segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

PIMENTA É REFRESCO


Por Sírio Possenti


Na Argentina, a questão do “controle” da mídia faz barulho. Aqui, as notícias são todas parciais. A disputa governo versus Clarín só fica um pouco mais clara se o leitor interessado busca informações em outras fontes que não seja a grande mídia. Ela nunca noticiou, que eu saiba, que, na Unesco, a chamada Ley de Medios foi considerada um avanço democrático…

Muito pouco se noticiou, também, que um juiz inglês propôs novas formas de “controle” da mídia. Sua proposta pode ser resumida em dois tópicos: a) nenhuma censura; b) mecanismos de “punição” rápidos para “crimes” cometidos pela mídia. Tudo foi motivado pelos escândalos do ano passado, que envolviam escutas ilegais etc.

No Brasil, chamou atenção o caso de um jornalista da Veja, acusado de ter relações estreitas com Carlinhos Cachoeira, que muitos disseram ser informante e que pautava matérias segundo seu interesse – ou de sua revista. Quase foi indiciado pela CPI – que acabou não indiciando ninguém (sinal de muito rabo preso).

Houve quem o defendesse, alegando que jornalista não comete crime quando se vale de informações de marginais e criminosos, desde que as informações sejam relevantes para a sociedade. Confesso que acho estranho, porque é uma forma clara de defender que os fins justificam os meios. Pode justificar “compra” de bancadas, desde que seja para aprovar leis que sejam de interesse da população?

Falei dessas questões gerais, mas o objetivo é apontar um problema de coerência da mídia, 
quando se trata da questão de um possível controle. Invariavelmente, os contrários a qualquer forma de controle da mídia dizem que os ofendidos (etc.) devem procurar a justiça. 
Nem acrescentam que se sabe muito bem como ela funciona…

Acontece que, quando a justiça acolhe processos contra jornalistas ou jornais, logo é duramente criticada.

Menciono dois casos. Há algum tempo, um juiz (talvez tenha sido um desembargador) proibiu o Estadão de publicar notícias relativas a um processo que envolvia um filho do senador Sarney. Não tenho a mínima ideia sobre a adequação ou não da decisão.

Mas é uma decisão da justiça (que, nos dias de hoje, se diz que é claro que deve ser obedecida!). O jornal publicou, durante quase um ano, cada dia atualizando a informação, que estava há X dias sob censura. O leitor recebia o jornal e lá estava a informação, rememorada e atualizada.

Há poucos dias, Fábio Pannunzio, jornalista que conheço da BAND, publicou longo texto (na Folha) comunicando que encerraria seu blog, que mantinha com seus próprios recursos. Razão? Sofreu vários processos por parte de pessoas cujas ações que denunciou e que foram à justiça. Ele teve que pagar advogados, viajar para depor etc. Em suma: não conseguia, com seu dinheiro, dar conta de todas as demandas. Fechou seu negócio.
Não estava louvando a justiça. Estava se queixando.

Minha questão é só uma: se não se quer controle (acho que seria um horror; censura à imprensa é coisa de ditaduras) e se se diz que os ofendidos devem procurar a justiça, o que fazer quando a justiça condena a mídia (ou algum jornalista)?

Os jornalistas e os “meios” têm uma arma: publicam que estão sendo “perseguidos”. E quais são os meios que têm os eventualmente injustiçados pela mídia? Publicar matéria paga? Alguém tem ideia de quanto custa meia página de um jornal ou de uma revista (nem falo do tempo na TV), caso se queira desmentir uma notícia?

Uma sociedade democrática deve defender a liberdade de expressão. Óbvio. Mas deve ter mecanismos para permitir que os cidadãos não sejam injustiçados? Parece ainda mais óbvio.
No programa Roda Viva, recentemente, o prefeito eleito de S. Paulo estava cercado de representantes de todos os órgãos da imprensa de S. Paulo (não havia ninguém da Veja, mas eu disse “órgãos da imprensa”…).

A uma pergunta sobre o comportamento da mídia (se tinha queixas etc.), Haddad disse algo interessante: que não se queixa de nada do que foi dito sobre ou contra ele no tempo em que esteve no MEC. Que discordava de certas afirmações (colocações!), mas, no geral, não tinha queixas. No entanto, achava que a imprensa não usa do mesmo rigor com os outros (outros governos, outros partidos).

É algo que sempre digo (em aulas, eventualmente): que a imprensa nunca mente; ela só não diz toda a verdade. Por exemplo: se você digitar “superfaturamento na Marginal”, vai encontrar algumas matérias. Ou seja, a imprensa noticiou, apesar de serem obras do Serra. Mas você ficou sabendo? Os grandes jornais martelaram a notícia? Quantas matérias o Jornal Nacional fez sobre a questão?

Dois pesos e duas medidas. A justiça é cega? Às vezes. Já a imprensa vê com um olho só.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

"FIM DO MUNDO"


Olá pessoal!, meu nome é Cleuson, sou funcionário público e estudante de educação física. Nas horas vagas, procuro refletir sobre os temas que rodeiam a sociedade, bem como sobre a interpretação que esta mesma sociedade lhes dá.

Recentemente, o fato de um entendimento errado acerca do calendário Maia gerou (e ainda está gerando) uma grande polêmica a respeito de um suposto “fim do mundo”. Não é difícil encontrar nas mídias reportagens, comentários ou postagens relacionadas ao tema.

Não sou contra o que qualquer pessoa faça com seu tempo livre e nem quero influenciar de forma alguma a opinião de ninguém, só acho que há assuntos muito mais relevantes que deveriam estar sendo discutidos neste momento, e não estão por conta do “fim do mundo”.

Pouco se houve sobre o súbito aumento no preço da energia; sobre o aumento da gasolina que está marcado para o próximo ano; já se esqueceram do julgamento dos corruptos do PT (partido dos trabalhadores, kkk!...); o tão falado caso do goleiro Bruno; e outros fatos que deveriam estar tendo mais de nossa atenção, pois se tratam de fatos reais, e que queiram ou não, direta ou indiretamente, refletem em todos nós de alguma forma. Mas é melhor falar do “fim do mundo”. É mais divertido.

O ponto em questão é que estamos vivendo em uma sociedade alienada, que prefere discutir e fazer piadas sobre futilidades a promover diálogos e debates produtivos acerca de temas reais e relevantes ao nosso cotidiano.

Obrigado por ler. Um abraço!

Cleuson Campos de Lima
Funcionário público e estudante de educação física

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

ESPERANÇA


Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Mário Quintana