sexta-feira, 27 de abril de 2012

Belíssima poesia cantada. Curta!




Sentimental
Los Hermanos


O quanto eu te falei?
Que isso vai mudar
Motivo eu nunca dei
Você me avisar, me ensinar
Falar do que foi pra você
Não vai me livrar de viver

Quem é mais sentimental que eu?
Eu disse e nem assim se pôde evitar

De tanto eu te falar
Você subverteu o que era um sentimento e assim
Fez dele razão pra se perder
No abismo que é pensar e sentir

Ela é mais sentimental que eu
Então fica bem
Se eu sofro um pouco mais

Eu só aceito a condição de ter você só pra mim
Eu sei, não é assim, mas deixa
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim
Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir.

sábado, 14 de abril de 2012

Jornais ruins, piadas de mau gosto


Esses dias minha rotina tem sido frenética. Não tenho nem me alimentado direito. Digo aos meus colegas que não tenho tido tempo de mastigar a comida. Apesar disso, procuro, nos poucos minutos de intervalo (enquanto me visto para voltar ao trabalho, por exemplo), ver alguma notícia, atualizar-me sobre os fatos. O problema é que, ultimamente, os jornais têm se preocupado com muita bobagem e têm feito piadas de muito mau gosto, como a que ouvi.


Ontem, enquanto me trocava, via uma matéria sobre a febre da “Ai se eu te pego” (eu falei que os jornais têm se preocupado com muita bobagem). “Uma repórter da Record foi acompanhar os bastidores de um show do Michel Teló”, anunciou o apresentador do jornal (não sei dizer qual era o jornal). Mas acho que não me esqueci do que a repórter perguntou a Teló.

Dentre as perguntas que fez, que foram poucas, perguntou ao cantor qual era o segredo de tanto sucesso, se Teló acreditava que fosse a qualidade musical do trabalho dele (se não foi isso que a repórter perguntou, foi algo muito parecido), e ele prontamente justificou o sucesso de seu trabalho: “Se não houvesse qualidade, certamente as pessoas não estariam cantando, porque até os jogadores cantam, e eles cantam muitas outras músicas”. Até aqui tudo bem, um artista (enganado) acreditando na qualidade do seu próprio trabalho. Se ele não acreditasse em si mesmo...

De repente, a repórter pergunta se ele está namorando e ele gagueja, na hora de responder. Em seguida o cantor caminha rapidamente para o palco, e a apresentadora “passa a bola” para o apresentador, que divide a tela e “passa a bola” para uma apresentadora de outro programa, acho que era o “Tudo a ver” (que, a meu ver, sem qualquer injustiça, poderia ser chamado de “Nada a ver”).

O apresentador já recebe a apresentadora mais ou menos assim: fulana, Michel Teló bombando na Europa... (o corretor ortográfico do meu Word não reconhece esse verbo, bombar; nem meu dicionário Houaiss o reconhece. Que caretas que eles são!). E prosseguiu o apresentador... "Você que é uma mulher que entende muito de música..." E ela completa com algo assim: "Pois é, havia tempo que eu não via nada assim. Acho que a última vez que vi isso foi quando o Skank estourou com Garota Nacional."

Na hora, juro que dei uma gargalhada sarcástica, daquelas, com o cantinho do sorriso, como quem ri de uma piada ruim. Isso só pode ser uma piada, e de muito mau gosto, pensei. Porra! Para quê citar o Skank? O que tem o Skank a ver com o sucesso do Michel Teló? Há tanta gente fazendo sucesso cantando porcarias. Se a questão era só comparar o sucesso de Teló com o de alguém, poderia ter citado o Mr. Catra. Os dois cantam besteiras e fazem muito sucesso. Até porque sucesso não está atrelado a qualidade. A apresentadora poderia ainda ter mencionado uma dessas duplas sertanejas de meia tigela, que cantam mais ou menos as mesmas letras triviais de Michel. 

Aliás, sobre essa lama de duplas sertanejas universitárias e sobre essa denominação, sertanejo universitário, tenho uma reclamação e uma intriga de análise, respectivamente. A reclamação: não consigo mais encontrar para baixar nenhum dvd do João Bosco, porque só aparece uma porra de João Bosco e Vinícius. (Os filtros dos programas de compartilhamento de arquivos deveriam ser aperfeiçoados). 

A intriga: acho que os que se nomeiam sertanejos universitários erram feio na escolha do nome para esse tipo/classe musical. Penso que nem são sertanejos e nem universitários (creio que os que entendem minimamente de música e de universidades hão de concordar comigo). Isso digo porque sei que os que assim chamam esse tipo musical o chamam dessa forma pelo fato de algumas duplas terem surgido dentro de universidades (na verdade, essa ideia não seria de espantar tanto, se pensássemos, por exemplo, que de dentro das universidades tem saído cada coisa!!). 

Para terminar, isto: se são sertanejos universitários por causa das universidades, se acham que suas músicas refletem algo de dentro para fora das universidades, não aprenderam nada quando estiveram lá. Pelo menos nada sobre o real conceito de universidade e sobre o que as verdadeiras universidades e verdadeiros professores ensinam.