imprensa descompromissada com padrões vigentes de escrita. Clique e amplie

E quando disse que “dependendo de quem os comete”, eles, os erros, são inadmissíveis, referia-me ao fato de a imagem acima ter sido veiculada em um jornal (ainda que online), órgão da imprensa que busca (suponho eu) credibilidade, audiência, confiabilidade, etc., e não no facebook, ou num blogue sem muito compromisso ou em um lugar qualquer. Enxergo nessas diferenças motivos suficientes para que se escreva minimamente de acordo com os padrões de escrita vigentes no Brasil.

Em outro ambiente, deslizes de ordem ortográfica como os que vimos poderiam até passar despercebidos, mas em jornais se tornam inadmissíveis, sobretudo por serem tão primários, tão infantis, nos quais a imprensa acriana costuma incorrer.

Diferentemente do caso da postagem anterior, o caso da imagem não foi só um deslize de digitação, foi um erro de ortografia mesmo. E, nesse caso, não suponho, tenho certeza. Isso porque, quando se trata de imprensa acriana, esse tipo de erro se tornou normal. O estranho é não encontrar deslizes dessa natureza. E ainda se vangloriam por ocuparem o 1º lugar em audiência...

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Apenas um deslize de digitação, suponho

Lendo sobre eleições pelo Brasil, encontro no G1 a seguinte chamada:

Debate reúne os cinco principais candidatos à prefeito do Rio

É evidente (pelo menos para alguns escreventes) que a vogal “a” que antecede a palavra prefeito é uma preposição, e que por esse motivo não deveria estar acentuada com o sinal grave, como se marcasse a fusão da vogal “a” com o artigo feminino “a”, denominada crase. É que prefeito é palavra “masculina”, fato que dispensa a presença do artigo. Portanto, a sentença deveria estar assim escrita:

Debate reúne os cinco principais candidatos a prefeito do Rio

Supondo que tenha havido apenas um deslize de digitação, suponho que o digitador quis escrever isto:

Debate reúne os cinco principais candidatos à prefeitura do Rio

Neste caso, sim, seria adequado o emprego do acento indicador da crase. 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A indiferença de Marina Silva

Quem vive no Acre não ouve da boca de Marina Silva um posicionamento político. Se a educação está ou não está bem, se a desigualdade social permanece, o cristianismo de Marina Silva é indiferente.

Marina, acriana, não fala dos problemas de sua terra, é como se o Acre não existisse politicamente.

No jornal "O Globo", sua imagem partidariza-se com o P-SoL e com o PV. Para vereador, ela vota em Jefferson Moura, do P-SoL; e, para vereadora, ela escolhe Sonia Rabello, do PV.

"Reeleger Sonia Rabello é apoiar uma política ambiental e social sustentável para a sociedade do Rio", está escrito no jornal.

E para a sociedade do Acre, Marina?

Ela ignora, porque agora seu seringal é banhado pelas águas de Copacabana.

Para quem participou das Olimpíadas de Londres, Marina deve ter arremessado o Acre para bem longe.

Extraído do blogue do professor Aldo Nascimento

Jornais de Rio Branco

Havia muitos dias que não acessava o jornal Ecos da Notícia. Hoje, ao acessar, deparo-me com o seguinte enunciado de uma enquete:

"Tramita no Congresso Nacional, a discussão em torno da redução da maioridade penal brasileira; de acordo com a sua opinião, ela deveria ser de:"

Pelo amor de Deus!, quem foi que escreveu isso? Não me digam que foi o cara que edita o sítio, por favor! Não entendi o porquê de uma vírgula depois da palavra "Nacional". Também não concebi a ideia de ponto-e-vírgula depois de "brasileira". 

Vou levar alguns dos textos do Ecos da Notícia para meus alunos revisarem durante as aulas de pontuação. Acho que eles vão gostar.


domingo, 30 de setembro de 2012

É inconcebível a TV brasileira sem Hebe Camargo


29/09/2012 - 15h00
DE SÃO PAULO

Ela estava lá, no porto de Santos, ao lado de Assis Chateaubriand, para receber os primeiros equipamentos da pioneira TV Tupi. Depois sua presença na telinha foi tão frequente e marcante que até hoje persiste a lenda de que Hebe Camargo teria participado da transmissão inaugural, cantando o "Hino da Televisão".

Não participou: apesar de convidada, ela deixou a tarefa para sua grande amiga Lolita Rodrigues, alegando um resfriado. Era mentira. Hebe foi passear com o namorado, cuja identidade permanece um mistério. E escapou de inaugurar nossa TV interpretando um hino "horrível", como ela mesma dizia às gargalhadas.

Ah, essas gargalhadas. Hebe interrompia a tudo e a todos com sua risada deliciosa. Lembro de um antigo especial da TV Record em que ela fazia a "Dama das Camélias". A crise final de tosse da personagem, que sucumbe à tuberculose, foi totalmente arruinada pelo riso incontrolável de Hebe, que não resistia às micagens que lhe fazia Ronald Golias. Um momento antológico da nossa televisão.

Outro momento impressionante foi sua participação no "Roda Viva" da TV Cultura, nos anos 80. Naquela época o programa era muito mais incisivo do que é hoje, e os convidados eram praticamente trucidados pela bancada de entrevistadores. Pois bem: Hebe começou a contar um drama pessoal, foi às lágrimas e calou seus algozes. Falou sozinha durante quase meia hora.

Esta semana saiu a notícia de que ela estava de volta ao SBT. Faria sua "rentrée" durante o Teleton, em novembro, e no ano que vem ganharia um novo programa. Talvez um especial mensal, cheio de luxo e brilho, como convém à rainha da televisão brasileira. Que pena que não deu tempo.

Foi no SBT que tive um contato mais próximo com ela. Trabalhei na emissora em 1996, como roteirista do extinto programa "Gente que Brilha" (uma espécie de "Esta é a Sua Vida"). Hebe foi uma das contempladas. Tive que mergulhar em sua biografia, entrevistar amigos e parentes, desencavar histórias. E a conheci durante a gravação: sempre a mais profissional, a mais bem-humorada, a mais fácil de trabalhar.

Hebe Camargo era uma grande estrela, mas nunca foi uma diva. Não fazia exigências descabidas, não tinha manias absurdas, jamais levantava a voz. Chegava na hora marcada, repassava os textos, tratava todo mundo bem. E ria, meu Deus, como ria.

Não consigo imaginar nossa televisão sem ela. Na verdade, não consigo imaginar minha vida sem Hebe Camargo: parece que me morreu uma tia, uma pessoa da família. Agora ela está brilhando no céu. E contagiando os anjinhos com sua gargalhada.
  
Tony Goes tem 51 anos. Nasceu no Rio de Janeiro mas vive em São Paulo desde pequeno. É publicitário em período integral e blogueiro, roteirista e colunista nas horas vagas. Escreveu para vários programas de TV e alguns longas-metragens, e assina a coluna "Pergunte ao Amigo Gay" na revista "Women's Health". Colaborador frequente da revista "Junior" e da Folha Ilustrada, foi um dos colunistas a comentar o "Big Brother 11" na Folha.com.

sábado, 29 de setembro de 2012

Notinha

Acesso o portal globo.com e leio a seguinte chamada: ADRIANO AVISA QUE NÃO VAI AO TREINO POR SMS.

Rápido comentário de um bobo: Ufa!, menos mal. Ainda bem que Adriano mudou de ideia e foi pela avenida, de carro. Do contrário, ele seria o primeiro jogador de futebol a chegar em um treino por SMS.

Sugestão de reescrita: ADRIANO AVISA, POR SMS, QUE NÃO VAI AO TREINO.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Sobre pessoas e bandeiradas



Confesso que ainda estou refletindo sobre os motivos (além do dinheiro que lhes é pago, é claro) por que pessoas se prestam a fazer bandeiradas eleitorais/eiras em ruas e avenidas de Rio Branco. No entanto, reconheço pelo menos duas contribuições imediatas desse tipo de prática à sociedade acriana: além de gerarem poluição sonora, AJUDAM a ATRAPALHAR o trânsito (que já é horrível).

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Você a entende? Duvido!

Acabo de acessar o sítio agazeta.net e ler o seguinte resumo noticiário: "Prorrogação de IPI fará prefeitos empossados em 2013 a encontrar caixas vazios”. Você entende a chamada? Não? Nem eu. Aliás, nem eu, nem você nem ninguém. O motivo? Está confusa. Muito confusa.  

Erro ampliado no emprego da vírgula no outdoor acima

Ficamos nos perguntando o que estaria fazendo ali a expressão “[...] a encontrar...”. Não cabe, é totalmente inadequada. Só os caras que são pagos para enxergar essas coisas (os revisores) não veem isso. Talvez aqui caiba uma pergunta maldosa: há pelo menos revisores nesses jornais daqui? Se há, é urgente que estudem um pouco mais.

Dessa forma, os jornais acrianos se esforçam para manter a tradição da péssima qualidade. Chega a impressionar: os caras conseguem manter o padrão de baixa qualidade desde a chamada até a notícia propriamente dita.  Infelizmente, ainda não vale a pena assinar nenhum jornal do Acre, e nem sei quando isso acontecerá. 

Chega! Vou continuar lendo o blogue do Altino...

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Poesia na sala de aula


Escuridão de um velho coração

Na escuridão
de um abismo,
só escuto o eco
do meu coração
pedindo atenção.

Eu grito por
alguém e ninguém
pode me ver.
Quem está comigo
eu gostaria muito de saber.

Eu estou aqui,
eu existo e quero atenção.
Depois não me venham,
no abismo de um caixão,
pedir para mim e para Deus
perdão.


Texto de Ana Keyla Silva - aluna do 9º ano "C" da escola Padre Carlos Casavecchia




terça-feira, 14 de agosto de 2012

Ideb: Brasil supera metas no ensino fundamental


O Brasil superou as metas na educação propostas pelo Ministério da Educação (MEC) para serem alcançadas em 2011 nos dois ciclos do ensino fundamental (de 1º ao 5º ano e do 6º ao 9º ano), mas apenas igualou a meta projetada para o ensino médio, de acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado nesta terça-feira, 14 (veja gráfico ao lado). Veja o gráfico com números da educação no Acre:


Clique e amplie

Leia a matéria na íntegra: Globo.com

sábado, 11 de agosto de 2012

O papel da escola


Nos últimos anos, “o papel da escola” tem sido um dos assuntos mais debatidos no campo educacional. 

Efetivamente preocupados com esse assunto, professores, acadêmicos e doutores têm se debruçado sobre o mesmo, buscando, por meio de perguntas e de leituras da crítica especializada, respostas e soluções para esse imbróglio.

Por ser um assunto polêmico, há vários pontos de vista, e uma das questões mais relevantes e que desperta a maior diversidade de opiniões tem a ver com a qualidade desse papel, com o qual, segundo os mais críticos, a escola tem faltado.

De um lado, há os mais pessimistas, que criticam, reclamam, esbravejam a ideia de que a escola não tem cumprido com o seu papel. De outro, há os mais otimistas, que acham até que a escola nunca, em toda a sua história, foi tão efetiva.

Eu, particularmente, fico dividido entre as duas opiniões, mas confesso que simpatizo mais com esta última: não creio que a escola esteja pecando no que diz respeito ao seu papel. Tanto é verdade que, na escola onde trabalho, por exemplo, esse papel já ganhou até nome de batismo: Soltinho. É sério. Não minto.

Quando me perguntam sobre isso, sempre respondo o seguinte: olha, pode até ser que esse tal “papel da escola” não seja da melhor qualidade, mas dizer que a escola tem faltado com ele... Ah não, aí não dá.

Não sei nas outras escolas, mas onde dou aulas a escola não tem faltado com o Soltinho nunca.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Dicionário dos 'mano'

Mano não vai embora, vaza.
Mano não briga, arranja treta.
Mano não bebe, chapa o coco.
Mano não cai, toma um capote.
Mano não entende, se liga.
Mano não passeia, dá um rolê.
Mano não entra, cai pra dentro.
Mano não fala, troca idéia.
Mano não dorme, apaga.
Mano nunca ta apaixonado, tá a fim.
Mano não namora, dá uns catos.
Mano não mente, dá um migué.
Mano não ouve música, curte som.
Mano não se dá mal, a casa cai.
Mano não acha interessante, acha bem loco.
Mano não tem amigos, tem uns truta/uns camaradas
Mano não mora em bairro, se esconde nas quebradas.
Mano não vai para o Guarujá, cai pro litoral.
Mano não tem namorada, tem mina
Mano não faz algo legal, faz umas paradas firmeza.
Mano não é gente, é mano
E para finalizar:”sangue na veia de mano não corre…tira racha”

CERTO, MANO?!


Disponível em: Blog dos Caipira. Acessado em 24/07/2012.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Um dia histórico: Demóstenes Torres é cassado

Ex-senador Demóstenes Torres, agora cassado
Breve comentário: o sistema político brasileiro virou uma coisa tão horrenda, tão nojenta e vergonhosa que, mesmo diante de tantas provas, de tantas gravações feitas pela PF em que aparecem conversas com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, só agora Demóstenes Torres terá o mandato cassado. Com essa ação, o ex-senador fica inelegível até 2027 (se ficasse até o fim da vida não seria nada mal). 


Portanto, hoje é um dia histórico porque não é todo dia que vemos um político sendo cassado, ao menos no Brasil - em toda a história (como diria o Chaves: 'contando com Demóstenes') foram apenas dois. Por se tratar de um dia histórico, espero que políticos ligados a Demóstenes (sejam eles acrianos ou não) não proponham um feriado para "O dia em que Demóstenes foi cassado". 


Diante de um cenário político tão corrupto e inescrupuloso como o nosso, a cassação de deputados não deveria ser novidade.

Um dia depois: Demóstenes Torres protocolou hoje, 12, um dia depois de ter sido cassado por quebra de decoro, um  comunicado de exercício no Ministério Público de Goiás. Agora, ele reassume o cargo de procurador de Justiça na 27ª Procuradoria de Justiça de Goiás, da qual é titular. Quanto vai ganhar por lá? Bom, honestamente, o salário do ex-senador será uma merdinha em torno de R$24.117,62 mil, mais benefícios. Agora, o que ele vai conseguir tirar por fora...

terça-feira, 10 de julho de 2012

Curioso, no mínimo

Pomba branca pousou sobre o caixão do cardeal Dom Eugenio Sales. Mistério ou apenas casualidade? 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Los porongas na Conha Acústica


Sabendo que hoje cedo não teria de levantar às 6h e entrar debaixo de um chuveiro, para em seguida ir à escola dar aulas (estou de férias desde sexta passada), ontem fui à concha acústica para ver e ouvir Los Porongas, uma banda acriana ainda pouco conhecida pelos próprios acrianos, mas que já alcança certo respeito no Sul do país e até é incluída entre as principais do rock nacional contemporâneo – os dois discos gravados pela banda até agora, "Los Porongas", em 2007, e " O segundo depois do silêncio", em 2011, foram incluídos entre os melhores dos respectivos anos de lançamento e viraram notícia em importantes jornais e portais do país. Leia mais aqui.



O show foi o que se esperava, mas antes que Los Porongas entrasse no palco, surpreendeu-me a guitarra de um cara chamado Saulinho, da banda Caldo de Piaba. Confesso que provei de um Caldo de Piaba mais forte que os de costume. Saulinho toca muito.



Acompanho Los Porongas há mais de quatro anos, e não posso deixar de dizer que os caras fazem um som diferenciado, envolvente. Quem esteve ontem na Concha pôde conferir uma intrínseca combinação de poesia com acordes dissonantes e uma guitarra às vezes estridente. Os caras mandam muito bem. Só achei infantil a atitude da banda de anunciar o fim do show e sair do palco (à moda de algumas bandas já consagradas), para em seguida ser adulada pela plateia para que tocasse mais. E não é a primeira vez que os músicos fazem isso.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Para faltar ao trabalho, professora inventou ter câncer


Nicola Lynne Hibberd, professora de uma escola primária na cidade de Mansfield, na Inglaterra, fez todos no trabalho acreditarem que ela tinha câncer terminal. A britânica de 44 anos recebeu apoio de colegas, pais de alunos e até mesmo das crianças para enfrentar a falsa doença. De acordo com o site “Mail Online”, ela acabou banida das salas de aula quando a verdade foi descoberta.


Para sustentar a mentira, Nicola chegou a produzir falsas cartas de médicos. Um dos especialistas imaginários, Dr. Richard Baxter, disse em documento que a doença estava nos estágios finais e que a paciente precisava de tratamento imediato. A britânica usava a desculpa do câncer para faltar ao trabalho.

A farsa só foi descoberta quando o diretor da escola percebeu que uma das cartas que Nicola afirmava ser do médico parecia ter sido copiada do site Macmillan Cancer, organização de caridade de combate à doença. Ele ligou para o hospital, com a intenção de falar com a equipe que cuidava do caso de Nicola. Só então descobriu que a tal equipe não existia.

Nicola foi demitida e condenada por conduta profissional inaceitável. Em audiência, ela não forneceu qualquer explicação sobre o motivo de ter inventado a doença. A professora foi proibida de dar aulas por tempo indeterminado, mas daqui a cinco anos poderá entrar com o pedido na Justiça para voltar a ensinar.

Pais de alunos e crianças ficaram chocados ao saber das mentiras da professora.
- Eu estou horrorizada e não consigo acreditar nisso - disse Kelly McDonnell, de 37 anos, mãe de um aluno de 8.


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Uma bela crônica sobre o Corinthians x Santos de hoje

Corinthians x Santos, segundo a Bíblia
Um texto de Márvio dos Anjos, colunista do portal globo.com



Hoje se disputa o maior Corinthians x Santos de todos os tempos. Mais que um jogo entre as nações alvinegras, é quase uma missa. Um confronto de dimensões bíblicas, que merece um inequívoco registro no Novo Testamento, escrito por São Paulo – este que dá nome ao Estado.

“À igreja que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados Santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso: graça e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.” (1 Coríntios 1:2-3)

Ou seja, desde o Primeiro Século já se desejava que ambas as torcidas entrem e saiam na paz, achando graça tanto na alegria quanto na derrota. Só um torcedor muito primitivo daria vexame nesta quarta.

A noite é de gala. Na história do clássico, nenhum jogo se situou tão próximo da maior glória das Américas. É a semifinal, a antessala da final de uma Libertadores, que deve ser decidida diante do consagrador Boca Juniors (a Universidad do Chile é uma bela instituição, mas já virou Jardim da Infância na Bombonera).

É preciso que o leitor, o torcedor e o jogador se deem conta do momento. O confronto de hoje culmina o mais antigo clássico de São Paulo. Hoje, no Pacaembu, estarão presentes os tabus, as finais e os artilheiros, enfim, a história inteira desta saga P&B que remonta a 1913. Ao lado de cada fiel. Ao lado de cada súdito.

De um lado, a multiplicação dos peixes, conduzidos pelo vitorioso Muricy, confiantes num Neymar revigorado. Fala-se que o craque está cansado, sitiado pelos compromissos do Santos, da Seleção e do marketing. Hoje, deverão lembrá-lo de que 99 anos se passaram e nenhum Corinthians x Santos foi maior do que este. Este jogo é para maiores, e sua Alteza da Vila tem obrigações de amor com o reino que herdou de Pelé. Não nos custaria lembrar as palavras de São Paulo a Neymar:

“E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.” (1 Coríntios 13:3)

Do outro lado, donos da casa e da vantagem do 1 a 0, os corintianos não têm messias. Creem num corpo fechado de 11 membros, no palavrório grego de Tite que se traduz num futebol fechado como o da Grécia. Se não há um Emerson Sheik, há um Jorge Henrique da Capadócia, há um William quase Wallace de prontidão, há um Liedson no banco. E há o recado de Paulo à Fiel de Corinto:

“O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. (…) Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1 Coríntios 13:4, 7)

Outro Paulo há de ser canonizado hoje; talvez um Ganso, quem sabe um Paulinho. Que se celebre com graça essa missa alvinegra, e que as novas escrituras divulguem seus heróis para filhos, netos e bisnetos de quem sobreviver a este 20 de junho.

Amém.



terça-feira, 19 de junho de 2012

Mulher irritada com funk alto em ônibus vai pra cima



Rápido comentário: Independente de qualquer julgamento que se faça do caso, uma óbvia pergunta logo se faz necessária: quem de nós se sente bem ao ir ou vir (principalmente vir) do trabalho ou da faculdade (ou seja lá de onde estivermos vindo ou para onde estivermos indo) ouvindo um som estrondeante (independente do gênero musical que esteja tocando) dentro de um ônibus?
Penso que quem pega ônibus em Rio Branco pode responder com maior propriedade a essa pergunta, porque por aqui conhecemos bem esse tipo de coisa.



P.S.: não sei se algum dia vou chegar ao ponto do que fez a moça do vídeo, mas que dá vontade, dá!... e não é pouca!



domingo, 17 de junho de 2012

Bons filmes agora, alunos (cidadãos) futuramente melhores


Nestes dois primeiros bimestres, meus alunos já viram algumas películas interessantes, como “Escritores da Liberdade” e “No meio da rua”. A maioria deles ainda não havia assistido nenhum desses dois filmes, o que revela um fato mais sério e mais preocupante: nossos alunos não têm acesso a bons filmes, não conhecem boas películas.


Mas por que não conhecem? Lanço algumas hipóteses baseadas apenas no que percebo cotidianamente: porque seus pais, por exemplo, alienados por uma cultura de massa que invade a periferia (moradia da maior parte dos alunos), na maioria dos casos, também não conhecem, não cultivam esse tipo de literatura, para apresentar aos filhos; porque são filmes pouco valorizados pelas televisões abertas (único meio de informação e conhecimento de que dispõe a maioria dos nossos alunos).
Por essas e tantas outras razões é que não abro mão de que meus alunos vejam bons filmes. 

Mas, por que isso, para quê? Para lhes instigar o senso crítico, para “mexer” com suas cabecinhas, com seus corações; para confrontar suas ideias (que, na maioria dos casos não são propriamente suas, mas dos outros); para discutir o quanto é importante ir além do bem e do mal, do certo e do errado.


Neste fim de bimestre, meus alunos do nono ano verão “Ao mestre com carinho”; os do oitavo, “O sorriso de Monalisa”.