domingo, 14 de setembro de 2014

FIQUEI EMOCIONADO


"Tia, você pode comprar um livro pra mim?". A pergunta simples e insólita do menino da matéria exibida pelo Fantástico me emocionou. Por que sou bobo, emocional demais? Não acho. É que acredito que o conhecimento liberta, que a educação muda a vida de qualquer pessoa. Mais: penso que o saber, o conhecer, a leitura são infinitamente mais valiosos que qualquer trocado que um garoto de rua possa receber. E o que mais me fere é a crueldade de nossos governantes, completamente insensíveis a milhares de crianças, adolescentes e jovens que pedem, todos os dias, um livro, uma casa, um prato de comida, uma vida mais decente.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

DE VOLTA AO LAR


Desde 2008 que escrevo neste espaço. Ele se tornou, de algum modo, um ambiente do qual sinto falta quando me distancio por um longo período de tempo. É mais ou menos como a minha casa: posso passar o tempo que for viajando, conhecendo os mais belos lugares, mas sempre sinto falta dela, de sua simplicidade e aconchego. É que escrever passou a ser parte do que me realiza pessoal e profissionalmente, razão por que hoje já não consigo passar um dia sequer sem escrever ao menos seis ou sete linhas do que penso. Meus pensamentos só se concretizam, definitivamente, na escrita. Com esta postagem de hoje, declaro o retorno do filho pródigo a esta plataforma virtual. Breve, aos poucos e raríssimos leitores, ofertarei algumas de minhas ideias sobre língua e sobre outros temas que, por algum motivo (na maioria das vezes idiota) ganham destaque na mídia em geral. Como presente de retorno aos meus leitores (se é que os tenho), deixo o poema "O meu país", de João de Almeida Neto. Um forte abraço a todos e até a próxima postagem.




Um país que crianças elimina;
E não ouve o clamor dos esquecidos;
Onde nunca os humildes são ouvidos;
E uma elite sem Deus é que domina;
Que permite um estupro em cada esquina;
E a certeza da dúvida infeliz;
Onde quem tem razão passa a servis;
E maltratam o negro e a mulher;
Pode ser o país de quem quiser;
Mas não é, com certeza, o meu país.


Um país onde as leis são descartáveis;
Por ausência de códigos corretos;
Com noventa milhões de analfabetos;
E multidão maior de miseráveis;
Um país onde os homens confiáveis não têm voz,
Não têm vez,
Nem diretriz;
Mas corruptos têm voz,
Têm vez,
Têm bis,
E o respaldo de um estímulo incomum;
Pode ser o país de qualquer um;
Mas não é, com certeza, o meu país.


Um país que os seus índios discrimina;
E a Ciência e a Arte não respeita;
Um país que ainda morre de maleita, por atraso geral da Medicina;
Um país onde a Escola não ensina;
E o Hospital não dispõe de Raios X;
Onde o povo da vila só é feliz;
Quando tem água de chuva e luz de sol;
Pode ser o país do futebol;
Mas não é, com certeza, o meu país!


Um país que é doente;
Não se cura;
Quer ficar sempre no terceiro mundo;
Que do poço fatal chegou ao fundo;
Sem saber emergir da noite escura;
Um país que perdeu a compostura;
Atendendo a políticos sutis;
Que dividem o Brasil em mil brasis;
Para melhor assaltar, de ponta a ponta;
Pode ser um país de faz de conta;
Mas não é, com certeza, o meu país!


Um país que perdeu a identidade;
Sepultou o idioma Português;
Aprendeu a falar pornô e Inglês;
Aderindo à global vulgaridade;
Um país que não tem capacidade;
De saber o que pensa e o que diz;
E não sabe curar a cicatriz;
Desse povo tão bom que vive mal;
Pode ser o país do carnaval;
Mas não é, com certeza, o meu país!