quarta-feira, 20 de junho de 2012

Uma bela crônica sobre o Corinthians x Santos de hoje

Corinthians x Santos, segundo a Bíblia
Um texto de Márvio dos Anjos, colunista do portal globo.com



Hoje se disputa o maior Corinthians x Santos de todos os tempos. Mais que um jogo entre as nações alvinegras, é quase uma missa. Um confronto de dimensões bíblicas, que merece um inequívoco registro no Novo Testamento, escrito por São Paulo – este que dá nome ao Estado.

“À igreja que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados Santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso: graça e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.” (1 Coríntios 1:2-3)

Ou seja, desde o Primeiro Século já se desejava que ambas as torcidas entrem e saiam na paz, achando graça tanto na alegria quanto na derrota. Só um torcedor muito primitivo daria vexame nesta quarta.

A noite é de gala. Na história do clássico, nenhum jogo se situou tão próximo da maior glória das Américas. É a semifinal, a antessala da final de uma Libertadores, que deve ser decidida diante do consagrador Boca Juniors (a Universidad do Chile é uma bela instituição, mas já virou Jardim da Infância na Bombonera).

É preciso que o leitor, o torcedor e o jogador se deem conta do momento. O confronto de hoje culmina o mais antigo clássico de São Paulo. Hoje, no Pacaembu, estarão presentes os tabus, as finais e os artilheiros, enfim, a história inteira desta saga P&B que remonta a 1913. Ao lado de cada fiel. Ao lado de cada súdito.

De um lado, a multiplicação dos peixes, conduzidos pelo vitorioso Muricy, confiantes num Neymar revigorado. Fala-se que o craque está cansado, sitiado pelos compromissos do Santos, da Seleção e do marketing. Hoje, deverão lembrá-lo de que 99 anos se passaram e nenhum Corinthians x Santos foi maior do que este. Este jogo é para maiores, e sua Alteza da Vila tem obrigações de amor com o reino que herdou de Pelé. Não nos custaria lembrar as palavras de São Paulo a Neymar:

“E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.” (1 Coríntios 13:3)

Do outro lado, donos da casa e da vantagem do 1 a 0, os corintianos não têm messias. Creem num corpo fechado de 11 membros, no palavrório grego de Tite que se traduz num futebol fechado como o da Grécia. Se não há um Emerson Sheik, há um Jorge Henrique da Capadócia, há um William quase Wallace de prontidão, há um Liedson no banco. E há o recado de Paulo à Fiel de Corinto:

“O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. (…) Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1 Coríntios 13:4, 7)

Outro Paulo há de ser canonizado hoje; talvez um Ganso, quem sabe um Paulinho. Que se celebre com graça essa missa alvinegra, e que as novas escrituras divulguem seus heróis para filhos, netos e bisnetos de quem sobreviver a este 20 de junho.

Amém.



terça-feira, 19 de junho de 2012

Mulher irritada com funk alto em ônibus vai pra cima



Rápido comentário: Independente de qualquer julgamento que se faça do caso, uma óbvia pergunta logo se faz necessária: quem de nós se sente bem ao ir ou vir (principalmente vir) do trabalho ou da faculdade (ou seja lá de onde estivermos vindo ou para onde estivermos indo) ouvindo um som estrondeante (independente do gênero musical que esteja tocando) dentro de um ônibus?
Penso que quem pega ônibus em Rio Branco pode responder com maior propriedade a essa pergunta, porque por aqui conhecemos bem esse tipo de coisa.



P.S.: não sei se algum dia vou chegar ao ponto do que fez a moça do vídeo, mas que dá vontade, dá!... e não é pouca!



domingo, 17 de junho de 2012

Bons filmes agora, alunos (cidadãos) futuramente melhores


Nestes dois primeiros bimestres, meus alunos já viram algumas películas interessantes, como “Escritores da Liberdade” e “No meio da rua”. A maioria deles ainda não havia assistido nenhum desses dois filmes, o que revela um fato mais sério e mais preocupante: nossos alunos não têm acesso a bons filmes, não conhecem boas películas.


Mas por que não conhecem? Lanço algumas hipóteses baseadas apenas no que percebo cotidianamente: porque seus pais, por exemplo, alienados por uma cultura de massa que invade a periferia (moradia da maior parte dos alunos), na maioria dos casos, também não conhecem, não cultivam esse tipo de literatura, para apresentar aos filhos; porque são filmes pouco valorizados pelas televisões abertas (único meio de informação e conhecimento de que dispõe a maioria dos nossos alunos).
Por essas e tantas outras razões é que não abro mão de que meus alunos vejam bons filmes. 

Mas, por que isso, para quê? Para lhes instigar o senso crítico, para “mexer” com suas cabecinhas, com seus corações; para confrontar suas ideias (que, na maioria dos casos não são propriamente suas, mas dos outros); para discutir o quanto é importante ir além do bem e do mal, do certo e do errado.


Neste fim de bimestre, meus alunos do nono ano verão “Ao mestre com carinho”; os do oitavo, “O sorriso de Monalisa”.          

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Aways, Bon Jovi: aos apaixonados

Apesar de atrasado, tendo já passado o dia dos namorados, dedico esta belíssima canção de Bon Jovi a todos os "provisoriamente" apaixonados! Vale a pena ouvi-la.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Lendo e escrevendo mais no Carlos Casavecchia

Ontem tivemos a oportunidade de levar um pouquinho do nosso trabalho para além dos muros da escola, em exposição realizada na escola Serafim da Silva Salgado, como parte do projeto Amigos da escola, da Rede Globo, que este ano tem como tema "O valor da leitura". 

Para aquela escola, nós, da escola Padre Carlos Casavecchia (representada por mais de 20 alunos de 9º ano,  três professores e uma coordenadora), levamos parte do resultado do trabalho que temos desenvolvido em nossa escola. Além dos times de futsal de nossa escola que participaram de atividades recreativas, fizemos uma exposição que recebeu o nome de "Projeto de escrita autoral de crônicas". A produção de crônicas autorais é resultado de leituras e análises de crônicas. Veja como foi a mostra de textos:










P.S.: Sem a imensurável colaboração de Irizane Vieira, coordenadora de ensino no turno da tarde em nossa escola, talvez o painel de textos que aparece nas fotos acima não tivesse a mesma qualidade. Portanto, fica o nosso público agradecimento, meu e de meus alunos. Obrigado, Íriz!!!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

"Redação Inquieta", um livraço de Gustavo Bernardo


Por esses dias ganhei um livro significativo sobre redação: Redação Inquieta, de Gustavo Bernardo. Eis a grande virtude desta obra: o assunto é visto por um ângulo especial e tratado de forma bastante inteligente. Para além do ato de escrever ou de simplesmente registrar a palavra no papel, o autor se utiliza de princípios filosóficos para explicar uma série de problemas maiores encontrados em redações; dois deles, estes: a falta de ideias e os raciocínios entortados - quando dois raciocínios verdadeiros levam fatalmente a um resultado falso, por exemplo.


Claramente inflamado pelas ideias de Friedrich Nietzsche, filósofo alemão do século XIX, Gustavo Bernardo põe em xeque os raciocínios dualistas, as verdades prontas e acabadas. Lá pelas tantas, olha só o que diz o livro sobre a relação redação-juventude:


"As redações de base maniqueísta se caracterizam pela repetição desconexa de lugares-comuns e de preconceitos que não surgem como produto da observação dos fatos, da necessidade de auto-afirmação de quem escreve, nem do desejo de acrescentar algo ao leitor. Surgem não como um produto de um trabalho e sim como reflexo de dependência verbal.
Aquele que repete, de fato, não se expressa. Alguém ou algo é que se expressa através de sua boca ou caneta, utilizando-o como “cavalo” passivo, como “montaria” de ideias externas.

Como os adolescentes perdidos que tentam se achar “achando” o modelo certo a copiar, o ídolo a imitar, o conjunto adequado de palavras a repetir. A gíria também é isso. Num momento, determinado jovem foi criativo e mudou o sentido do termo “sinistro”, que passou a ter conotação positiva ao caráter “terrível” da ideia original. No momento seguinte, milhares de jovens repetem a todo instante que tudo é "sinistro", destruindo a criatividade inicial, os esforços possíveis de observar e pensar, e ainda os demais adjetivos da língua, coitados. Estes milhares de jovens repetidores de fato expressam nada. Uma sociedade mecanizante, alienante, aterrorizante (propriamente “sinistra”...), por tudo isso, desumanizante, é que expressa através deles a sua vitória cruel contra as esperanças da juventude."(...)  

Encerro esta postagem com uma das tantas citações que aparecem em cada capítulo do livro Redação Inquieta: 
"Para se combinar comigo tem que ter opinião". CACASO


P.S.: Professora Maria Vítor, obrigado pelo presente!

domingo, 3 de junho de 2012

"A saúde está zerada", desabafa médica no RJ




Breve comentário: precisamos de mais revoltosos, rebeldes que desabafem sobre outras questões, como educação, por exemplo. A Secretaria de Estado de Educação e Esporte do Acre poderia investir mais (se quisesse) na estrutura da sala de aula, para dar mínimas condições aos alunos e professores de construírem conhecimento numa sala de aula mais decente, mais humana, mais ventilada, mais agradável (como as salas da própria Secretaria de Educação, por exemplo). Um ar-condicionado em cada sala de aula não seria pedir demais (se nossos representantes estivessem realmente preocupados com a educação por aqui). Enquanto isso não acontece, aqui no Acre, este estado escaldante, é quase inviável manter os alunos tranquilos em sala de aula numa tarde de verão. Isso para nem tocar na questão da quantidade de alunos por sala. Parabéns pela sua coragem, doutora Ângela!