sexta-feira, 30 de novembro de 2012

PAGAMENTO DE IRPF COM O NOSSO DINHEIRO?

Deu no Estadão: senadores vão usar dinheiro público para pagar IR. Entre eles estão Aníbal Diniz e Jorge Viana, os homens que amam o Acre. Leia abaixo a matéria na íntegra!
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Rosa Costa - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - A bancada do PT no Senado tem entre seus dez integrantes seis senadores que optaram em pagar com dinheiro público as parcelas do Imposto de Renda devidas sobre os 14º e 15º salários.

Serão favorecidos pelos R$ 5 milhões disponibilizados pela Casa para pagar o Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) os petistas Paulo Paim (RS), Angela Portela (RR), Aníbal Diniz (AC), Delcídio do Amaral (MS), Humberto Costa (PE) e Jorge Viana (AC). Menos da metade dos 81 senadores bancará o gasto com dinheiro próprio. O Senado divulgou na noite da última terça-feira, 27, uma lista de pagadores com 46 nomes, entre os quais sete ex-senadores.

A Receita Federal cobra dos senadores o imposto devido sobre os salários extras, no valor de R$ 26,7 mil, recebidos no período de 2007 a 2011, no início e no final do ano. O Senado resolveu bancar o gasto com dinheiro público alegando que houve mudança na orientação da própria Receita que concordava com a Casa quanto ao caráter indenizatório. Ou seja, o valor serviria para custear despesas extras, não identificadas.

Depois do PT, o PMDB, com uma bancada de 20 senadores, aparece em segundo lugar entre os partidos cujos integrantes vão transferir a cobrança do imposto para o contribuinte. São ao seis senadores: Roberto Requião (PR), Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR), Garibaldi Alves (RN), João Alberto Souza (MA) e Lobão Filho (MA). O nome do senador Pedro Simon (RS) não constava da lista inicial de pagadores e só foi incluído na manhã desta quarta-feira, atendendo a seu pedido.

Entre os cinco senadores que disputaram as eleições municipais, Inácio Arruda (PCdoB-CE) e Humberto Costa pagarão o IR com dinheiro do orçamento. A situação nos demais partidos é a seguinte: PDT, com quatro senadores, três optaram por pagar o imposto com dinheiro público: Cristovam Buarque (DF), Acir Gurgacz (RO) e Zezé Perrella (MG).

No PSB, também com quatro senadores, três terão o débito quitado pelo contribuinte: Antonio Carlos Valadares (SE), Lidice da Mata (BA) e João Capiberibe (AP). A situação no PTB é a mesma com relação aos senadores Fernando Collor (AL), Epitácio Cafeteira (MA), João Vicente Claudino (PI) e Mozarildo Cavalcanti (RR).

Entre os tucanos, com bancada de 10 senadores, Lúcia Vânia (GO) e Mário Couto (PA) transferiram a despesa para o contribuinte. Ocorre o mesmo no PP com o senador Francisco Dornelles (RJ), Benedito de Lira (PI) e Ivo Cassol (RO). Jayme Campos (MT) e Maria do Carmo Alves, do DEM, também não quitarão as parcelas do imposto de renda com dinheiro próprio. 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O poeta dos escravos


Esta semana será bastante corrida para mim e meus alunos. Teremos uma semana de atividades (exibição de filmes, poesias, músicas, etc.) que ampliam a discussão em torno do respeito às diferenças. A culminância do projeto da Semana da Consciência Negra se dará no próximo sábado, dia 24, com uma manhã inteira de apresentações. Cada turma está sob a orientação de um ou mais professores. Desde a semana passada, eu e meus alunos já estamos empenhados, e hoje levei ao conhecimento deles o poeta dos escravos, o baiano Castro Alves. Confira abaixo a 5ª parte do poema “Navio negreiro”!

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!...
[...]
São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão...
[...]
Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...

Castro Alves – “O Navio negreiro”, do livro “Os escravos”.

domingo, 11 de novembro de 2012

O MATO ESTÁ MAIS ALTO



A pastagem que vejo da janela do meu apartamento está cada vez mais ampla e mais alta (falta pouco para fechar a passagem revestida de tijolo do Canal). A partir da eleição de Marcus Alexandre a prefeito de Rio Branco, o ano parece já ter acabado para as ações da prefeitura comandadas por Raimundo Angelim. Enquanto isso, infinitamente, o mato cresce, e cresce, e cresce...

terça-feira, 6 de novembro de 2012

AOS MEUS ALUNOS

O BICHO

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.


Manuel Bandeira
Rio, 27 de dezembro de 1947
  

sábado, 3 de novembro de 2012

ENEM 2012


O G1 informou que 5,7 milhões de candidatos fariam a prova do ENEM hoje, 3. Eu estava nesse montante. Fui lá, marquei presença.


Desde suas primeiras edições, sempre considerei as provas do ENEM melhores do que as que se aplicam nas escolas, e também sempre desejei que um dia o modelo de prova desse exame fosse imitado pela escola pública: questões contextualizadas, relacionadas ao cotidiano do aluno (tanto nas exatas quanto nas humanas), e que fazem intertextualidade entre o passado e o presente (sobretudo nas humanas), o que faz com que o conteúdo se torne mais vivo, mais atrativo; em suma, verdadeiros desafios propostos aos candidatos.

Evidente que houve uma evolução natural das primeiras edições do ENEM até aqui. De qualquer forma, sempre considerei que suas questões eram melhores que as que nós, alunos, respondíamos na escola, em 2007, quando terminei meu ensino médio. Hoje, professor, tenho ainda mais convicção do que pressupunha quando aluno.

Nesse sentido, é claro que a escola tem tentado caminhar no mesmo passo da prova do ENEM, e as diretrizes do MEC nos orientam para este fim. Na verdade, hoje, no caso de ensino médio, o ENEM é que testa o que temos ou não ensinado nas escolas e o que os nossos alunos têm ou não aprendido. No meu caso, sou professor de ensino fundamental, e as avaliações SAEB (nacional) e SEAPE (estadual) é que cumprem esse papel. A base dessas avaliações é praticamente a mesma, o que demonstra uma linguagem mais ou menos coerente do MEC.

Mas para não ficar só em elogios, destaco dois pontos negativos desse exame do ensino médio, o ENEM:

a) há um número excessivo de questões para tão pouco tempo;
b) os textos não seguem uma ordem cronológica: ora se pensa o século XV, ora o V.

Ao invés de 45 questões por área, cada eixo deveria apresentar, a meu ver, no máximo 30 questões. Com relação à cronologia dos textos, o INEP poderia pensar em alternativas melhores. Afora essas questões, os organizadores estão de parabéns – vão no sentido contrário de outras organizações deste país.  

Por fim, eu gostei da prova deste 1º dia, apesar de não ter me saído muito bem (pelo menos pelo gabarito do Colégio Anglo, que baixei da internet). Que venha o 2º dia de provas! 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

DA JANELA

Eis a paisagem que vejo da janela da minha casa: o mato tomando de conta do famigerado Canal da Maternidade, construído na gestão de Raimundo Angelim, ex-prefeito de Rio Branco.

Canal da Maternidade, que passa nos fundos da minha casa


A obra eleitoreira foi terminada às pressas, para que a população da Baixada do Sol tirasse da cabeça a ideia de que só nas regiões centrais da cidade é que se fez alguma coisa. A estratégia surtiu efeito.

Quando pensávamos que a obra havia sido concluída, ainda nos dias de eleição, por volta do 1º para o 2º turno, mais uma rua começou a ser maquiada com o asfalto-goiabada, a Rua Montevideu, famosa rua do Comercial Portela.

Agora, com Marcos Alexandre eleito, espero que a prefeitura e o Estado não se esqueçam do povo (a quem eles disseram que tanto amam servir, vide o slogam do Estado “Servir de todo o coração”), nem da obra na qual tanto investiram, nem das promessas que fizeram à população da Baixada, como, por exemplo, alargar a Rua Campo Grande (uma das principais ruas da Baixada) e fazer baias para paradas de ônibus.

P.S.: O esgoto que o leitor vê na foto despeja diretamente no nosso querido Rio Acre, único rio que corta nossa Rio Branco. Não sei até quando ele aguentará tudo isso "calado".